quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Amar e casar...


A diversidade do ser humano é tão grande que "acertar" seja no que for - lado sentimental ou profissional - é como a lotaria. Na maior parte das vezes, nem sequer a terminação se tem. Acertar no amor, então, é muito mais do que isso. É quase um milagre.
Mas a que de deve este filosófico intróito? Vou explicar-me.
Há meses fui ao casamento de dois jovens que vi crescer. Acabo de saber que caminham para o divórcio. Sem qualquer outra hipótese. Não é, infelizmente, o primeiro caso a que assisto, pese embora existirem, agora, bastantes mais oportunidades de conhecimento mútuo, comparativamente com aquelas que tiveram, por exemplo, os jovens da minha geração.
Só que existem aspectos que se esquecem no furor da paixão. E eles estavam, na verdade, apaixonados!
Conjugalizar uma relação impõe juntar duas histórias de vida com passados, que por norma são diferentes e, por isso, podem provocar choques no sentir e no agir.
Depois, existem duas famílias que não se conhecendo de lado algum - na maioria dos casos -, vão passar a ficar ligadas por laços que não foram sua escolha.
E, finalmente, nada garante que havendo filhos, eles constituam uma consolidação do casal. Algumas vezes são, até, uma causa de afastamento dos pais.
Pois bem quando, em separado, perguntei a cada um o motivo da decisão, fiquei surpreendida. Ela disse-me que o marido era o seu maior competidor, tornando a vivência insuportável. Ele respondeu-me que não queria ser casado com uma mulher que punha a carreira acima de tudo.
Pergunto: em dois anos de convívio quase diário nenhum deles se apercebeu disso? Como se vê parece que não...
HSC

8 comentários:

Disse disse...

Resta só saber se dois anos de convivência serviram para verdadeiro conhecimento mútuo (parece que não) ou apenas para cada um tentar desenhar o seu "graffiti" na fachada do outro, esperando que fizesse parte da estrutura (parece que sim).

TERESA SANTOS disse...

E a carreira sempre à frente, e a vida afectiva em segundo plano! Até quando?!

Abraço.

Fada do bosque disse...

Valores invertidos... a desgraça do futuro. Infelizmente, parece que não há volta a dar... só se for fracturante, como esses casamentos.

(c) maioria silenciosa: P.A.S. disse...

A senhora de Fio de Prumo não é da minha geração. Mas também não precisa de ser. É que fio de prumo rima com rectidão e elevação. E mais que políticas disto ou daquilo aquilo que todos precisamos para fazer disto um civita com condições é do senso e sabedoria que o fio de prumo MANTÉM COM APRUMO!

ATTO VENº E OBGDO disse...

Essas foram, eventualmente, as razões diplomáticas.

Eventualmente, são 2 egoístas, que não suportam a partilha.
Numa sociedade, quase-de-filhos únicos é assim, ou não será ?

achau disse...

É muito estranho, é. Ainda esta semana toquei este mote com o meu namorado... Antigamente, as pessoas não se conheciam, muito menos na intimidade.Saíam de casa para casar ou casavam-se para sair de casa. Estreavam-se na vida em comum.
Porque é que q a experiência, a convivência não lhes vale de nada ? Ou será que, aqui, o casamento mais não foi que a última tentativa de salvação duma relação já com maleitas (mas que, por razões que desconheço, era útil, conveniente, ou social e formalmente modelar ? )

bjs
ana

Kruzes Kanhoto disse...

Não vale a pena filosofar muito nestas coisas. As pessoas não têm paciência para se aturar e pronto! Infelizmente.

Luz disse...

Querida Helena,
Hoje em dia divórcios destes é quase o prato do dia, caso contrário temos casamentos que apenas sobrevivem por puro comodismo, entre outros factores, vivendo infelizes cada um para seu lado ainda que debaixo do mesmo teto. Tenho amigas/os que vão vivendo assim, mas eu pergunto-me até quando?
Especificamente a este post, é a inversão de valores que se vive como já o dizia Sheller. Hoje é muito triste verificar que as pessoas não têm paciência nenhuma para uma vida a dois que se quer saudável e, não estão dispostas a ceder e, o pior de tudo a aceitarem-se mutuamente. E, eis que surge a pergunta, mas não tiveram tempo para se conhecer, logo hoje em que começam a ter liberdade bem cedo? Pois, como sempre me disse a minha mãe e também a ela lhe diziam, o casamento é uma carta fechada que se abre todos os dias ou, estamos preparados para a abrir e, saber decifrar cada letrinha, caso contrário nada feito!
Infelizmente, estes casos cada vez surprendem-me menos..., porque do que vamos ouvindo aqui e acoli de ambos os sexos, eu não sei se hoje as pessoas se gostam verdadeiramente, porque vejo, estas competições, o não saberem quais as prioridades ou, melhor o não saberem manter um equlíbrio.
Enfim, sinais dos tempos que se vivem, infelizmente.

Beijo com amizade
ElsaTL