segunda-feira, 19 de abril de 2010

A nuvem...

Ninguem acreditaria que a entrada em actividade de um vulcão viesse perturbar a vida economico financeira e, em particular, os juros da dívida pública nacional. Mas veio. Explico-me.
É que o encerramento do espaço aéreo provocado pela nuvem expelida pelo vulcão islandês veio postergar o encontro que hoje se daria entre responsáveis gregos, o FMI, o BCE e a Comissão Europeia. O resultado do adiamento deste encontro foi logo o aumento do spread da Grécia e de Portugal em relação à Alemanha.
Com efeito as "yelds" das obrigações portuguesas a cinco e a dois anos estão a subir perto de vinte pontos - taxas de 3,668% e 2,129% - e as de dez anos cerca de doze pontos - taxas de 4,562%. Claro que qualquer das taxas gregas para estes períodos sofreu aumentos maiores.
Todavia, com o mal dos outros podemos nós bem. E, apesar da Grécia não ter, ainda, accionado o pacote de quarenta e cinco mil milhões de euros de ajudas financeiras acordado - 30 mil milhões da Zona Euro a que acrescem 15 mil milhões do FMI -, a banca interpretou a convocação daquela reunião como um primeiro passo no sentido da sua próxima utilização.
Ora como o encontro foi atrasado, o mercado, em salvaguarda, reagiu penalizando a Grécia e, por arrasto, Portugal.
Perante isto, não tenhamos dúvidas que quanto mais tempo durar o encerramento do espaço aéreo, pior serão as consequências para a já débil situação europeia. É caso para dizer que um mal nunca vem só!

HSC

2 comentários:

voz a 0 db disse...

Hoje em dia até o facto de uma formiga atravessar a estrada na passadeira já serve de desculpa para aumentar os juros...

Raúl Mesquita disse...

Sem querer fazer a evidente (detesto a palavra "óbvio" em português) brincadeira: "Os americanos puseram o vulcão em acção, com a sua tecnologia...", a verdade é que, pelo menos, tiramos de novo a velha lição: Nós, Homens, não somos os senhores do Mundo; a Natureza é bem mais forte do que nós, não esqueçamos. Chega de Feira das Vaidades! Raúl.