quinta-feira, 30 de maio de 2013

O desacordo


JUIZ RUI TEIXEIRA PROÍBE ACORDO ORTOGRÁFICO

« Magistrado alega que as “actas não são uma forma do verbo atar” e que “os cágados continuam a ser animais e não algo mal cheiroso”.
O juiz Rui Teixeira, que conduziu a instrução do processo ‘Casa Pia e que agora está colocado no Tribunal de Torres Vedras, não quer os pareceres técnicos sociais com o novo Acordo Ortográfico. Os pareceres (relatórios sobre a situação social dos envolvidos em julgamentos) são elaborados pela Direcção Geral de Reinserção Social.
Em Abril, a DGRS recebeu um pedido de relatório social acompanhado de uma nota: “Fica advertida que deverá apresentar as peças em Língua Portuguesa e sem erros ortográficos decorrentes da aplicação da Resolução do Conselho de Ministros 8/2011(…) a qual apenas vincula o Governo e não os Tribunais”.
Os serviços da DGRS pediram um esclarecimento e Rui Teixeira respondeu: “Não compete aos Tribunais ensinar Leis aos serviços do Estado. É de presumir que a DGRS tenha um serviço jurídico e se não o tiver o Ministério da Justiça tem-no de certeza”.»

(in Correio da Manhã)

A ser verdadeira a notícia não posso deixar de me congratular com a decisão por muito que ela ofenda os apoiantes do Acordo. Torna-se cada vez mais evidente que vão perdurar duas formas de escrita por muitos e bons anos...

HSC

17 comentários:

Vânia Batista disse...

Eu também me congratulo com esta notícia... o problema é que os professores da faculdade (que tantos nos incitam a defender os nossos pontos-de-vista e a adoptar e a assumir aquilo que acreditamos) nos obrigam a escrever à luz do NAO e penalizam-nos quando acontece de ir alguma palavra escrita de acordo coma norma antiga, coartando-nos o que eles mesmos nos incentivam:o pensamento e a liberdade de expressão. Contraditório, não é?

Como instituição do ensino superior compreendo que tentem incutir as mudanças e as novas normas... mas não percebo a intransigência,é inadmissível reprovar um aluno, com notapositiva só porque foram descontados os erros ortográficos que deu e que, para muitos, não é erro. A mim, isto já aconteceu e garanto que à luz da norma antiga não tinha erro nenhum.

Agora na faculdade escrevo como a censura quer e na vida privada escrevo como se deve escrever: com as letras todas.

Um beijinho,
Vânia

Sérgio Saraiva disse...

Vou quebrar um tabu: no meu caso, vejo o acordo ortográfico como algo de importância menor. Se calhar por não ter pretensões a intelectual, confesso que não sou contra o acordo. Claro que o processo foi mau, atabalhoado, confuso, etc, etc, etc, mas acho normal que a língua e respectiva ortografia evoluam ao longo do tempo. E sinceramente se formos a ver pouco muda para além de uma meia dúzia de letras (que ainda por cima não tinham qualquer significado ou sequer leitura). Também não acho problemático que coexistam duas ortografias paralelas. Para além disso se não fossem este tipo "polémicas" como é que se ocupava o tempo de tanta gente nas administrações centrais? Tal como o juiz disse, o que não deve faltar por aí é gente sem nada para fazer e assim ficam entretidas às voltas a analisar as virgulas das leis.

mina Jesus disse...

Concordo plenamente com o Dr. Rui Teixeira.

paula disse...

A-do-rei.

Anónimo disse...

Congratulo-me consigo, Estimada Helena e com a Douta opinião do Meretíssmo Juiz.
P.Rufino

Maria disse...

Já fiz o meu percurso escolar. Escrevo como aprendi, continuo escrevendo, e sempre escreverei como me ensinaram. É um facto. Nunca será um fato.
Cptos,
Carmen

João Menéres disse...

Abençoado Juiz Rui Teixeira !
Já tinha do meu lado o Vasco da Graça Moura e a Helena.


O meu agradecimento por esta postagem.

Anónimo disse...

Bom dia,

ainda escrevo conforme aprendi.

Essencialmente, por princípio e por convicção.

Tanto quanto sei, nenhum dos outros países aderiu oficialmente ao acordo e, de todos, a variante lusa foi a que mais perdeu na sua riqueza linguística!

Qualquer língua, incluindo as suas variantes, é uma questão de identidade nacional e regional.

Os falantes de língua portuguesa não têm que ser todos iguais ...

As línguas evoluem, mas não desta forma. Há uma adaptação gradual e um desaparecimento ou aparecimento natural de certas grafias e certos fonemas, neste caso, houve uma simples imposição, nada mais, por isso, continuo a escrever como aprendi.


Cumprimentos,
Cláudia

Anónimo disse...

O novo acordo ortográfico é uma peça, naturalmente, polémica.
E, é-o porque na discussão se contrapõem, digamos, interesses.
Se eles são políticos, económicos ou culturais quem o possa esclarecer que o faça.
Sou suficientemente “não informado” para o tentar.
Contudo, como “só” conheço o antigo, com ele continuarei a expressar-me, com os erros que cometo e com “aqueles” que o novo prescreva.
Quanto à decisão do Juiz Rui Teixeira acho-a curiosa porque proveniente dum membro dum órgão de soberania mas, quiçá, também corajosa.
Contudo alguém vai ter que resolver, quando necessário, a incongruência que possa existir entre a legislação publicada no Diário da República (que escreve segundo o novo acordo) e a interpretação de quem a aplica que, pelos vistos, poderá ter outra leitura.
E, por absurdo, o DR poderá ter que converter para a nova linguagem peças jurídicas importantes, estou a lembrar-me, como mero exemplo, de acórdãos e despachos dos tribunais ou, estes serão já emitidos pelos serviços judiciais no formato definitivo?
E, se assim for, cada entidade escreverá de sua maneira?
Deve ser por isso, se calhar, que se inventou a “sobreposição”.
Provavelmente estarei enganado na interpretação que faço mas, não a deixo de expressar.
Atentamente
Rui Carlos

Anónimo disse...

eheheh parece o meu liceu de antigamente onde havia que aprender a apaziguar os egos de certos professores!
Espero bem que o sr juiz seja mais rigoroso a averiguar o conteudo e metodologia dos pareceres do que com a ortogrfia.

Isto e aquilo disse...

Também sou contra o "aborto ortográfico", parafraseando Pedro Correia no blog "Delito de Opinião" e, já agora, recomendo vivamente o seu recente livro "Vogais e Consoantes politicamente incorrectas" muito esclarecedor e interessante quer para os apoiantes do AO, quer para os que se recusam a escrever em "acordês".

Um beijinho, Helena!

Isabel Mouzinho

Anónimo disse...

"Não compete aos Tribunais ensinar Leis aos serviços do Estado" ... mas que faz falta faz ...

N371111

Anónimo disse...

Concordo com o Dr. Rui Teixeira e também não escrevo segundo o novo acordo ortográfico.
FL

Margarida Pereira disse...

Só é pena que o Sr Dr Juiz não se tenha informado devidamente antes: Cágado continua a ser cágado depois do acordo, tal como facto continua a ser facto. Uma casmurrice de um dos Srs que ultimamente acham que regulam Portugal e quiçá o Mundo.. está bem.. e eu até sou das que não entendi como é que facilita a vida alguém passar a escrever mês de agosto com letra minúscula, portanto como vê, nem sou desse lado, mas se foi aprovado por quem de direito, que se cumpra. Juiz em causa própria já começa a enjoar!
Para si, os beijinhos habituais. Margarida

Anónimo disse...

Concordo com a Margarida Pereira. Já não será tanto uma questão de pró ou contra o Nao, é muito concretamente uma questão de ignorância grosseira de um douto juiz que se "pronuncia" sobre o que desconhece.

É patético. Já em tempos, num programa de tv, Sinais de Fogo, acho eu, o tudólogo Miguel Sousa Tavares ousou opiniar, de forma desdenhosa, sobre o facto que passaria a fato! Aquela aberração passou em horário nobre sem contraditório.

Senhor juiz, jamais terá de escrever reto em vez de "repto", ou rato em vez de "rapto", porque de "facto" as barbaridades que escreveu tiveram um forte "impacto" pelo "facto" de ser "faccioso".

Desenvolva a hermenêutica, ajuize e aplique a lei e, de resto, não suba o sapateiro além da chinela.

Saudações cordiais, Drª Helena.

Lia Santos

curtos instantes disse...

Respeito que se mude (não acho que se perca o que quer que seja) como respeito os que pensam o contrário. Já não consigo é aceitar abusos e o que o juiz em causa faz é abusar do poder que tem enquanto juiz. Isso é, no mínimo, repugnante e não acrescenta valor a quem está contra este novo acordo ortográfico.

Fátima Costa disse...

É que óptimo sem "p" -ótimo parece estranho e nunca será sinónimo de muito bom.
Fátima Costa