sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Paz

O Nobel da Paz foi atribuído, este ano, a Barack Obama. Longe de mim falar da instituição que o confere ou da forma como as escolhas se processam.
Apenas quero dizer que fico contente com a opção feita. Trata-se de um homem que soube aproveitar todas as oportunidade que a vida lhe ofereceu. Quando, afinal e à partida, tudo apontaria para que fossem muito poucas.
Para mim, essa capacidade de transformação do mundo para melhor, é que foi premiada. Isso chega para que me regozije.
E, já agora, porque é, de facto um belo discurso cantado por Veloso, aconselho-vos a ouvir "Caetano, Obama e o Mulato" em:
Hoje vale, particularmente, a pena!
H.S.C

16 comentários:

Margarida disse...

Essa ‘transformação’ foi pessoal e não se enquadra com feitos ‘externos’, como supostamente são os dos seus antecessores. Independentemente da valia do cavalheiro, ainda tem tudo por provar. Como escreveu um dos meus amados gurus: "À cautela, convém que as proezas precedam a mitologia. "
Este é um Nobel muito pouco consensual…

Fada do bosque disse...

Querida Helena
Não quero ver as coisa do lado escuro, mas algo me impede de estar de um lado só, aquele que queremos ver...
Quanto a Obama, deixo aqui uma frase de um relações internacionais, na TSF:- pelos vistos no séc XXI já não se atribuem prémios a obra feita, mas sim a intenções, é típico dos novos tempos e da Nova Era...

Agora eu digo, cheio de boas intenções, está o inferno cheio! Acabou de recusar-se receber Dalai Lama, que mereceu o seu prémio Nobel e por sua vez o atribuiu a Gandi. Obama, em relação a Israel, que é o País que mais armamento nuclear possui, deixou passar em branco, reforçou o armamento no Afeganistão... ou é de mim ou o Mundo anda virado do avesso e as pessoas só vêem o que querem. Entretanto, lá partiu a AMI, para mais uma missão humanitária de peso e o Dr. Fernando Nobre, já é mais que merecedor desse prémio.
Realmente atribuir o prémio ao Presidente do País mais beligerante do Mundo, indica que a Ética se foi de uma vez por todas.
Ainda estão muitas surpresas para chegar!
Espero que isto não seja um mau sinal...

Helena Sacadura Cabral disse...

Queridas amigas, por isso eu não digo que o prémio foi ou não merecido. Apenas digo que o considero como um tributo à "capacidade" de transformação do mundo que Obama representa e que isso me alegra.
Não sou Obamamaníaca. Longe disso. Aprecio bem mais Hillary.
Mas também sei, ou julgo saber, o que está por detrás dos Nobel. Saramago incluído...

Anónimo disse...

“Fada do Bosque” (já agora, em qual bosque deambula, oh Fada?) faz aqui um pertinente (íssimo) comentário. Subscrevo-o. Todavia, entendo o que a autora do Blogue, HSC, igualmente diz. Se, com este gesto, o Prémio (Nobel da Paz) conseguirá colocar alguma pressão sobre Obama, nos diversos “dossiers” respeitantes aos processos de paz...em curso (já vi esta frase em tempos...) então, quem sabe, terá sido um bom “investimento” (para a dita Paz). A ver vamos, como dizia o cego. Obama, a título de exemplo, terá dito que até 2012 a questão “Israelo-Palestiniana” terá de estar resolvida...com um Estado designado de Palestina a ter assento nas N.U. Concordo e...Fico à espera...de ver.
P.Rufino

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Sem discutir o mérito do premiado,atevo-me a dizer que foi cedo demais. Trata-se de um sinal de esperança? sem dúvida, mas isso desvirtua o espírito do prémio. Na verdade Obama é uma esperança, mas ainda não fez nada para a confirmar.
Preferia que o Nobel da Paz tivesse sido concedido a uma pessoa ou entidade que muito têm trabalhado para diminuir o sorimento das vitimas da guerra.

Maggie disse...

Tenho 36 anos e acredito num mundo melhor. Para mim, Obama é a esperança nesse mundo melhor, até agora não me desiludiu. O Nobel, do meu ponto de vista, mais que um reconhecimento de obra feita é, muitas vezes, uma tomada de posição. Neste caso, para mim, é um investimento nesse mundo melhor em que acredito. Assim, também eu me regozijo.

Aproveito para dizer que descobri, com agrado, há dias o seu blog. Pretendo segui-lo porque gosto bastante do que escreve e da sua atitude perante a ida, além do sorriso/riso ímpar que a caracteriza cada vez que a vejo na televisão.

Obrigada por este espaço em que partilha connosco anónimos estas suas ideias e opiniões.

João Costa disse...

Cara Helena, não vai levar a mal, mas discordo de quase tudo o que escreveu neste post.

Além de discordar da permissa, de que um prémio desta natureza possa ser atribuído com base em expectativas, discordo da apreciação que faz do percurso de vida de Obama e dos obstáculos que terá tido a necessidade de vencer, para chegar onde chegou. É certo, que chegar à Casa Branca, está alcance de muito poucos, e no caso de Obama, a origem étnica constituiria à partida um handicap. Hoje, é discutível que a sua origem não tenha sido um trunfo, mas não vou por aí. Relembro-lhe apenas, que Obama é filho de um economista queniano e de uma antropóloga americana, longe portanto do "gheto". Estou ciência política na Universidade de Columbia e licenciou-de em direito em Harvard. Não consta na sua biografia, que tenha penado muito para ter tido acesso a estas duas universidades, já que proveio de uma família de classe média, com relativo desafogo económico. A ideia de que "tudo apontaria para a falta de oportunidades", parece-me neste caso, não se aplicar.

Quanto à canção do Caetano, perfeitamente de acordo. É belíssima :).

Anónimo disse...

Cara Helena, a mim honra-me a atribuição do Nobel da Literatura ao Saramago. Política? E nas Ciências, Física, etc? E quando se atribui a um qualquer judeu? Mas, no caso se Saramago, gostei, até porque não se trata de um acto piedoso. Ele é um dos excelentes escritores que aqui temos, como Lobo Antunes, que infelizmente tem ficado de fora.
P.Rufino

Mário José Monteiro de Macedo disse...

Nãovaleapenismo


Defini com um colega de trabalho um novo estilo de vida - o nãovaleapenismo - que consiste em reconhecer que boa parte das chatices, simplesmente "não valem a pena". Essa filosofia nova situa-se entre o budismo mais zen e o laxismo, sem cair no último.
Assim, pode dizer-se, por exemplo, que "o nãovaleapenismo de fulano confere-lhe maior bem estar e resiliência face às vicissitudes", ou "o nãovaleapenismo de sicrano não condiz com a sua filiação comunista, mas acaba por ser coerente", ou finalmente "os portugueses, cansados de tanta corrupção, adoptaram um nãovaleapenismo em relação à política".
Boa tarde,

Mário Macedo

Lura do Grilo disse...

Não se trata de um self made man. Não o era e não o é. Não se conhece o desempenho académico, feitos anteriores de relevo e nem sequer se lhe encontra a certidão de nascimento.

Trata-se tão só de uma construção, um instrumento para propagar o sonho de um governo mundial do multimilionário George Soros. Foi ele que o financiou em centenas de milhões de dólares assim como financiou AlGore. É Soros ainda que evita a insolvência de NYTimes.

Obama tinha boa postura e era negro - uma aspecto fundamental- e tornou-se por isto uma boa aposta: a propaganda e 10x mais dinheiro para campanha que McCain fez o resto. Os Clinton não eram tão submissos.

AlGore era um bom partido também pela causa agregadora, já em pré-falência, do aquecimento global.

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro João Costa
O que refere é uma parte da verdade. Porque se você olhar os avós de raça negra de Obama percebe que é bem diferente da avó branca.
Depois Obama deambulou por alguns países. Não nasceu, cresceu e estudou nos Estados Unidos.
Depois ainda, casou com uma advogada mas igualmente de raça negra - até bem mais escura que ele - e não foi um aluno estectacular. Foi um mulato que vingou na América de hoje. Não o teria conseguido 10 anos antes.
Não sei se o teria conseguido na Europa e vou ao limite de pensar que talvez não o alcançasse em Portugal...
Logo, apesar de vir de uma burguesia intelectual, a cor da sua pele e o percurso académico, talvez lhe reservassem outro destino.
Agora pergunto: acha que um hispânico pode chegar onde Barack chegou?

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro P. Rufino.
Tenho sobre Saramago dúvidas pessoais. A eliminação das dedicatórias de alguns livros a Isabel da Nobrega a quem tanto deve, as atitudes persecutórias que tomou no Diário de Notícias são prenúncios que me chocam.
Pilar del Rio, sim, conseguiu para Saramago o que ele, sozinho, talvez não conseguisse...
E é também em Espanha que se sente bem. Por algum motivo será!
Finalmente julgo que Agustina seria bem merecedora desse prémio. Ambos sem grandes estudos conseguiram ser muito bons. Um é de esquerda. A outra de direita. Um saíu. A outra ficou. Por algum motivo terá sido...
E vamos ter, agora, a oportunidade de ouvir Saramago fazer o discuso de elogio a Agustina...
Peso de consciência?!

Anónimo disse...

Cara Helena, tem toda a razão em avivar-me a memória. Aquela do DN foi muito mau. Ainda me recordo bem. Sim e ía-me esquecendo de Agustina. Mas que o homem, independentemente disso tem qualidade é um facto. Mas tem inteira razão no que aqui refere.
P.Rufino

Gaivota Maria disse...

Gostaria de lhe dizer que a Url da canção de Caetano que referiu está incompleta e por isso é mais difícil lá chegar. A correcta é

http://www.youtube.com/watch?v=Crs8R7enWQI

A canção veio mesmo a calhar. Aliás traduz o velho sentido de oportunidade do autor.
Uma arrivista ao seu blog

Anónimo disse...

Obama é indicado para o Nobel da Paz(guerra) 12 dias depois de ser eleito 44ºPresidente dos Estados Unidos da América acaba por ser distinguido com o Prémio Nobel a 9-10-2009.
Presidente do comité, Thorbjoern Jagland, diante de uma plateia composta por jornalistas de vários meios de comunicação social norueguesa disse "É difícil escolher um vencedor do Nobel da Paz que esteja mais em sintonia com a determinação de Alfred Nobel".
Agora compreende-se o porque de ganhar esta distinção pois estando em sintonia com a determinação de Alfred Nobel(inventor da Dinamite) o Presidente Obama esta lá para acender o rastilho da Paz...
MHA

Fada do bosque disse...

Caro P. Rufino
Os meus bosques, ficam pelos vistos, no reino da Patagónia e são negros! :))
E como diz, é ver para crer... que como refere e bem, o pior cego, é aquele que não quer ver...