domingo, 4 de outubro de 2009

Gravata, sim ou não?

Na leitura matinal que sempre faço dos blogues que tento seguir deparei-me hoje, num deles, com um texto curioso sobre gravatas e camisas. Estas mais ou menos abotoadas. O autor acaba a reclamar, e bem, o "direito a usar gravata quando lhe apetecer", sem que disso resulte qualquer leitura social ou ideológica. Achei imensa piada ao tema e resolvi retomá-lo com outro toque
Francisco Louçã foi o nosso único lider partidário a não levar gravata no seu encontro com o Presidente da República. Direito seu. Que provirá, de certo, do julgamento que terá feito dos malefícios do referido acessório, dos quais, aliás, me não lembro de ter ouvido, até hoje, qualquer explicação. De certo julgou que não tinha que a dar. Não serei eu, portanto, a pedir-lha.
Todos os outros líderes partidários a usaram na ocasião, pese embora, o facto de já os ter visto desengravatados em outras alturas menos formais.
Confesso que gosto de gravatas. Tanto, pelo menos, como gosto de as escolher para as oferecer a quem amo. Mas é um facto, que certas classes sociais as tomaram como símbolo a abater. Um pouco como se fez, no passado, com os brazões. Uma forma de caça, não às bruxas, mas aos símbolos.
Quanto às camisas, Louçã desabotoa apenas um botão. Outros desabotoam dois. Prefiro estes. Mas compreendo que Louçã se mantenha apenas com um - e já é muito -, porque certos colos só ganham em manter-se fechados.
Contudo, confesso, não acho muito elegante ir ao PR desta forma. Não somos inteiramente livres de fazer o que queremos, em todas as circunstâncias. Será que também se poderá ir, no verão, ao PR ou ao PM em calções? Pelo mesmo critério - o incómodo - daqui a pouco isso vai acontecer. Ora, ele há pernas que eu dispenso ver. Nomeadamente as do mentor do BE.
E também há formas menos penosas de cada um assumir e impôr aos outros a sua modernidade ideológica. Ufa!

H.S.C

13 comentários:

João Costa disse...

Cara Helena, permita-me uma achega. No Francisco Louçã, nada é natural, e tudo é estudado. Desde as palavras, num tom sempre muito asse(r)rtivo, ao sorriso amarelado, passando pela indumentária, tudo naquele homem soa plastificado. Daí, ser ainda mais ridícula, a patetice na escolha da indumentária nas visitas ao P.R.. Para Louçã, há símbolos que vão sempre permanecer ligados ao poder capitalista. A gravata, é apenas um deles.

Anónimo disse...

Você ainda se lembra do cabo-de-mar a fiscalizar os fatos de banho?Não a julgava defensora.Apesar do botão desabotoado o berloque não chegará aos calções.

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Anónimo lembro-me bem. E em nenhum lado digo que de tal sou defensora. Nem deixei de usar biquini quando o corpinho o permitiu. Nem, também, de usar um fato mais cuidado, quando represento o país em reuniões de trabalho. Porque não sou eu que estou em causa. É quem eu represento.
Louçã não se representa a si próprio. Representa todos os portugueses que nele votaram. E, quando vai ao PR não é, com certeza, para defender o que "ele pensa", mas sim o que o seu partido pensa.
Pela mesma razão algumas das mulheres do BE deveriam, então, andar de cara lavada e não com pinturas e toillettes que, ao realçarem a sua beleza, fazem lembrar outros tempos!
Ou não?!

Fada do bosque disse...

A sorte dele, é que nunca na vida, vai ter que fazer uma visita oficial à raínha de Inglaterra, senão, bem que ficava à porta! :))
Ás vezes penso, para que existem certos protocolos e acabo por chegar sempre à mesma conclusão... a quem não sabe estar, em certas ocasiões, tem de ser imposto!
E pelos critérios que mencionou, realmente, e pelo que se vê no dia a dia, de barrigudos a deambular nas passeios ou berma em calção, havaianas, sem t-shirt com as banhas de fora, a barriga proeminente, o sebo a escorrer, a roçar o mais ordinário... Chego a invejar a juventude de meus pais, ou avós, em que os homens se vestiam na generalidade, como cavalheiros e não nos obrigavam a apanhar de chofre, com tamanha falta de gosto, de ter que ver tão tristes figuras.
Que se quebrem, certos protocolos... não concordo, menos ainda, com o pouco sentido de estética generalizado.
Que me desculpem também, as matronas barrigudas, com jeans de cintura descida e top!... :))
Questão de gosto, que pelos vistos não se discute, mas há limites de decência.

Anónimo disse...

tem a certeza que os eleitores louçânicos se revêem na gravata?Eu cá julgo que não.Sabia não se rever nos fiscais da farda,contudo as modas mudaram tanto...,Louçã,mesmo de plástico,ou por isso mesmo,não usará calções em Belém.Quanto às mulheres,oh mulher!nem me fale,gosto delas,com ou sem pinturas,à esquerda ou à direita,pingàmor...

Anónimo disse...

Estou algo espantado com esta discussão. Há muito preconceito à mistura, convenhamos. É curioso como FL e o seu Bloco suscitam assim tanto reparo (à Direita...). Quanto ás gravatas, não me recordo de um qualquer representante do BE as usar. Nunca vi, ou estarei enganado? Pessoalmente, gosto de gravatas, tenho várias e gosto de as usar – naturalmente dependendo das ocasiões, mas tal não me impede de achar ou aceitar que outros pensem o contrário. Não é a gravata que faz o homem, mesmo em determinadas ocasiões. Há muito malandro, corrupto, vigarista, etc que usa igualmente gravata. Não me incomoda nada a ausência de gravata. São opções. Fazem-me mais confusão as tais calças caídas, ou rotas, por exemplo. E é tolice e preconceito achar que é “de esquerda” o não uso de gravata. Tenho uns amigos e dois familiares que, há anos, se recusam a usar “o pinduricalho”, como designam a dita e, todavia, todos eles têm em comum o facto de não serem de Esquerda. Quanto aos botões abertos, dois (ou três, ou quatro, etc) aceitam-se, somente, em ambientes muito mais informais. O uso da gravata ficou, em nós ocidentais, enraizado, como uma postura convencional, ou elegante, etc. Mas, não tem de ser assim para outros. Usa-a quem assim bem entende – ou a tal está obrigado. Ou gosta (e por vezes tem) de as usar (como sucede comigo).Tão só.
Francamente, não só não é mal que venha ao Mundo, como não me parece assunto de se ligar grande importância. Mas sendo Louçã o alvo da crítica...
P.Rufino
PS: quanto ás pernas, penso o mesmo, mas extensivo aos restantes lideres partidários. Ou será que as dos outros serão melhores? Não me quer parecer.

Helena Sacadura Cabral disse...

Oh!Meu caro anónimo, agora é que eu me parti a rir consigo e esse seu lado pingamor.
Mas acredito que mulheres com pelo na axila e um bigode que pica não sejam, mesmo sendo mulheres, muito do seu agrado. Não falo das bloquistas, claro. Porque quer a nova eurodeputada, quer a Joana Amaral Dias, podiam usar gravata num tailleur Armani e ficariam sempre lindas. Duvido é que "os bloquistas desgravatados" apreciassem o traje capitalista. Você sim, que apesar pinga amor, ainda deve distinguir as feias das bonitas. Ou não? Pelo a mais ou menos tanto faz?
Mas quem sou eu para fazer estas considerações sobre louçânicas criaturas, quando um dos meus infantes pertence ao grupo? Mas, no meu aniversário vêm todos de gravata. É traje obrigatório...

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro P. Rufino adoro a sua louçânica defesa da liberdade indumentária.
É que para usar o casual defendido pelo BE é preciso dinheiro e gosto. Se não apanhamos com uns manequins da Rua dos Fanqueiros, o que nem todos aguentam.
Antes ia-se a S. Carlos com smocking. Hoje ao meu lado tenho jeans rasgados e tenis de borracha.
Porque não, se daí não vier mal ao mundo, não é?
Amanhã um neto meu até pode andar de camisola de alças nas aulas. Que mal vem ao mundo?
Por essa lógica eu poria com esta idade mini saia. Também não vinha mal ao mundo. O espectáculo é que era triste!Para os meus, claro...
Quanto às pernitas está enganado. Há por aí umas bem jeitosas. Eu sou velhota mas não sou cega...

Anónimo disse...

De acordo!menos na gravata/oblige.
Mas se riu,viva a Vida!

Anónimo disse...

S. Carlos de smocking concordo inteiramente. E gravatas, pois gosto de as usar. Quanto ao Louçã, cara Helena, o que eu não suporto é a crítica tipo "cruzada", onde tudo o que ele diz, veste, faz, etc, é mau. Fosse num outro líder, por exemplo no CDS (ou PSD), tudo era tolerável. É a falta de imparciabilidade que me mete dó. Que também se nota quando se critica o próprio PS. É que mesmo os Partidos com quem não concordamos têm as suas qualidades. Julgo, a terminar, que o facto de FL ser um tipo muito bem articulado e inteligente, o faz ser detestável. A Direita sempre preferiu tipos de Esquerda fracos, para sentir pena deles. Quando sucede o contrário..."malha-se" neles.
P.Rufino

Helena Sacadura Cabral disse...

Oh! meu querido amigo, está a ser injusto. Haverá alguém em quem se bata mais do que no meu filho Paulo? E, no passado, em Sá Carneiro cuja vida foi miseravemente devassada e a quem chamaram ladrão, com uma nota falsa a correr com a sua efígie? Ouviu o que se disse de Manuela, da sua fealdade, do retrato vivo que era de Salazar?
Alguém chama padre ao Louçã? Alguém o insulta? Pelo contrário, ele e o BE sempre beneficiaram da boa vontade da comunicação social.
Quanto ao PS já esqueceu a sua vontade de malhar na direita?
Meu caro P. pode-se gostar de Louçã. O meu filho mais velho gosta e eu espero que ele nunca tenha uma desilusão.
Eu não gosto. Porque não aprecio pessoas que se colocam num pedestal e são detentoras da verdade e da moral universais. Aliás, bastariam os dislates que esse senhor, juntamente com revolucionários como Candal, dizem da minha família, para eu os querer bem longe de mim...
Mas ainda bem que vão crescendo. Ao PRD aconteceu o mesmo...

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro João Costa e o que é mais notável é que uma boa parte dos militantes do BE vêm duma burguesia média/alta. Muito curioso...

conceição disse...

fiz um post.
http://blogconceicao.blogspot.com/2009/10/gravata-no-butao.html