sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Levar-se a sério


"Eu não me levo muito a sério. É a melhor maneira de viver. Aquele que se leva a sério está sempre numa situação de inferioridade perante a vida." 
                        
                                               (Agustina Bessa-Luis)

Já o escrevi várias vezes. Eu também não me levo muito a sério. Porque, se levasse, a minha vida deixaria de ter a graça que tem e os acontecimentos tomariam conta de mim. Ora eu não gosto nada que tomem conta de mim. Gosto de ser eu a faze-lo, mesmo que nem sempre o tenha feito da forma mais feliz. Acontece a todos. Só que, à distância, mesmo naquilo que não terá corrido pelo melhor, acabo sempre por descobrir um lado em que as coisas poderiam ter acontecido de modo bem pior.
Digo imensas vezes isto aos amigos que atravessam problemas sentimentais. Se são novos, lembro-lhes o risco que correriam se tudo se passasse quando já fossem velhos. Se já são entrados na idade, recordo-lhes os bons momentos que, apesar de tudo, também viveram...
Sempre apliquei este princípio à minha própria vida. E quanto mais velha vou ficando, mais me rio de mim própria, da importância que atribuí aos percalços por que passei e da coragem que tive nas asneiras que também fiz. As quais, aliás, à data, me souberam muito bem...


HSC

12 comentários:

Observador disse...

Tenho que me levar a sério. Só assim acredito em mim.
Apesar de ser um brincalhão.
Algum paradoxo nesta ideia? Julgo que não.

TERESA PERALTA disse...

Essa tem sido a minha regra de vida: relativizar as tristezas e energizar as alegrias. E talvez seja essa, também, a maior identificação que encontro nas suas palavras e nos seus juízos.
Beijinho :)

Isabel Mouzinho disse...

Concordo com tudo. Com a Agustina e consigo, Helena. Não se levar a sério e rir-se de si mesmo é sinal de uma enorme "sagesse". E torna tudo mais leve. :)

Beijinho

maria isabel disse...

Como já passei maus bocados na minha vida, aproveito sempre para me rir de mim mesma porque não sei se alguma vez mais vou querer rir e não conseguir. Também não me levo muito a sério e tenho um forte sentido de humor. não gosto de pessoas cinzentas.
Bom fim de semana e muito riso.
Abraços fortes

Alcipe disse...

Muito bem, cara Helena, não podia estar mais de acordo consigo (desta vez).

Seu amigo

a) Alcipe

Fatyly disse...

e é com essa postura que já ultrapassei tantos embates da ou na vida e o actual momento tento estar sempre com o gargalo de fora e VIVER!
Rio muitas vezes de mim própria, ó se rio e que faz tão bem:) porque aprender, aprender...sempre!

Anónimo disse...

Agustina Bessa-Luís, mesmo para quem não goste dela... terá que render-se, acredito, a esta sua citação!...

bea disse...

Bom...o ideal seria mesmo não nos levarmos muito a sério, o que, entendo eu, nada ou pouco tem a ver com o facto de sabermos rir de nós mesmos. Podemos facilmente rir de nós e continuarmos a levar-nos a sério. Como a Helena afirma, talvez não valha a pena.

Porém, e a Agustina bem o sabe (ou soube), é uma arte; não universal.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Querida Helenamiga

Muito obrigado pela tua visita e pelo teu comentário; viver a vida é uma"obrigação" que todos devíamos cumprir.

Mas viver a vida não é feita por decreto, nem sequer por decreto-lei. Viver a vida é leva-la sempre melhor, mesmo quando ela é... menos melhor.

Já podias ter publicado a capa do meu novo livro... Mas, enfim, espero.te no lançamento cujo local, data e hora ainda procuramos... Queres dar-me uma "dica"?

Qjs

Helena Sacadura Cabral disse...

Henrique
Está feita no post de hoje a explicação das razões pelas quais não falara ainda do teu livro.
Os locais de lançamento, são sempre escolhidos pela editora. E até já fui eu que apresentei dois dos meus livros.
Porque não fazes num local que tenha a ver com jornalismo: Casa da Imprensa, Clube dos Jornalistas, Sindicato dos Jornalistas?
Vejo com agrado que mudaste o título inicial.
Bjo

Helena Sacadura Cabral disse...

Henrique
Tenho o meu neto mais velho a fazer o ERASMUS em Barcelona. Se o lançamento for depois de 2 de Dezembro não estarei cá.
Fica já o aviso, para que me não censures se não estiver presente.
:-))

Anónimo disse...

Bom dia Helena!
Sou demasiado séria, estou a aprender a rir-me de mim própria, a não levar as coisas tão a sério,já estou melhor!

«Yo soy yo y mi circunstancia, y si no la salvo a ella no me salvo yo»
Ortega

Volto a repetir a Helena, têm atributos que faziam de si, uma boa psicanalista.

"Digo imensas vezes isto aos amigos...
Dá respostas que os fazem pensar, respostas de um mulher vivida que soube e sabe aproveitar o melhor da vida, não se deixou vencer pelas adversidades...creio que eles a ouvem!!
Só lhe posso dizer, que a minha personalidade melhorou desde que a leio.

" Um sofro de ar,
faz girar, o mundo melhor...

Paulo Gonzo Espelho de àgua

Carla