domingo, 30 de dezembro de 2012

Uma nova Anna Karenina

Li o livro. Vi o filme protagonizado por Greta Garbo. E por uma qualquer razão não me apetecia ver esta versão. Por duas vezes estive nessa iminência e de ambas consegui fugir. À terceira, hoje, foi de vez. E vim maravilhada. É um filme belíssimo e a história, apesar de ser sempre a mesma, acaba contada, vivida, de formas diferentes.
Há, nesta versão, uma sensualidade que atravessa toda a película e que atinge momentos de rara beleza nas cenas do baile - lindíssimas - e nas imagens de corpo a corpo entre os protagonistas, que são de um enorme erotismo.
A luz e também a cor, emprestam ao filme um dramatismo que a primeira versão - também ela magnífica - não podia ter. Keira Knightley, a Anna de agora, consegue, a meu ver sem prejuízo, ser uma Garbo do século XXI. Jude Law, que não aprecio particularmente, tem aqui, no papel de marido enganado, um desempenho que reputo sem falhas.
O amante, Aaron Taylor-Jonhnson, talvez seja demasiado imberbe. Mas consegue, nas cenas de amor, na fusão dos corpos, fazer esquecer isso, tal a impressiva convicção com que as desempenha...
Um filme a não perder e de que o vídeo acima é um pequeno aperitivo!

HSC

10 comentários:

Isto e aquilo disse...

Gosto de ler esta sua opinião, Helena, pois na verdade ainda não fui ver o film,e porque todas as pessoas que até agora me falaram dele diziam o contrário: que o filme transmitia pouca emoção. Fico assim com mais vontade de ir... :)

Beijinho
Isabel Mouzinho

Anónimo disse...

obrigada pela descrição viva do filme, que cria a quase necessidade de o ver...
um abraço,
lb/zia

Anónimo disse...

Cara Helena,

Também li o livro e vi uma mini-série há muitos anos na RTP (produzida pela BBC).

Já vi o filme e ADOREI por todas as razões que refere, apenas acrescento que o guarda-roupa é soberbo. A Keira Knightley está fantástica, o Jude Law também e fiquei surpreendida pelo desempenho do Aaron Taylor-Jonhnson (estava um pouco céptica).

Isabel BP

P.S. Segue-se Os Miseráveis com um elenco notável.

Anónimo disse...

Ouvi vários elogios mas também algumas criticas sobre este filme! No sentido de que se somente se baseia num ou dois cenários, verdade?
M.a

Anónimo disse...

As cenas do filme de Joe Wright desenrolam-se nos interiores de teatros- nos seus bastidores, palcos, salas e públicos. São teatros de ópera, música e ballet, e pequenos teatrinhos de salão. É provável que as cenas decorram no Teatro Mariinsky de São Petersburgo, o célebre teatro inaugurado no séc.XVIII.

As personagens (assim como nós, o público) passam do palco para a sala de teatro, desta para os bastidores, destes para os aposentos e salões, e para os exteriores.

A corrida de cavalos é a mais inesperada e 'arriscada' cena, em cima de um palco, e origina a espetacular queda do palco, de Vronsky, o jovem 'beau' (o 'lindinho') amante de Anna Karenina, e do seu cavalo. Seguida do grito comprometedor porque desajustadamente revelador, de Anna.

No exterior, o comboio, máquina já arqueológica aos nossos olhos do séc.XXI, roda na sua pesadíssima e brutal engrenagem, tal como o preconceito e a burocracia trituram nos 'leves' salões.

Nos exteriores ao ar livre, os campos, contrastam com as cenas nos teatros, e no final, o campo acaba mesmo por invadir o palco e a sala de teatro.
Tolstoi, não deixou tudo, na 2ª metade do séc. XIX, para viver como um camponês?

Tudo isto isto para dizer que Anna Karenina de J.Wright, é um filme espetacular que vale a pena ver, mas não é um grande filme.

Muitas das suas concepções foram bebidas em jovens cineastas polémicos, com obras difíceis de ver, mas Wright tornou-as mais suportáveis e, de certo modo, 'embelezou-as' e aligeirou-as.

Anónimo disse...

Keira Knightley como Anna Karenina não tem a luminosidade das divas Greta Garbo e Vivien Leigh que interpretaram o papel da aristocrata russa, respectivamente em 1935 e em 1948.
A beleza hierática e distante das divas permanece quase inalterável perante a alegria e a dor.
Talvez por isso sinto a Anna de Keira K. mais próxima e mais humana, com os seus dentes ligeiramente irregulares, as contradições entre a vulnerabilidade e a força que sem exagero passam como sombras no seu belo rosto.
A felicidade, a força da coragem de seguir a verdade dos seus sentimentos, a fragilização pela perda da aceitação social ao 'quebrar as regras', como diz uma personagem, a revolta, a culpabilidade.
Se não tivesse quebrado as regras, revelando a todos os seus sentimentos de forma inconveniente (como várias vezes o marido repete) tudo estaria bem.
Um romance 'secreto', do conhecimento de todos mas que todos fingiriam ignorar, salvaguardadas as aparências.
Sabemos que toda a paixão tem um prazo. Dizem hoje os psicólogos que não dura mais de 7 meses.
Pelo carácter genuíno e autêntico da própria paixão, que não aceita compromissos nem convenções, Anna Karenina pressente o fim dessa mesma plenitude, pela qual tudo ganhou e tudo perdeu.

Anónimo disse...

'Todas as famílias felizes são iguais. Mas as famílias infelizes são-no cada uma à sua maneira' começa assim o romance de Tolstoi de 800 e tal pág.s.
O filme desfoca a personagem de LIEVIN, concentrando-se mais em Ana, Alexei Karenin, o marido e Vronski, o amante.
Contudo Lievin, uma espécie de alter-ego de Tolstoi, é uma personagem da maior importância, através da qual o escritor problematiza a situação agrária do seu país, os movimentos sociais, o casamento, a morte, a própria existência.
O filme mostra-nos um Karenin mais humano e sensível do que no livro. Neste, Alexei Karenin é um 'autómato ministerial' como a ele se refere Ana, que só se apercebe de que esta 'existe' quando por ela é traído.
Mesmo colocando o realizador, as cenas, num teatro semelhante ao Teatro de S.Carlos, querendo enfatizar com isso um casamento e uma vida social mais 'teatrais' e de aparências do que autênticas e felizes, não se sente no filme essa sensação de estar acorrentada a uma vida insatisfatória que sobre Ana, o livro transmite.
MªJoão

Faty Laouini disse...

Adoro filmes de época, Keira Knigthley é fantástica nesses filmes (tenho um post dedicado a ela, La Belle et L´ Époque) e espero ver. Viva o bom cinema, a vida é tão mais rica com ele.

Anónimo disse...

Já o filme 'os Miseráveis' é, segundo a crítica da Sábado com a qual estou de acordo, um 'choradinho'... 'miserável'.
'Se querem convencer alguém a detestar musicais, mostrem-lhes 'Os Miseráveis'. Começa assim a referida crítica.

Anónimo disse...

Segundo os especialistas em enamoramento, paixão, amor, o ser humano não sobreviveria em permanente estado de paixão, porque esta provoca uma espécie de overdose de hormonas. Estas alterações hormonais originadas pela paixão duram entre 6 meses e 3anos. Depois disso vem o amor, ou não. Os relacionamentos passam por várias fases que temos de saber acompanhar. É portanto fonte de decepção querer que um relacionamento se mantenha sempre em estado de paixão, sempre igual desde o início.
Ana Karenina deixou-se arrebatar pela paixão e as convenções da sociedade czarista não lhe permitiram passar à fase do amor.