domingo, 26 de junho de 2011

Este calor


Chego a Lisboa tarde. O calor, abrasador, lembra-me Africa. De onde vim também não estava fresco mas, pelo menos, o céu era de um límpido azul. Ao contrário deste cinza que mal se deixa atravessar pelos últimos raios solares.

Entro em casa. Aqui a sensação que tenho é a de que, se tentasse, poderia grelhar carne na tijoleira do meu belo terraço. A medo, começo a abrir as janelas todas. Mesmo assim nem uma aragem...

É nestas alturas que me irrito comigo mesma porque quero sempre últimos andares virados a sul e, depois, passo as estopinhas com os verões e os invernos. Ambos verdadeiros infernos para quem se recusa a ter ar condicionado.

Cai a noite. Desisto de desfazer o saco de viagem. Estou o que se chama um pastel. Arrasto-me até ao terraço e atiro-me para o cadeirão, onde fico imóvel por tempo indeterminado. Adormeço.
Quando abro os olhos, surgem os primeiros fios de luz.São seis horas da manhã.Estou, finalmente, bem.

HSC

14 comentários:

Fada do bosque disse...

Como a entendo... tenho um bom termómetro alemão e hoje por cá à sombra marcava às 16 horas 40 graus à sombra... Sem ar condicionado e pouco falta para não conseguir ter aquecimento nenhum no Inverno como aconteceu no que passou... já não sei que me assusta mais, se o frio ou o calor. As condições de vida para os portugueses pioram de dia para dia, não sei onde isto vai parar. Mas de uma coisa me lembro... da pobreza do salazarismo... desconfio que ainda vai ser pior.

one hundred trillion dollars disse...

dizem que amanhã arrefece

e quanto ao calor africano
pela parte que me toca
isto é uma brisa de 39º comparado com o calor do Sahel

quanto a Angola e essas coisas mais embaixo sei não

nunca lá fui

Mar disse...

Ola,
Hoje liguei para Sintra e enquanto falava com os meus filhos do calor abrasador que por la fazia, fui ouvindo como pano de fundo sonoro, a gritaria da pequenada que alheia a calor nenhum brincava desenfreada.
Se hoje eu estivesse no meu modesto terceiro andar tambem ultimo andar virado a sul, estaria como a Helena empastelada, com a desvantagem de nao ter terraco, por certo estaria alem de empastelada esturricada, e ao contrario de Si teria largado meia duzia de improperios.
Abracos fresquinhos aqui do norte.

Marcolino disse...

Estimada Helena,
Há já muitos anos, num dia de forte calor disse as minhas filhas que se poderia estrelar ovos ao sol. Riram-se curiosas. Pousei uma frgideira no murete do quintal, com o sol no zénite. Passados alguns minutos, abri um ovo, e coloquei-o dentro da frigideira ligeiramente untada com azeite.
Foi uma delicia ver, aqueles dois pares de olhitos, arregalados, com o que se estava a passsar à sua frente. Após esta operação altamente ecologica, deliciaram-se com ele. Foi uma festa, inesquecivel!
Pergunta sacramental da mais expedita: Oh pai onde aprendeste a fazer isto?! Respondi-lhes: No Huambo, com o vosso bisavô Zé, mas aí foi em cima da tampa do motor de um velho Ford. O principio foi o mesmo, os apetrechos, bem diferentes...!
Mas sabe, abriu-me o apetite, pois vou passar pelo talho, comprar um belo pedaço de lombo, 200 gramas segundo as normas dietéticas, temperá-lo apenas com sal, e cozinhá-lo numa pedra, que uso para fazer este petisco, cá em casa, o Naco na Pedra!
Boa semana!
Marcolino

DL disse...

Últimos andares virados a norte são piores no Inverno; a sul, no Verão. Felizmente, houve arrefecimento nocturno.

Blondewithaphd disse...

Hum... adormecer al fresco... Bem bom!

Tété disse...

Olá Helena,
Eu sou uma sofredora com o calor. Adoro o frio porque sempre se pode engrossar a embalagem para proteger o produto, agora o calor, nem despidas se consegue.
Pense bem porque pode sempre fixar o ar condicionado em 23º(temperatura amena) e deixar arrefecer o quarto ou a sala e quando for descansar desliga.
É o que faço porque no ano passado, com uma casa virada ao rio e a levar com o sol todo o dia, tive de me render a esse inconveniente para conseguir dormir sem o desconforto do suor que não nos deixa descansar.
Abraços

Helena Sacadura Cabral disse...

Minha querida Mar
De faacto, quando os meus filhos eram pequenos e o dinheiro era escasso-só eu trabalhava porque o pai deles preparava o doutoramento - lembro-me bem de ir de combóio para Carcavelos sob um calor imenso, um pela mão e o outro à ilharga e pensar:"será que alguma vez terei dinheiro para alugar casa na praia?". Demorei muito a ter a dita casa porque me divorciei e depois o dinheiro continuava a não chegar. Quando a tive, alugada, os filhos já tinham os seus próprios programas...

Cara Loira
O terraço -um verdadeiro luxo - custa-me os olhos da cara para o manter agradável, não tendo, como é o meu caso, empregada doméstica.
E sempre que lá adormeço, agradeço poder gozar dele. Mas vai ser por pouco tempo, porque quero vender esta casa e alugar outra. Ser proprietária nunca me agradou e eu pretendo arrendar uma mais pequena e longe do bulício. Adorava viver em Caxias onde o meu irmão e filho caçulas têm casa! ´

Pôr do Sol disse...

Cara Helena,
Que deliciosa sensação de liberdade essa que nos deixa ficar onde nos apetece, sem ouvirmos constantemente Que fazes aí? Vem para a cama, olha que arrefece.
Tendo uma varanda virada a Norte e uma cama brasileira pendurada, tentei fazer o mesmo, adormecer lá.
Não me deixaram.
Fui para a cama, depois de tomar um duche quase frio adormeci a pensar e se de facto me contipasse? São as duas faces da moeda Vêm aí uns dias mais frescos felizmente

Helena Sacadura Cabral disse...

Por do Sol
A liberdade maior é a de poder fazer até asneiras. Essa liberdade foi a que me custou mais a alcançar! Porque há sempre quem nos ame e queira evitar que cometamos erros.
Até que um dia, quando menos se espera, conseguimos. Ou porque deixámos de ter quem comandasse a nossa vida ou porque encontrámos essa alma - gémea ou não, tanto faz - que quer exactamente de nós essa não intervenção.
Se me constipar sou eu que sofro as consequências. E se o prazer que tive for superior à tal constipação quem decide sou eu. Euzinha!
Num caso como o seu aconselho algo do tipo "vai dormindo querido que daquia bocadinho já me junto a ti e muito mais fresquinha. Não ficas contente?". Ou "querido está-se aqui tão bem. Vem para aqui aproveitar o fresquinho. Vá vem daí que te vai saber muito bem. E a mim também". É tudo uma questão de geito. Ou então de substituição...
:)))

Anónimo disse...

Fada do Bosque,
Sempre atento aos seus comentários!
Como aprecio a sua acutilância! E objectividade.
P.Rufino

Mar disse...

Cara Helena
Como a vida ee engracada,as voltas e voltas.... sabe onde esta um lindo painel de azulejo de Sto Antonio sobre uma fonte com peixes?
Em Caxias, Rua Vasco da Gama.
A casa ja nao ee minha, resta a memoria dela, nao muito boa diga-se de passagem.
Boa escolha, Caxias ee sossegadinha.
Abraco

marianinha disse...

Deste fim-de-semana esteve demais ainda bem que a helena tem um bom terraço,para se refrescar já eu nem terraço nem ar condicionado.
Estou a ler o seu livro e estou adorar pois é lindo além de falar sobre as viagens que já fez e foram muitas quem me dera ter essa sorte ainda tem histórias lindissimas,parabéns pelo excelente livro que escreveu,e mais uma vez obrigada pela dedicatória e por me tê-lo oferecido.

Fada do bosque disse...

Caro Amigo Rufino,
Muito obrigada pela consideração. :)