segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sair pelo seu pé!


O reinado de Juan Carlos foi o mais longo período de paz e prosperidade vivido pelos espanhóis.
O panorama actual de crise económica e o perigo de desagregação territorial, acrescem a cicatrizes mal curadas da devastadora guerra civil em que o rei teve papel preponderante na paz que se lhe havia de seguir.
Juan Carlos pôs fim à ditadura franquista, instituiu um regime constitucional validado por referendo, recuperou o prestígio internacional do país e devolveu a plena cidadania a todos os espanhóis. 
Abdica, agora, no seu filho, deixando-lhe "uma democracia viva, plenamente consolidada e com um futuro promissor", apesar de muitos pensarem que a realeza poderá ter os dias contados.
O monarca desempenhou o seu mandato acompanhado por uma rainha que tomou Espanha como a sua pátria. E, seja qual for o futuro deste país - só o tempo o dirá –, creio que a maioria dos espanhóis o lembrará sempre com alguma nostalgia.

HSC

11 comentários:

Isabel Mouzinho disse...

Concordo em absoluto consigo, Helena, e tal como tão bem salientou o Pedro Correia no "Delito de Opinião", também do lado de cá da fronteira guardaremos uma boa recordação deste grande amigo de Portugal que muito contribuiu para que deixássenos de viver de costas voltadas e nos centrássemos mais no tanto que nos aproxima do que no que nos distingue. A merecer um lugar de destaque na História que decerto não esquecerá a importância que teve.
Por mim, que acompanho muito de perto o que se passa em Espanha, sabia da inevitabilidade e da iminênvia deste fechar de um ciclo, mas tenho pot este Rei uma profunda simpatia que é também admiração.

Para si, deixo um abracinho :)

Brown Eyes disse...

Concordo, apenas reitero que teve um ou outro comportamento mais polémico - mas é humano, sem dúvida. A Rainha, como pessoa, é uma Senhora inspiradora.

Anónimo disse...

"El Rey no ha muerto, viva el Rey"

Anónimo disse...

Entre sair de "ambulância" ou pela força, esta é, sem dúvida, a melhor forma de "sair"... Um exemplo para muitos "grandes" do nosso Mundo...que se apegam ao poder.

Defreitas disse...

A monarquia espanhola perdeu todo o crédito, levado numa enxurrada de escândalos financeiros, de corrupção, de membros da família real indignos duma linhagem que , se foi na história o nosso principal inimigo, também teve as sua horas de glória... e de miséria.

Dizer que Juan Carlos restabeleceu a monarquia é exagerado, a meu ver, porque na realidade foi o algoz de Garcia Llorca e de centenas de milhares de espanhóis que o pôs no trono.

Uma visita ao Valle de los Caídos é necessária para compreender o crime daquele que pôs o Bourbon no trono de Espanha.

zia disse...

Pois é o rei de Espanha abdica a favor do princepe Filipe o que não admira pela é que não tenha há bastanres anos abdicado da vida "oculta" que tem tido... Uma verdeira VERGONHA, sem desculpa...
Um homem que soube ser exemplo!
Sera de manter uma tal monarquia... não consigo ter uma opinião e lamento a minha ignorância,
Um abraço grande e amigo, Zia

Helena Sacadura Cabral disse...

De Freitas
Todos os governantes têm esqueletos no armário. Da direita à esquerda, da monarquia à República.
Ninguém nega que Espanha se transformou numa democracia depois de uma das mais violentas guerras civis que a Europa conheceu.
Juan Carlos como qualquer outro governante cometeu erros. Mas defendeu, sem medo, o país numa altura crucial.
Estou à vontade porque não sou monárquica. Mas cada vez conheço mais responsáveis republicanos que se comportam, sob a capa da república, como se fossem monarcas.
À bon entendeur, salut!

Anónimo disse...

O rei Juan Carlos até tem a minha simpatia, mas o seu pequenote nem puco mais ou menos.

Isabel BP

Defreitas disse...

Cara Doutora

Muito brigado pelo interesse que lhe mereceu o meu comentário. Como "bon entendeur", creio, compreendo perfeitamente o papel que quer atribuir a Juan Carlos. Também não sou monárquico pela simples razão que prefiro ser um cidadão que um sujeito. Nada mais. Mesmo se considero hoje que os cidadãos são enganados pelas elites que governam, talvez porque estas contam sobre a apatia dos cidadãos que não se interessam suficientemente à vida da "cité" !

Sempre considerei que receber o trono da mão dum assassino não foi digno dum descendente de São Luís. Franco tem na sua consciência 1 milhão de mortos e mesmo 60 milhões se consideramos que Hitler e Mussolini, graças a ele, puderam exercer-se em Guernica nos bombardeamentos terroristas e nas tácticas militares que vão assolar a Europa mais tarde. Esta união entre a monarquia e a ditadura , quando penso nos milhares de Espanhóis, homens e mulheres fuzilados, torturados, enforcados enoja-me.

Por outro lado, a mistificação do papel de Juan Carlos na transição entre a ditadura e a democracia após a morte do ditador, parece-me deixar sempre de lado a maturidade das forças políticas e sociais que, dormentes sob Franco, se tinham preparado activamente para o futuro.

Alguém escreveu um dia, que se podemos conceder a Juan Carlos o papel do compositor da partição, foi Adolfo Suarez que dirigiu a orquestra, com um primeiro violino Santiago Carrillo, e uma primeira flauta Felipe Gonzalez , com um publico atento e conquistado: o povo espanhol.

Estes políticos souberam impor a paciência àqueles que porventura queriam tocar a música mais depressa. Os sindicatos e os partidos tiveram um papel importante. Estavam educados. Talvez o único resultado positivo da guerra civil, uma forte vontade de se concentrar sobre a democracia e de evitar os erros do passado, o que conduziu à criação dum consenso político.

Não esquecer também que as instituições económicas, mesmo sob Franco, tinham começado "une longue approche" virtuosa que permitiu mais tarde à economia espanhola de apanhar o pelotão das economias europeias. A SEAT e muitos outros investimentos produtivos vinham desse tempo.

Os novos valores da democracia espanhola vêm portanto da clarividência dos dirigentes políticos e sindicais, da maturidade e a moderação do povo, da rejeição de ideologias extremistas, do pragmatismo politico, da reconciliação nacional, do esquecimento e do perdão , sem o qual não poderia haver a coesão necessária ao arranque da democracia. Desde a guerra da independência contra Napoleão que o povo espanhol não esteve tão unido.
Estas forças, com ou sem monarquia, acabariam um dia por abrir o caminho da democracia à Espanha.

Juan Carlos acompanhou o movimento, mesmo se por vezes demonstrou uma certa coragem para o preservar .
Mas o mérito está "ailleurs"!

patricio branco disse...

fez bem em se demitir, tal como bento 16, o rei estava muito debilitado, devia ser penoso cumprir as agendas, a isso junta se a queda de popularidade devido a alguns comportamentos, incluindo de familiares, que contaminavam tambem a instituição da monarquia, fazia pois falta uma renovação, sangue novo na casa real, etc.
quanto às autonomias ou separatismos não as vejo como perigos, na história recente da europa houve países que se fracturaram, urss, jugoslavia, e as coisas são assim. mas catalunha e país basco não são as regiões mais monarquistas e tambem faz falta novo rei para ver se nessas regiões a monarquia ganha mais algum apoio...
mas em espanha os debates politicos são a serio e não há fingimentos nem cortesias...

Observador disse...

Um exemplo monárquico à atenção da república ... portuguesa.

Fait la liaison.