segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A espuma dos dias


A Europa está em risco de enfrentar a terceira recessão desde 2008. A Grécia está em vias de outra intervenção financeira externa de emergência. A Itália e a França não cumprem as metas do Tratado Orçamental. A Alemanha caminha para a estagnação da sua economia. Em Portugal pululam as crises partidárias sob o manto diáfano de uma eventual antecipação eleitoral que conduza ao milagre de uma maioria absoluta do PS.
E tudo isto se desenrola, como diz o Pedro Correia, na espuma dos dias, como se a dívida pública não permanecesse incontrolada e a despesa do Estado não cessasse de aumentar. Ou, quem sabe, como se o petróleo jorrasse, em força, nas Berlengas...

HSC

15 comentários:

João Menéres disse...

Se alguém tem a solução, que a diga, antes que ESTOUREMOS DE VEZ !


Melhores cumprimentos.

rosaamarela disse...

Like !

Anónimo disse...


Vamos acreditar, que melhores dias virão em toda a europa.


Carla

Anónimo disse...

Mas há quem acredite em milagres ?!!!. Como se dizia na minha aldeia: "São como os alcatruzes", vão uns e vem outros". Isto quando a agua (não o petróleo) era tirada dos poços com o auxílio dos animais...

ERA UMA VEZ disse...

Às vezes dou comigo a pensar que o mais triste no envelhecimento é a a consciência do desencanto, ou seja, um cepticismo de quem já viu muita coisa parecer o que não é, de quem acreditou vezes demais.
Ver cair políticos de quem se esperava um pouco mais,impérios financeiros onde trabalhámos com seriedade, entusiasmo e rigor e acordar de manhã sem esperança de boas notícias, talvez "assim assim"...

É esse "assim, assim" desgastado e encardido que calamos vezes demais dentro de nós porque é preciso que os mais novos acreditem e sonhem e façam a sua própria caminhada. Esta é a hora deles, sem deixar de ser nossa.

E em cada geração há-de haver, tem de haver, soluções, imaginação e sobretudo sonhos e projectos.

Oxalá também eles não estejam prematuramente desencantados.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Infelizmente tudo o que escreveu
é verdade. Parece que há quem não
queira pensar, fazendo de conta:
não penso/não existe...
Mas a Europa não podia caminhar
noutro sentido. As políticas
estão erradas, não querer ver isso,
também não ajuda.
Cumprimentos.
Irene Alves

maria franco disse...

http://youtu.be/T5WdpSPeQUE
Lembrei-me ao ler este post,desta
canção. Cada um pode interpretar
à sua maneira...
Continue a escrever e sempre,
sempre a cativar-nos.
Afectuosamente
M.Júlia

Anónimo disse...

Na minha humilde opinião, tudo não passa de estratégias:
https://www.youtube.com/watch?v=Nt44ivcC9rg

Defreitas disse...

Não é fácil de viver com o salário mínimo, ou ainda menos
Não é fácil de ser operária e mãe solteira
Não é fácil de ser desempregado no fim dos direitos
Não é fácil de cair na miséria
Não é fácil de sobreviver abaixo do patamar da pobreza
Não é fácil de dormir em caixas de papelão na rua
Não é fácil de acumular as facturas sem as poder pagar
Não é fácil de chegar ao fim do mês sem dinheiro
Não é fácil de ser diplomado e precário
Não é fácil de economizar o aquecimento no inverno
Não é fácil de nunca ter visto o mar
Não é fácil de ver os outros partir de férias
Não é fácil de inspirar a piedade
Não é fácil de renunciar ao dentista
Não é fácil de evitar o ophtalmo
Não é fácil de se alimentar low-cost
Não é fácil de se vestir na Emmaüs
Não é fácil de fazer durar os sapatos
Não é fácil de suportar a humilhação
Não é fácil de conservar a calma quando os políticos, o PM e o PR te gozam
Não é fácil de se calar quando apetece gritar
Não é fácil de comer carne uma vez só por mês
Não é fácil de assistir aos banquetes dos que já estão fartos
Não é fácil de sair do pensamento único
E quando o governo atraiçoa o povo pelo índice da bolsa, e que governa com os aplausos dos que já têm tudo,

Não é fácil de continuar cidadão.

Anónimo disse...


Bom dia Helena!

"Vencer a si próprio é a maior de todas as vitórias".

Platão

Carla

Helena Sacadura Cabral disse...

De Freitas
Tem toda a razão. Só quem não tenha alma ou coração poderá contradize-lo. Não é o meu caso. Por educação e por formação profissional.
O problema está sempre na forma como os políticos exercem -ou não - as suas funções. E é deles que se trata, no rosário das afirmações que faz.
Infelizmente por esse mundo fora - sei que conhece bem o caso francês - as situações vão-se multiplicando, sejam com governos de esquerda ou de direita.
Alguma vez acreditou que a França pudesse, com Hollande, ter chegado ao que chegou? Eu não!
Estive aí há pouco tempo e entristeceu-me muito ver o que vi, depois de tantas esperanças goradas em Hollande, que hoje pratica uma política que considero de direita!
Depois admiram-se Cameron se prepare para sair da UE, que a Grécia esteja ingovernável e que a Itália exija o que não dá.
Felizes os que acreditam nas ideologias e nos partidos. Eu só acredito nos homens. E os que são sérios fogem da política como diabo da cruz!

Anónimo disse...

Helena,
fez-me recordar, Nietzsche

"Eu só acredito nos homens"

Penso, que existem alguns sérios na política, governar um país não é fácil.
Os sérios, quando chegam ao governo deparam-se com uma realidade que desconheciam...
Logo, o prometido fica esquecido... os menos sérios aproveitam-se do cargo, para satisfazer o seu narcisismo.
Sérios/não sérios, esta díade não funciona...

Carla



Joaquim de Freitas disse...

Cara Doutora: Sabe melhor, que eu, que hoje no mundo morrem de fome o equivalente de habitantes duma cidade moderna, uma criança todos os 7 segundos. Os media não falam disso. Eliminados do mapa , sem merecer a "une" , nem a dois nem a três. Como se houvesse um blocus mediático sobre os males do mundo! Estes "genocídios silenciosos da miséria" como diria Galeano, não entram no menu do latifundium mediático. Mentira por omissão.

Em França ainda não chegamos lá, mas a miséria avança, um pouco mais todos os dias.

Entretanto, madame Merkel cogita se deve ou não optar pelo fim da austeridade para a Europa como mesmo Juncker agora a incita. Durão não teve a coragem de a afrontar. E o que me desespera é que os partidos nos quais depositamos a esperança de melhores dias , operam neste momento uma viragem mortal , já iniciada há alguns anos, mas agora sem preconceitos.

E já se fala da VI° Republica.

Ora parece-me que neste pais que , sei, conhece bem, ( eu já cá estou há 55 anos), vivemos com o risco duma derrocada das instituições. Na realidade, das águas lamacentas pode muito bem emergir um monstro , que empurra todos os dias os seus piões para a frente, enquanto que as forças da esquerda se desvirtuam em combates fratricidas.

Os eleitores de ontem do partido socialista não serão os mesmos de amanhã. Muitos terão desertado; outros estarão do outro lado da barricada.

Ninguém sabia que François Hollande iria tão depressa e tão longe na sua marcha para o liberalismo. Não falemos de socialismo, porque mesmo esta denominação está em vias de extinção. O mundo do trabalho perdeu a bússola. Entre a austeridade (mesmo se esta não é a portuguesa), e os efeitos nefastos da globalização, todos temem o futuro. E Manuel Valls diz à esquerda de "changer ou mourrir" !

Nos anos 70, dirigia uma firma de 300 pessoas na tecnologia da robótica industrial. Num grande grupo francês - Saint Gobain -Pont-à Mousson, e posteriormente sob capitais americanos.

Presidia o CE (Comité d"Entreprise) mensalmente, e na época a noção de classe trabalhadora tinha ainda curso, completada por aquela das camadas sociais.
A questão que se punha em permanência nos partidos e nos sindicatos era de coligar os quadros, técnicos e operários, na luta proletária. Claro que é bem verdade que uma Nação sem quadros, e em todos os campos, não tem a possibilidade de existir, e que governar sem a sua adesão ao menos passiva seria uma ilusão.

Eu, que tinha tido na minha juventude estudante uma doença infantil em Portugal, a do marxismo , na escola do Professor Rui Luís Gomes e Eng°. Virginia Moura, vivia com deleite e em segredo, a prova prática aqui, depois de ter aprendido a parte teórica com eles. E aprendi a arte da negociação com todos aqueles que fazem uma empresa. O mundo social fazia parte do mundo do capital e do trabalho. Hoje o social é o inimigo.

Pouco importa os resultados que seguiram. Trata-se simplesmente de mostrar que existia nessa época um pouco de clareza na classificação, enquanto que hoje tudo se afoga na confusão do povo de esquerda, sem outra precisão. Quanto à direita, procura sobreviver e espera que a esquerda não se recomponha. Porque o futuro da Nação passa depois do sucesso do Capital. E daqui pode vir o aborto.

Enfim, todo o edifício da "transição" supura, treme e arrisca-se a desmoronar.

Joaquim de Freitas disse...

Errata , em francês: mourir em vez de mourrir. Mille desculpas.

Helena Sacadura Cabral disse...

Joaquim de Feitas
O seu comentário é de uma enorme lucidez e felicito-o por isso.
Podemos não pensar o mesmo sobre varios temas. Mas estamos do mesmo lado da barricada, acredite!