domingo, 16 de dezembro de 2012

O elo da vida

Por norma a casamentos, baptizados e enterros só vou aos meus. Nos dois primeiros já estive presente. Ao terceiro, que venha tarde, também estarei.
Todavia abri duas excepções ultimamente. Numa fui a madrinha e contei-vos aqui como foi gostosa a festa lá em Matosinhos.
A outra deu-se ontem e constituiu a única razão para, neste fim de semana, estar em Lisboa. Casou-se uma das minhas maiores amigas, a Alexandra Abreu Loureiro, que, por sua vez, é filha de um casal que muito estimo. 
Comigo acontece com frequência ter ligações de profundo afecto quer com os pais quer com os filhos. No caso vertente, o pai da noiva, cardiologista, trata do meu coração há mais de vinte e cinco anos e a minha amizade pela filha anda pelas duas décadas. Costumo dizer que não tendo tido filhas nem netas, as coisas bonitas que tenho irão para algumas amigas especiais, entre as quais ela se conta.
A cerimónia religiosa foi lindíssima e a que se lhe seguiu não podia ter decorrido melhor. 
Porque falo disto? Porque, uma vez mais, aquilo que ali senti foi um fortíssimo sentido de família, onde quatro gerações marcaram a sua presença: filhos, pais netos e bisnetos. Nunca consigo deixar de me maravilhar com este elo vital e de me comover com ele. 
Fiquei à direita do pai da noiva e esse gesto foi, muito para além do social, a tradução pública da estima que nos une. Estavam lá convidados que pelas regras da pura etiqueta o mereceriam bem mais do que eu. O facto de ter sido eu a eleita tem a ver com esta dupla amizade que me une aos pais e à filha.
Quando cheguei a casa lembrei-me do que foi a festa do casamento do Miguel, dada por mim e na qual, apesar do divórcio dos pais, o sentimento de unidade familiar fez da ocasião um verdadeiro hino de alegria.
É assim que o tempo passa por nós e pelas pessoas de quem gostamos. Sem qualquer nostalgia, senti que, de algum modo, a alegria da Alexandra era, também, um pouco a minha!

HSC

7 comentários:

Anónimo disse...

e assim se vai cumprindo a sua missão nesta terra!
que maravilhosa descrição duma cerimónia com a qual não lido bem, por motivos (traumas...)pessoais.
muitos beijinhos linda senhora,
lb/zia

Hélia Cruz disse...

Cara Helena,
Sem dúvida, que os verdadeiros amigos e a Família são os pilares fundamentais da nossa existência.
Sempre com amizade.

Teresa Peralta disse...


Parabéns à Alexandra Abreu Loureiro e à sua convidada mais querida e estimada!! Saber compartilhar “hinos de alegria”, não é para todos!..

Sou da mesma opinião. A Família sempre foi, e será, o “elo mais forte”!.... Nesta coisa dos Afectos, as Memórias que prevalecem no nosso tempo, permitem-nos, sentir e viver da mesma forma, mesmo quando estamos a caminho de outro Tempo.... Essa é a razão, porque, aquilo que nos é querido, e, deixa de existir, nunca se vai embora... Parte primeiro, mas não desaparece...
Um Abraço enorme

Anónimo disse...

Ainda bem que consegue sentir-se alegre com a alegria alheia,muito bom sinal!
Velhos ressabiados tornam-se azedoa e chatissimos de aturar.

Carla Isabel disse...

A-M-I-Z-A-D-E!
É maravilhosa quando é mesmo amizade.

Beijinho

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Dra. Helena Sacadura Cabral: desta vez, passo-lhe "à frente". O pai da Alexandra trata-me da "máquina" há 34 anos (é verdade!). Muitos parabéns à Alexandra, uma amiga e uma excelente jornalista, que agora anda pelo MNE.

Francisco Seixas da Costa disse...

... e esqueci-me de felicitar, de caminho, a avó Isabel, uma grande senhora.