quarta-feira, 27 de abril de 2011

Depois dos setenta



No final de Fevereiro último, mais concretamente a 27, o Magazine do jornal EL MUNDO publicava uma curiosa reportagem sobre a longa lista de espanhóis que com mais de setenta anos continuam a trabalhar muuito.
Há bastante tempo que este tema me interessa pessoalmente porque, em Portugal, pertenço a esse grupo. Com efeito, faço uma média diária laboral de cerca de dez horas, sem que ninguèm pareça compreender - excepção feita aos meus filhos - as razões porque isso acontece. Já aqui abordei, com franqueza, a questão. Porque preciso, porque gosto, porque tenho trabalho.
Confesso, todavia, que depois de ler a reportagem, me encantou ver quem eram esses profissionais. A maioria era composta por homens. Mas também havia várias mulheres.
As profissões eram sobretudo empresariado, artistas, escritores e filósofos conferencistas. As idades variavam entre os setenta e dois e os setenta e nove e havia nomes tão sonantes como Fernando Tapias, Antonio Garrigues, Emilio Botin entre os homens e Teresa Rivera, Nuria Espert ou Ester Tusquets nas mulheres.
Entre nós temos Eunice Muñoz - fabulosa na peça de Tenesse Williams que vai em Cascais - e Rui de Carvalho ou Manuel de Oliveira para não citar Jacinto Nunes, Silva Lopes ou Adriano Moreira.
Porque falo disto? Porque considero fundamental ter o espírito - e já agora também o corpo... - sistematicamente ocupado. É uma dádiva enorme que a vida nos dá e que não deve ser desperdiçada!

HSC

10 comentários:

Gaivota Maria disse...

Infelizmente perdemos a Nuria Espert ontem

Ana Mesquita disse...

O que seria das novas gerações sem o legado de pessoas maiores que mantém esse seu espírito de proactividade? Seriam vazios de tempo, experiência, sensatez e afecto.
Um beijo e obrigada pela energia que partilha

الرجل ذبح بعضهم البعض ولكن الخيول باهظة الثمن disse...

que com mais de setenta anos continuam a trabalhar muuito....isso deve querer dizer mesmo muito

num país com quase 2 milhões de pessoas acima dos 65
obviamente que muitas dezenas de milhares para se sustentarem com pensões de menos de 200 euros

têm de trabalhar é ir à lota e ver gente com 75 e 80 anos

ou nas bancas da praça

ou nos campos onde o agricultor de parcelas com meio-hectare e com menos de 70anos são uma raridade

depende do que se faz

10 horas a podar árvores aos 92 anos geralmente mata mais do que ressuscita

10 horas frente a tv também não conserva

الرجل ذبح بعضهم البعض ولكن الخيول باهظة الثمن disse...

ou seja ter uma actividade moderada é bom

ter uma actividade exagerada como se tivesse 20 ou 30 anos

eu que sou substancialmente mais novo já não consigo trabalhar 8 horas seguidas

quando tinha 18 ou 19 trabalhava 15horas por dia por vezes durante dias a fio

as filas da vindima tinham nesses tempos primos netos tios avós tudo na mesma linha
80 anos separavam os mais novos dos mais velhos
mas os que tinham 80 ou 90
não faziam os mesmos tempos
que os de 60 ou 70
nem aguentavam tanto sem iàgua ou pausas como os de 10 ou 15...

الرجل ذبح بعضهم البعض ولكن الخيول باهظة الثمن disse...

é diferente uma profissão

de um hobby que se torna profissão

uma profissão desgasta amolece

aborrece

um actor sem público estiola e torna-se caduco ao falar de velhas glórias

ou um político basta ver o discurso de Mário Soares

Fada do bosque disse...

Quando refere trabalho, só me posso lembrar de Séneca e de um objectivo que deveríamos procurar todos: "descobre o que gostas de fazer e nunca mais terás de trabalhar". Como a Querida Helena encontrou esse objectivo, mas acredite que são poucos o que o conseguem, outos há que o desperdiçam todos os dias.
Essas pessoas possuem uma aura encantadora, feliz, contagiante e são uma fonte de inspiração para os mais novos, um exemplo a seguir. Essas pessoas possuem uma ligação metafísica muito profunda com a Natureza. Valorizam-na! Vêem-se como parte de um todo, não são pessoas divididas, são pessoas sábias. São esses exemplos que nos mostram que o corpo não passa da prisão da alma, mas apenas quando queremos que assim seja!
Tomara eu ter contacto pessoal e viver no meio de pessoas que tanto têm para ensinar e partilhar, seja a Helena, seja o Manuel de Oliveira... seja um camponês com a tez queimada pelo sol e de sorriso que abrange o Mundo inteiro, deixando a luz do próprio sol um pouco mais ténue! São as pessoas integrais... também íntegras que conseguem ter o espírito e achar que a vida é uma dádiva! Como o Universo é benigno... são as que Ele mais tenta preservar... aqueles cuja vida é criar! :)
Obrigada pelo seu exemplo Helena, de alegria de viver e de altruísmo na partilha e em tudo! :)

Marcolino Duarte Osorio disse...

Drª.Helena,
Obrigado pelos exemplos que me deu!
Cumprimentos
MO

patricio branco disse...

ha´ 2 ou 3 anos tomei em lisboa um taxi para ir para o aeroporto. Um taxista com alguma idade como há tantos, mas simpático, educado e falador quanto percebe que basta. Pois tinha 83 anos e até (eu não sbia ainda) me ajudou a pôr a bagagem no carro. E com uma condução cuidadosa e precisa. Parecia que tinha menos 10 ou 15 anos. Um exemplo.

Até aos anos 90 tinhamos um taxista no rossio, num lugar especial, idoso, mas era ele e o taxi)

Um longevo português foi-se hoje, o historiador vitorino magalhães godinho.

A ecritora espanhola de mais idade, a decana das espanholas que escrevem, é mercedes salisachs que há pouco publicou novo romance. Tem uns 95 anos. Outra é ana maria matute, com menos 10 que a anterior. Continua a publicar.

Felicidades e que mantenha a energia e alegria de trabalhar.

Tuca Zamagna disse...

De há muito me convenci que viver é querer viver. E poucos, de fato, o querem, infelizmente. É um trabalho (nada enfadonho, não é?) que aprende-se desde a infância, mas nada impede que a ele se dê início em outras etapas da vida.

Ainda outro dia vi na TV uma entrevista com Oscar Niemeyer, na qual ele comentava, empolgado, as perspectivas políticas e sociais do Brasil e os novos projetos arquitetônicos que vem desenvolvendo. Quantos jovens de menos de 80 anos já não desistiram da vida plena, da qual esse inquieto criador de 103 anos não abre mão?

Um abraço

Anónimo disse...

É dar vida aos anos...

"O envelhecimento não é um problema, mas uma parte natural do ciclo de vida, sendo
desejável que constitua uma oportunidade para viver de forma saudável e autónoma o mais
tempo possível..."

A "Helena é uma adversária e jovem trabalhadora " que inveja ainda aguenta 10 horas...

para além da mensagem de esperança e vitalidade(O que toma?...)

Abraço amigo
a próxima vez levo-lhe um folar, se quiser vir cá ... estão uma delicia...
Isabel seixas