quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Outros tempos

Tenho aqui dito que não sou passadista. Não sou, de facto. Tenho lembranças de outros tempos - boas e más - mas não me comprazo nelas. Quando calha vêm à baila, a propósito do presente ou do que ainda espero do futuro.
Mas o último post da Margarida no seu criativemo-nos.blogspot.com, fez-me sorrir com gosto. Trata-se de um vídeo com imagens de filmes de outros tempos, sobrepostas na melodia Bewitched cantada por Rod Stewart e Cher.
Algumas personagens já morreram. Outras estão muito mais velhas. Outras ainda retiraram-se.
Mas neste meu cantinho, neste meu cinema Paraíso, algumas daquelas imagens trouxeram-me tempos felizes de um cinema que ainda hoje me comove.
Não quereria voltar a essa época. Apenas sei que foi nela que formei o meu carácter para viver, com gosto, aquela que vivo agora!

H.S.C

4 comentários:

Anónimo disse...

Helena, compreendo seu ponto de vista. Mas sabe, já me tem sucedido por vezes, sentir uma profunda saudade de tempos idos, de coisas da minha juventude, de lugares, de relações antigas, de tanta coisa. Outro dia, numa viagem de comboio que fiz (gosto imenso de andar de comboio, de viagens grandes), ao olhar a paisagem através do vidro da minha carruagem, vieram-me, sei lá porquê, uma série de recordações de anos atrás, de coisas boas, outras que me deixaram saudades tristes. Foi um desfiar de coisas que me vieram à memória. E, de algum modo, fez-me bem. E noutra ocasião, a caminho da casa que temos na Beira-Alta, decidi parar no cemitério (que fica a uns 3 km da aldeia onde temos casa) para ir visitar a campa de meus avós. Por ali fiquei, naquele fim de tarde, embuído em pensamentos, a recordar com uma profunda e doce saudade os momentos felizes que ali, na aldeia mais adiante, passara com eles, cada Verão, cada Natal, recordando o carinho que me dispensaram, tantas e tantas vezes. E gostei daquele momento de solidão, de relembrar coisas, gentes, sei lá! Até da forma como me tratavam, por um diminutivo ternurento, sobretudo minha avó. E veio-me um aperto aqui bem dentro de mim, ao pensar em tudo aquilo, pode crer. Sim, também tenho as minhas lembranças. Umas que recordo com alegria, outras com tristeza. Se bem que a vida seja para se viver pensando no presente e no futuro, é bom recordar. Eu gosto do meu passado.
Cordialidade!
P.Rufino

Raúl Mesquita disse...

Philippe Noiret?

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro Raúl, Noiret sim e sempre!
Meu caro P. também eu gosto do meu passado e daqueles que dele já perdi, os meus avôs.
Mas pelo que sei, hoje, da vida, se lá voltasse faria tudo igual. Logo, também algumas lágrimas verteria...
Mas estou consigo. Gosto de andar de combóio e relembrar, de vez em quando, os que perdi. Com ternura, mas evitando a saudade!

Margarida disse...

Milady, cheguei à conclusão que não é feliz quem quer e sim quem pode.
E este ‘poder’ (também a mim me falta o itálico aqui, como ao ‘nosso’ – chuáck! – Pedro Lomba) é algo impresso nos genes. É, é!
Eu bem venho tentando: gosto imenso de rir, aprecio o humor inteligente, amo o sol e a sensação benfazeja da alegria, mas…
Mas há aquele nó, aquela paleta de cinzentos, a lua triste-triste, o perene som do fado a marulhar no peito; algo que me puxa constantemente para o passado. Para a sombra.
Sendo herdeira de dois ‘depressivos’, não tenho como escapar, pois não?...
Acho que nasci a suspirar e existem constantemente espinhos a sobreporem-se às pétalas.
Lutar, diz? Combater? Pois claro! Sempre! E olhar exemplos graciosos e fortemente inspiradores como o seu; mas à natureza não se foge.
Não foge, não…
:)