sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Os Amigos

Há dias numa entrevista pediram-me para falar dos meus amigos. Aqueles que, afinal, com a família, são o meu suporte. A dada altura sugeriram que os descrevesse. Respondi sem hesitação.
Tenho três categorias de amigos. Curiosamente bastante estanques. Os mais velhos, os mais novos e os especiais. Com os quais mantenho relacionamenos diferentes. Enfim, uma espécie de Tintin, que é lido dos sete aos setenta.
Tenho uma trupe, que acompanho muito, de gente entre os quarenta e os cinquenta. Constituímos um núcleo sólido que apelidamos de "A Grupa" e somos bastante boémios. Gostamos de nos deslocar em grupo, de jantar, de ir ao cinema, aos concertos, ao teatro, às exposições. Uma boa parte deles trabalha em televisão, jornalismo e teatro. Fazem-me muito bem, mimam-me imenso, e damos boas gargalhadas juntos. Algo parecido com o "um por todos e todos por um". São da criação dos meus filhos, que conhecem, e permitem-me entender melhor como funcionam as novas gerações.
Depois tenho um outro núcleo, escasso em número, constituído por gente mais velha do que eu, que me visita e a quem visito. Com a qual discuto assuntos sérios e de quem culturalmente me sinto próxima. E, nalguns casos, estão ideologicamente nos antípodas do que penso. O que é excelente, porque obriga a pensar e até a rever posições. Não tenho medo nenhum de mudar se for para me valorizar.
Finalmente vêm os especiais. Que marcaram e marcam a minha vida. São quem amei e quem amo. Conhecidos de pouquíssimas pessoas porque constituem o meu lado privado, que só desvendo por razões muito especiais.
Hoje, ao folhear imagens do lançamento do meu último livro, lembrei-me desta entrevista porque vi como lá estiveram tantos daqueles que aqui referi. E como foi reconfortante tê-los comigo naquele dia!

HSC

8 comentários:

Pedro disse...

amigos tesouros

Anónimo disse...

"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador
e tonalidade inquietante.
A mim não me interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero respostas, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Por isso só sendo louco.
Quero-os santos para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo.
Quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância metade velhice!
Crianças,para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos,nunca me esquecerei que "normalidade" é uma ilusão inútil e estéril." (não sei quem é o autor)

Os amigos são mesmo tesouros.

Isabel

Raúl Mesquita disse...

Helena:

A Amizade é o fenómeno mais estranho que conheço porque é o mais difícil de compreender de todos. Por isso isso mesmo é o Melhor!

Um Grande Abraço,

Raúl.

Benó disse...

E, certamente, também estiveram muitos amigos desconhecidos que estarão, certamente, noutra categoria.
É bom ter amigos.

Anónimo disse...

Amigos de hoje de ontem de sempre, são como fruta na fruteira, quando precisamos escolhemos e tomamos a vitamina que tanto precisamos.
Alice Alfazema

Helena Sacadura Cabral disse...

Isabel belo texto. E como eu a compreendo!:-))

Julia Macias-Valet disse...

Em 1973 ofereceram-me dois livrinhos (que ainda hoje guardo) com texto de Leif Kristiansson e ilustraçoes de Dick Stenberg, foram traduzidos por Sophia de Mello Breyner Andresen para a Editorial Presença (Colecçao Papoila)

Os titulos ? "UM AMIGO" e "SER FELIZ".
Nunca dois titulos foram tao bem um com o outro...

UM AMIGO de Leif Kristiansson

Ter um amigo é maravilhoso
Ser amigo, de alguém ainda é melhor
É como acordar e sentir o sol brilhar

Um amigo é alguém com quem se está bem
Mas um amigo é muito mais do que isso!
É alguém que pensa em ti quando não estás aqui.

Alguém que bate com os dedos na madeira
quando tu tens de fazer coisas difíceis.

Nunca se está realmente só quando se tem um amigo
Um amigo ouve o que tu dizes
e tenta compreender o que não sabes dizer.

Mas um amigo não está sempre de acordo contigo.
Um amigo contradiz-te e obriga-te a pensar honestamente.

Um amigo gosta de ti mesmo que faças asneiras

Um amigo ensina-te a gostar de coisas novas.
Não terias imaginado essas coisas se estivesses sozinho.

Amigo é uma palavra bonita.
É quase
A melhor palavra.

Um amigo é alguem
Que tem sempre tempo para ti quando apareces.

Toda a gente pode ter uma amigo.
Mas não vivas apressado,
Que nem vejas
Que há alguém que quer ser teu amigo!

Um amigo é alguém,
que é para ti uma festa,
alguém que pensa em ti
e te ouve
e te ajuda a saber o que és.

Alguém que te ajuda a descobrir as coisas
alguém que está contigo e não tem pressas.

Alguém em que tu podes acreditar.
Quem é o teu amigo?

TERESA SANTOS disse...

Os amigos nos tempos que correm, são um bem cada vez mais escasso.
Estamos numa Sociedade super egoista, que vive em função de si própria, em que o conceito de Amizade parece estar esquecido.
Em que grupo colocará o grupo de "amigos" da blogosfera? Tiro aspas?
Se me permite, tenho um Miminho para o Fio de Prumo no meu é blog. É seu.