domingo, 13 de dezembro de 2009

Todos rapazes finos...

Já aqui disse que o Canal Parlamento, em minha casa, está vedado a crianças. Mas ainda não o estava a adultos incautos que por lá quizessem passar. Vou repensar a questão e creio bem que deixarei de o ter sintonizado, que é para estar segura de que nem em zapping alguém lá passa.
A sessão desta semana foi tão chocante, tão sem nível, que pergunto como é possível estarmos a pagar a senhoras e senhores que nos representam desta forma. Sobretudo a estes últimos - se é que o nome se lhes aplica - porque as damas continuam a ser poucas.
Eu sei que em alguns países chega a haver pancada. Mas com o mal dos outros posso eu bem. O que eu questiono é se não deveria haver limites para tanta falta de civismo por parte daqueles a quem temos que obedecer e que devem representar, na hierarquia nacional, um patamar de referência.
Enfim, um espectáculo, a todos os títulos, lamentável. E depois admiram-se que em Portugal os alunos ou os encarregados de educação batam nos professores. Com exemplos destes...

H.S.C

10 comentários:

Paulo Abreu e Lima disse...

Mas não é suposto serem uma amostra (representação) do país que somos...?

(Não sei se prefiro a pancadaria do Parlamento da Coreia do Sul com aquele PIB exponencialmente crescente...)

Gaivota Maria disse...

Comentários para quê? À medida que fecham as lotas a linguagem das peixeiras e dos pescadores transferiu-se para o Parlamento, ou melho para lamento.

Helena Sacadura Cabral disse...

Paulo,
Recuso ser representada por gente que faz gestos de caserna, ou usa linguagem que até envergonharia o Bolhão...
Aquilo que estes "senhores" são é uma amostra dos partidos a que pertencem.
Quanto a representarem os portugueses, com os níveis de abstenção que temos, alto aí!
Será a democracia possível. Mas então não nos admiremos de haver cada vez menos democratas...

Anónimo disse...

Boa noite Helena (não nos conhecemos mas permita-me a o tratamento familiar por aqui partilhar das suas mágoas e alegrias),

Faz muito tempo que não me sinto representado, minimamente que seja pela classe (qual) política portuguesa;
Faz muito tempo que não escolho em quem voto pela cor partidária; são todos iguais com pequenas (cada vez mais) diferenças;
Faz muito tempo que voto (quando o faço) no mal menor e não numa opção de excelência;

Mas tenho muita pena...

Honestamente, e referindo-me apenas ao episódio em questão, compreendo algumas reacções de alguns políticos e espero isso mesmo... que reajam, se for preciso com insultos, ou como entenderem.

Mas reajam! À mediocridade, à corrupção, à falta de honestidade no trabalho que lhes confiámos.
Prefiro qualquer reacção, ás inúmeras reuniões e visitas de trabalho com as famílias, em que nada fazem mas continuam todos sorridentes com declarações falsas perante a comunicação social...
Assim, sem reacções, este Portugal, avança lenta, mas seguramente para o abismo.
Um grande bem haja,

António Escarduça

Paulo Abreu e Lima disse...

Helena, não ligue: era um exercício de puro cinismo da minha parte (sobre o parlamento, claro).

carolina disse...

Parece-me que o que se passa no Parlamento espelha de facto ( não nos representa porque eu tb recuso aquela respresentação), um dos grandes handicaps da sociedade portuguesa que é a sobrevalorização da formação académica e dos previlégios de nascimento, quanto à primeira, confundimos muitas vezes falta de formação com falta de educação, é verdade que somos um povo inculto e, com pouca vontade de saber, mas os titulos académicos não nos dão nem uma coisa nem outra, existe um aristocracia de comportamento que não se adquire com titulos académicos nem com origem de nascimento, mas com o incutimento de valores éticos de respeito pelos outros e sobretudo por si mesmo. Aquela "gente" do parlamento tantas vezes comparada injustamente com peixeiras e taberneiros, ofendem-se primeiramente a si proprios, a quem os educou e ás familias que os formaram. Injusto compará-los com peixeiras e taberneiros porque estes nunca tiveram, na sua maioria, uma única oportunidade de serem melhores e, isto não é paternalismo é apenas atenção às realidades que nos rodeiam~, não gosto do nosso povo iletrado, que tanto dinheiro gasta em revistas de lixo e diz que não entende o que está escrito num qualquer documenmto oficial, não gosto de taberneiros que não sabem interpretrar uma carta das finanças mas sabem de cor o nome dos jogadores da selecção de futubol da Ucrânia, e, não desculpo a estupidez na falta de apoios do Estado seja ele quem seja, mas sei que somos um povo martirizado, subjugado pela falta de educação e escravizado pelos salários imorais que se paga a quem trabalha um mês inteiro...e não ganha para se sustentar com dignidade, por isso comparar a gente do parlamento com as gentes do nosso povo é dar demasiado crédito aos primeiros, porque justificar-lhes a falta de modos e de vergonha com a miséria com que foram educados e eu, falo por mim que gente com formação académica e civica como "são" os nossos representantes se escudem nesse argumento, é intolerável o snobismo com que olham para o povo com que os elegeu e revelem tanta falta de ética

kristina disse...

Pois tambem sou uma cidadã que sempre quis acreditar que o nosso parlamento faz as leis ,e que os Sr.Drº Juizes a fazem cumprir .Mas infelizmente isso não acontece e tenho essa prova que me desfaz o coração quando oiço da boca de um Juiz que não pode obrigar a fazer cumprir uma sentença que o próprio tribunal decretou e depois me vem falar que os tribunais estão sempre a salvaguardar o " superior interresse da criança"!!! Sim quando fazem as sentenças mas depois o superior interrresse da criança não é salvaguardado para as fazer cumprir ! Há um ano que não vejo o meu filho simplesmente porque caí no erro de acreditar que o meu filho podia estar melhor junto do pai por ser essa a sua vontade ! Nesse dia assinei a minha sentença por isso eles são todos uns palhoços os que fazem as leis e os que não as fazem cumprir!
Porque enquanto eles brincam a nossa vida para!

Raúl Mesquita disse...

Helena, sabe, li e reli este seu " post" antes de o comentar. Terá toda a razão formal no que diz, mas também compreendo que a política não é, nem NUNCA FOI, uma escola de boas-maneiras. Olhe, em Inglaterra, onde vivi, assisti na Televisão a debates acesos e com palavrões fortes e mesmo bofetadas físicas, com maior frequência na Câmara Alta (The House of Lords) do que na Câmara Baixa, a dos Comuns! Deixe-os lá! Se fizessem alguma coisa, seria melhor, mas como esta democracia (e digo-o com pesar) foi imposta a todo o Mundo Ocidental, espalhando os seus tentáculos, petit-à-petit, aos outros Mundos, para satisfação de uma minoria ávida de, de... ainda mais poder?, o que é que quer que se faça? E, Helena, creia que eu não sou um acomodado, até " incomodo" bastante, razão por que o meu último romance está a ter grandes dificuldades de aceitação pelas Editoras. Raúl.

Blondewithaphd disse...

"A quem temos de obedecer": isso ainda é o que me deixa mais fula! Como é que eu obedeço a quem não reconheço integridade moral (ok, nem vou falar de mérito intelectual)?

Anónimo disse...

"O Parlamento está recheado de gente catita", frase desses grande pensador, que foi o "Zé dos Anzóis" (nasceu não sei bem quando e morreu um dia, é o consta dele. Sempre atento ao mal estar da Nação).
P.Rufino