terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mais uma...

Depois da animação que causou o vídeo de Maitê Proença, eis que temos novo tema de agitação. O nosso Nobel da Literatura resolveu tecer uma quantas observações sobre matéria que julga conhecer bem, a saber, a Bíblia.
Como a vida está difícil, torna-se cada vez mais necessário provocar alguma coisa. Porque provocar vende sempre. Há três caminhos certeiros para o fazer: a política, a religião e o futebol.
Cada um tem a sua crença - mesmo que seja descrença - e o que Saramago quer é ser considerado um escritor maldito, como dizia a minha querida Rita Ferro. Eu acho que ele também quer vender livros e estas guerras na altura da saída de Caim, a sua última obra, fazem-lhe certamente muito jeito.
Tanto, quanto os saneamentos no Diário de Notícias, ou a eliminação das dedicatórias a Isabel da Nobrega- a quem tanto deve -, na reedição dos seus livros.
Já não há muita paciência para as impaciências de Saramago. Nós continuamos a viver aqui. Não em Lanzarote!
H.S.C

34 comentários:

Maria Isabel disse...

Não gosto da agressividade de Saramago e chocou-me a linguagem utilizada em relação à Bíblia,mas não creio que o nosso Nobel recorra à provocação para vender.Ele não precisa disso.

Blondewithaphd disse...

E nós que lhe damos tanta publicidade - assim, de graça.
(E que pena tenho termos um Nobel assim sem graça)

Daniel Monferrato disse...

Não sou fã do autor nem da sua obra.
Acho triste, aquilo que parece ser o oportunismo que algumas pessoas fazem de temas sensíveis.
Mais estranho acho ainda, se pensarmos qual será a necessidade que um laureado pelo Nobel da Literatura tem de se prestar a estes papéis.

Nota: penso que se esqueceu de um quarto vértice capaz de fazer vender quase tudo: o sexo!

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Daniel tem toda a razão, Escapou-me o sexo, salvo seja!
Cara Isabel se não é para vender, então, é puramente gratuito. Com que fim?

Maria Isabel disse...

Helena,

Porque ele é agressivo, é amargo, é ateu convicto e gosta de o ser e de o exibir.Nisso faz mal e eu censuro.
No entanto, o amor de Blimunda e Baltazar fez-me descobrir a faceta poética do escritor.O Memorial é uma história ímpar,uma epopeia da pedra que custou sangue suor e lágrimas, é a saga de um povo vítima de uma igreja atávica e de um rei megalómano e egoísta, com o umbigo colado ao rosto.
E que dizer do "Ensaio sobre a Cegueira"? Saramago conhece bem a alma humana e vasculha-a na sua interioridade mais profunda, trazendo-a implacável à superfície do pântamo que é o mundo.
Sinceramente, eu não creio que ele necessite de provocar para vender.As obras de Saramago são sucesso garantido.Demorei a gostar da escrita deste homem de ironia acutilante e avassaladora, há livros de que ainda não gosto, mas reconheço-lhe qualidades literárias extraordinárias.
Li há tempos "As pequenas memórias" e fico com pena que ele não tivesse explorado, como escritor, esse seu lado mais doce.
Tinha-lhe ficado bem, mas cada um é como é.
Gostei que tivesse falado dele.

Helena Sacadura Cabral disse...

Isabel
É isso que mais me incomoda. Ser capaz, literariamente, duma análise profunda da alma humana e, depois, na vivência quotidiana, ter sido protagonista de atitudes lamentáveis.
O que ele disse em relação à Bíblia, contém tanto ódio que quase parece amor...
Mas erradicar Isabel da Nóbrega das obras que lhe dedicou ou perseguir jornalistas que não pensavam como ele, dá uma lamentável ideia de carácter. E eu tenho dificuldade em distinguir o homem do autor.
Devo confessar, na minha humilde opinião, que ainda hoje tenho pena que não tenha sido Agustina a premiada.
Mas concordo consigo: ele é, de facto, um autor de excelência.

Maria Isabel disse...

Helena,

Quanto á Agustina estamos de acordo.Aquela mulher é um mundo e, por isso mesmo, é simples e grande.
E por isso sorri como "quem morde rosas". Como a Helena.
Ah, gostei dos outros blogs.É bom poetar e o Pedro Lopes é muito original.Parece que os dois cantam ao desafio.Muito engraçado, mesmo!
Parabéns,Helena, pela versatilidade e pela menina que mantém intacta, sobretudo no sorriso terno e no olhar agudo.

Fada do bosque disse...

É um ateu fundamentalista e amargo.
Não foi assim que bateu os records de vendas, com "O Evangelho Segundo Jesus Cristo"? Fez muito bem ir para Lanzarote, deu-lhe fama...
Já me faz lembrar um certo filme, que arrebatou na altura e não valia nenhum, aquele musical "Jesus Cristo Super Star". É uma coisa muito nefasta, tentar vender através do escândalo. Pegou moda, como diz o nosso irmão brasileiro...
Até Gandhi disse, que muito aprendeu com esses ensinamentos bíblicos...
Assim temos a visão do Pacificador bendito e a visão do provocador maldito.

Anónimo disse...

O nosso prémio nobel da literatura deves estar a tentar seleccionar futuros leitores, atentando valores morais de certos leitores. Se calhar deve estar incomodado com o facto de as suas obras estarem à disposição de tantas pessoas, sobretudo após ter ganho o dito prémio...Vá lá entender-se estes comentários, podia deixá-los para algum personagem de um dos seus livros, sempre seria menos controverso.

Clotilde S. disse...

Helena,

Acredito que qualquer figura pública, político, cantor, músico, poeta, escultor, escritor, whatever, tem o dever de respeitar quem o elege, quem o escuta,quem adquire as suas obras.

Embora Nobel,embora já com idade para que lhe desculpemos qualquer coisinha,Saramago é português e sabe perfeitamente que o seu país natal é maioritariamente católico e não o deveria esquecer.

Que ele é ímpar no seu míster,quer gostem quer não gostem, nínguém tem dúvidas e o prémio bem o confirmou. Dou-lhe os parabéns por isso mesmo. Já o facto de se colocar no pedestal, escudar-se com um Nobel e permitir-se ofender tão friamente quem compra os seus livros é demais.Lembra-me os ateus que fabricam figuras piedosas e santinhos para ganhar o pão de cada dia.

Estou a ser dura? Estou. Mas perdoo-lhe, não por falso beatismo, mas porque Cristo ensinou-me o Perdão, a Dádiva, a Gratidão e o Amor Incondicional.Se calhar nada disto vem na Bíblia...

Um abraço grande, Helena.

Clotilde

Anónimo disse...

Não há qualquer comparação entre as baboseiras de Maitê e o que disse Saramago, que não foram inverdades. Muito pelo contrário. Estes ataques a Saramago são patéticos, reaccionários (já não mencionava esta palavra há que tempos!) e eivados de preconceitos ridiculo-religiosos. Convém por outro lado não esquecer que a Igreja tem em cima dos seus ombros os crimes (indesculpáveis) seculares (tendo em conta a duração do período em que foram praticados) da Inquisição, onde pereceram de forma horrível, ignóbil, bárbara, aberrante e de enorme sadismo, centenas de milhares de pessoas. A mesma Igreja que teve uma posição dúbia durante a II Guerra Mundial, relativamente à perseguição aos judeus. A mesma Igreja cuja hierarquia, na altura, não se coibiu de apoiar o regime despótico de Salazar e que calou a voz mesmo de alguns dos seus representantes – que constituíam uma excepção à regra – que tiveram a coragem e ousadia de criticar esse autocrático regime (como foi o caso do Bispo do Porto, entre outros), a mesma Igreja que perseguiu Galileu, etc, etc. E muito mais se poderia dizer. Voltando a Saramago, não precisa de guerras com quem quer que seja para vender os seus livros. Tem, desde há muito, ao contrário de outros muitos por cá, nome feito e, sobretudo, consagrado. Foi o único Nobel português da Literatura. A guerra não é ele que a faz, mas um sector conservador da nossa sociedade, que a ele pouca ou nada o perturba. E faz ele muito bem. Não sendo um compulsivo leitor de Saramago, bem longe disso, por razões que nada têm a ver com o que escreve, mas como escreve, visto ainda não ter conseguido “digerir” o seu (e de Lobo Antunes) estilo, já li alguns livros dele. Não li o outro que provocou igual polémica, numa altura em que se vivia aquilo que hoje “alguém” designa de “asfixia qualquer coisa” e um ministro monárquico-ridículo, à época, decidiu “atirar-se” a essa obra. Mas este tenciono ler. A terminar, nem sequer acredito que Saramago se tenha dado ao incómodo de provocar quem quer que seja, Igreja, ou Religião. Limitou-se a proferir uma, ou outra opinião, a propósito do livro, opinião crítica e nada mais. Não julgo que a Religião (católica neste caso) o preocupe minimamente. E faz ele bem. Até porque, sendo Portugal um Estado laico, para quê envederar por semelhante querela? Agora estou inteiramente de acordo com uma das suas afirmações: isto de religião, ou religiões, acreditamos nelas, na maioria dos casos, porque assim nos fizeram crer nelas, desde crianças. Por mim, prefiro priveligiar a Lógica e a Ciência, em vez da Religião. E a Bíblia nem sequer pode ser tida como uma fonte histórica demasiado credível. Foi “composta” muito depois da morte de Josuha (Jesus), é contraditória em muitas das suas passagens (nem sempre as versões de Marcos, João, Mateus e Lucas) coincidem nos mesmos factos e serviu um propósito, o de perpectuar a lenda de Jesus como Filho de Deus. Entre outras coisas. E quanto ao Velho Testamento, é uma miríade de episódios sem qualquer veracidade e fundamentação histórica que não a crença religiosa neles mesmos. Respeito quem quer que se deia ao trabalho de Acreditar e ter Fé. Mas daí partir para ataques patéticos ao recente livro de Saramago, é outra coisa.
A terminar, Saramago não é, também ele, longe disso, nenhum santo. Nunca se redimiu, que eu saiba, por exemplo, daquilo que aqui refere HSC, no que respeitou ao DN dos idos de 1975.
P.Rufino

João Costa disse...

Saramago vende por si só? Sim, e daí? A Coca-cola e a Gillette, não são marcas com notoriedade suficiente e com capacidade para se venderem por si próprias? Pois, mas apesar disso, não deixam de investir quantias colossais em marketing e publicidade. Saramago faz o mesmo, com a vantagem de não ter de gastar na mesma proporção. Basta-lhe dizer umas insanidades.

Safira disse...

Nunca gostei da escrita de Saramago. Acho-o maçudo e repetitivo e não consegui ler o livro dele memorial do convento por esse motivo. Não tive paciência!

Teresa disse...

Eu nunca gostei do homem e muito menos da obra! Saramago NUNCA gostou do nosso povo, nem da nossa forma se ser. Prova disso é o local que escolheu para viver e conviver.
Quanto ao que diz, penso ser um acto de desespero para que as pessoas o continuem a lembrá-lo...coitado, já é muita idade!

Anónimo disse...

A Biblia é um livro estranho.
Muito sangue, muita violência e pouca bondade.
A morte dos primogénitos do Egipto é um bom exemplo de caridade e bondade.

Não acham estranho que o simbolo do Cristianismo seja uma cruz?
Para que serve a cruz? Para matar...

Pedro Vitória disse...

Eu pergunto é o porquê de Saramago nunca se meter com o Islão?Cobardia?

Manuela Araújo disse...

Caríssima Helena

Quanto ao José Saramago, estou de acordo com o que disse a Maria Isabel, embora também ache que a maneira como ele diz as coisas por vezes é bastante inconveniente. Não creio que seja para vender, mas para "abanar". E nisso, surtiu efeito. E também adoro a Agustina Bessa-Luís, que consegue dissecar a alma humana sem fazer juízos de valor, o que é uma verdadeira proeza.

Mas neste caso, o que me trouxe aqui foi uma lembrança que deixei no no Sustentabilidade é Acção, um selinho "Seu blog é VIP" para o FIO DE PRUMO, sem qualquer "imposição".
Com um abraço.

Anónimo disse...

Vejam o ridículo do defensor de saramago P Rufino:

"Respeito quem quer que se deia ao trabalho de Acreditar e ter Fé."

deia? o que é isso? Lisbonês????

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro P. Rufino
Alguns pecados que atribui à Igreja Católica existiram de facto e de alguns ela até já pediu desculpas publicas. Tardias, possivelmente. Mas, apesar de tudo, desculpas.
Saramago tem todo o direito de dizer o que quizer. De tudo e de todos. Com a mesma liberdade que assiste a qualquer de nós de fazer o mesmo e de gostar ou não do que ele diz. E de, também publicamente, o exprimir. Foi o que aqui aconteceu.
Quanto à sua obra, confesso preferir as primeiras. Gosto menos das últimas. E exprimo, sem rebuço, que me teria agradado muito mais que a escolha tivesse recaído sobre Agustina.
Mas também acrescento que não foi só, certamente, pela idiota exclusão da sua obra por parte de um Secretário de Estado, que Saramago foi para Lanzarote. Ninguém aqui é ingénuo.
Não fosse Pilar del Rio ter mexido o que mexeu e talvez o Nobel tivesse ido parar a outras mãos.
"Tudo está ligado" dizem alguns. Parece ser um facto!

Gaivota Maria disse...

Há muitos anos, logo a seguir à revolução, o Miguel de Sousa Cardoso numa crónica sua escreveu que gostaria de ter a idade do avô . Assim poderia dizer o que lhe apetecesse que as pessoas desculpá-lo-iam com um "coitadito" É da idade! Já não sabe o que diz!". Creio que é nesse estado que se encontra o Saramago. Já duvido que seja ele próprio a escrever os livros. É que não diz a letra com a careta... realmente para vender livros o homem é capaz das coisas mais irracionais.

Pedro Vitória disse...

Concordo em absoluto com o último comentário da HSC evou mais além, a visibilidade e exposição mundial dos artistas portugueses (pintores, escritores, escultores, etc) raramente acontece quando estes não saem de Portugal. Basta pensar no "crime" que Portugal cometeu perante o enorme pintor Luís Pinto-Coelho, só para dar um exemplo.
Quanto a José Saramago também saindo de Portugal teve maior exposição mundial ainda que não simpatize com o autor nem concorde com a atribuição do prémio Nobel a este. A meu ver, há dois ou três escritores portugueses a quem esse prémio caíria como uma luva o que não sucedeu ao ter sido atribuído a Saramago.

Fada do bosque disse...

Realmente se a Bíblia é um manual de maus costumes, porque é que Saramago não fala do Islão?! Será que deixaram de pôr em prática certas atrocidades, que os cristãos abandonaram há centenas de anos?! Lembrou-se agora? e esqueceu-se do Corão?... esses não lêem os livros dele, mas assim passariam a ler! Urge chamar a atenção para esses costumes considerados atrozes.
Dá a sensação que o Nobel, é entregue com contrapartidas futuras. Uma das finalidades dos Grandes é acabar com as religiões... vai nesse sentido, o Mundo, porque será?! É o tal bezerro de ouro?! estará a ética aqui em causa? Deixa muitas perguntas e convém estarmos atentos ao que se irá passar nos próximos anos... guerra a Religiões, moeda única, rebanho controlada? um poder único?
Obama terá ganho nesse sentido?

Anónimo disse...

Saramago é um individuo azedo ,não gosto da sua escrita .Está no seu direito de não acreditar em Deus mas nunca falar da forma como falou sobre a Biblia .O que fez a Isabel da Nobregra é revoltante

"Deus é sempre justo "

Carlota Joaquina

Rosinha disse...

Eu estou inteiramente de acordo com a Gaivota Maria. Eu sou nova, ainda, mas gostaria de chegar à idade do Sr. Saramago integra, feliz, calma e serena, de bem com a vida.

Este Senhor que tem nas costas tão importante prémio, devia ter sabido retirar-se antes de ficar senil, ou doido ou reçabiado.

Meus caros, afinal o que é liberdade? Essa liberdade tão proclamada por ele? É impingir os outros com o cisminha dele?!

À Dr Helena Parabéns pelo blog (e pela juventude!)

Anónimo disse...

Oh Anónimo, "deia" lá a sua cara, ou seja...o seu nome! E não se "amofine", sem antes ter lido o livro primeiro! Amén!
Cordialidade,
P.Rufino

Anónimo disse...

Ainda bem que o filho de deus morreu na cruz...
Se tivesse sido guilhotinado seria devers incomodo para os fieis...

Afinal que é a biblia? Para mim é um conjunto de historietas esquisitas. Algumas sanguinárias, outras nem por isso.
Não podemos olhar só para o que nos agrada mas para o todo. E o todo é muito mauzinho...

carolina disse...

O mote dado pela HSC relativamente às palavras de Saramago, despertou-me a curiosidade e fez-me ir buscar a "El Pais" a entrevista integral que o nosso Ilustre escritor deu àquele jornal. Confesso que me senti tão orgulhosa de ser portuguesa, com gente assim, uma entrevista ao nível do melhor que o mundo tem: um Pablo Neruda, Vargas Llosa, ou Gabriel Garcia Marques! pois, esses não são portugueses e por isso não teêm entre nós tantos e tão ferozes detractores.
Uma das provas do nosso pessimismo e baixa auto-estima como portugueses, é mesmo ler que foi pena o prémio não ter ido para a Agustina...aceitando todas as opiniões e gostos, eu sinto muito vaidade por saber que além do Saramago teriamos uma Agustina digna desse prémio e porque não outros... que bom! termos mais que um candidato sabemos que sim, orgulhemos-nos disso. José Saramago ganhou-o e mereceu-o! ele é magnifico.O Memorial do Convento, é maravilhoso, na forma e no conteúdo, enaltece a Língua Portuguesa é um hino,é musica, aquele livro só pode ser comparado em harmonia e perfeição a uma sinfonia musical, a forma e o conteúdo são extraordinários. As Pequenas Memórias são de uma ternura e de uma humanidade superior; e no humor, na acutileza da Viaqem do Elefante sentimos Saramago no seu melhor. A idade adoçou-lhe o olhar e o sentir.
Desculpem meus senhores, mas tenham vergonha de achincalhar quem tanto me faz gostar de ser portuguesa.

Relativamente a "Caim" e às polémicas agora levantadas:não acredito que seja marketing, porque as declarações estão contextualizadas, são consequência directa da publicação do livro. É um livro onde o autor explora um cena bilbica, não é um livro de jardinagem. É afrontada uma filosofia de vida pelo que é natural que despertem as opinioões sobre esse o assunto. Religião é íntrinsica ao Homem são naturais todas as perplexidades e reflexões, tantas quantos os Homens. Não creio no catolicismo explicito na maior parte das critica, não creio na bondade das pessoas que agora se erguem a defender uma igreja que na maior parte dos casos desconhecem. Aceitemos que a maior parte dos catolicos o é por facilistismo é fácil seguir dogmas cegamente sem se questionar, é fácil dizer é assim porque é assim. Ateu, é apenas uma palavra, parece-me que Jose Saramago, questionando-se constantemente sobre a existência de Deus manifesta na minha opinião uma maior religiosidade do que todos(e desculpem-me) os pseudo católicos e falsissimos Cristãos que o criticam sem nada saberem ou questionarem.

Helena Sacadura Cabral disse...

Como vê Carolina o espaço é de todos. Dos que gostam e dos que não gostam.
Ninguém nega a qualidade de Saramago. Por isso foi Nobel. Mas é essa mesma liberdade que me faz considerar a minha preferência por Agustina, autora que me enche de orgulho de ser Mulher e de ser portuguesa. Como já disse aqui noutro post, ela ajudou-me a ser quem hoje sou. E eu sou uma pessoa grata.
Quanto ao Saramago homem, a minha opinião é já diversa, porque fui testemunha de factos bem lamentáveis e que com certeza conhece. Mencionei-os aqui.
E, em nenhuma ocasião do meu texto, a Carolina leu qualquer consideração a respeito das minhas posições religiosas. Fé é matéria do privado e felizmente eu não uso em relação a qualquer credo - seja ele qual for - as palavras que a Carolina usou "pseudo" ou "falsíssimos". Por uma simples razão: não tenho qualquer autoridade moral para o fazer.
Saramago sente que a tem. Ainda bem. Está no seu direito. Tem é que aceitar que nem todos lho reconheçam.

Clara Margaça disse...

JS VS JC
Na minha humilde opinião, quer parecer-me que a cada palavra proferida JS vai ensaiando sobre a sua própria cegueira. Qualquer pessoa culta, ainda que não crente, sabe que a Biblia é uma grande literatura, porém, é preciso saber lê-la. JS faz questão de lembrar as Cruzadas e a Inquisição, mas não lembra as inúmeras pessoas mortas por Estaline.
Assumo o meu papel de cristã - católica e não me sinto ofendida com tais 'insultos', dizem uns. Contudo, a essência de um cristão (não confundir com fanático!) reside em saber perdoar, sentir compaixão daqueles que vivem o seu próprio fundamentalismo, isto é, julgam-se o ser supremo (absoluto). Pois bem: perdoemos o JS por teimar travar, constantemente, guerras com JC.

Fada do bosque disse...

Nada como uma resposta simples e sábia, Helena... A Helena, é que nos faz ter orgulho de sermos mulheres e portuguesas, obrigada. :)

Anónimo disse...

Doutora Helena
Dou-lhe os meus sinceros parabéns pelo seu blogue e pelos seus escritos que aprecio.
Das suas intervenções públicas formo a ideia de que a Drª Helena representa muito mais uma autoridade moral que não vejo,nem à lupa, no nobelizado Saramago.
Do que ouço e leio, o POVO português não se revê no que ele escreve nem na sua figura.
Há realmente uns tantos intelectuais que enchem a boca de Saramago mas é só para se auto-prestigiarem.
Pessoalmente não aprecio os escritos de Saramago, talvez seja defeito meu, mas eles não me cativam, não me ensinam, não me rasgam horizontes.
Também nunca vi Saramago lutar por um Portugal melhor como devia ser sua obrigação, a meu ver.
Assim ele que faça lá o seu negócio e nos deixe em paz com os nossos: Luís Vaz de Camões,Gil Vicente, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, Camilo, Ferreira de Casto, Abel Botelho, Raul Brandão, Vergílio Ferreira Torga, Aquilino, Junqueiro e muitos outros ILUSTRES que estão tristemente esquecidos.
Para esses vai o meu maior respeito e admiração.
Saudações.

Maria isabel disse...

Carolina,

Completamente de acordo.Saramago é de uma excelência tal, que suscitou o maior número de comentários do fio de prumo.

Anónimo disse...

Há que admirar nos homens a inteligência, a cultura, o trabalho, a técnica, o progresso, todas essas maravilhas do génio humano que define o mundo moderno. Cristo pode estar e está inserido nesse universo terreno. Mas há que admirar muito mais nos homens as suas virtudes de coração e elas traduzem-se no amor aos outros e o amor nos outros é a melhor forma de amar Cristo. Há, por ai, tantas inteligências e tão poucos, tão poucos corações!

Maria Matos

Fada do bosque disse...

Ainda e quanto a esta polémica, trancrevo para aqui as palavras de um homem que admiro pela sua perspicácia e inteligência e raciocínio abstracto, Frederico Duarte de Carvalho:


Os livros de Saramago nunca me arrebataram completamente, pois grande parte do meu imaginário está, felizmente, “contaminado” pela boa Banda Desenhada que sempre li. Assim, as parábolas de uma Península Ibérica que se separa do resto da Europa como um jangada de pedra ou aquela da população que fica cega de um dia para outro, são universos que, para mim, têm paralelo em BDs editadas muito antes de Saramago ter escrito os seus livros. Aliás, já aqui tinha falado disso. A mais recente “provocação” do escritor com a obra “Caim” teve em mim o mesmo efeito, pois todas as palavras que ouvi sobre o velho testamento já soavam a desfasadas, sobretudo aquelas onde Saramago diz que o Deus do Velho Testamento é um tipo com mau carácter. Agora, para confirmar esta ideia, anuncio a recente publicação da adaptação do Velho Testamento em Banda Desenhada feita pelo veteraníssimo, polémico e genial autor norte-americano Robert Crumb. E este trabalho, ao contrário do despudor com que foi anunciado o facto de Saramago ter demorado apenas 4 meses a escrever "Caim", custou a Crumb cinco anos da sua vida.

Dá que pensar... verdade seja dita!