terça-feira, 13 de outubro de 2026

A SOMA DAS COISAS

É este o título do meu novo livro, que dentro de dias, estará nas livrarias. Fecha-se, com ele, um ciclo de quatro livros, que, há já uns longos meses hibernava dentro de mim, à espera da minha disponibilidade de dar a conhecer as alterações profundas que, entretanto, fui sofrendo.

Perante um novo livro, o autor sente sempre qualquer coisa, difícil de explicar por palavras. É uma mistura de alegria, emoção, orgulho e, talvez, também, um pouco de medo. Porque ele nunca é apenas um conjunto de páginas impressas. É tempo, pensamento, memória, inquietação e, muitas vezes, uma parte de nós, que decidimos deixar à vista dos outros.

Há qualquer coisa de profundamente íntimo quando seguramos, pela primeira vez, um livro que escrevemos. Reconhecemos as palavras, lembramos os dias em que nasceram, as dúvidas que nos acompanharam, os momentos em que pensámos desistir e aqueles em que uma frase, finalmente encontrada, nos devolveu o entusiasmo. E percebemos que, a partir daquele instante, o livro já não nos pertence inteiramente. Vai partir ao encontro de outros olhares, de outras sensibilidades, de outras vidas.

Escrevemos, muitas vezes, para compreender melhor o mundo, para organizar o que sentimos ou, simplesmente, para dar voz, àquilo que não conseguimos dizer de outra maneira. Mas, quando o livro chega às mãos dos leitores, ganha uma vida própria, que já não podemos controlar.

E há também uma espécie de fragilidade neste momento. Por mais livros que tenhamos publicado, cada novo livro traz consigo a vulnerabilidade de quem começa de novo.

Por isso, cada novo livro é, em simultâneo, uma despedida e um começo. Despedimo-nos de um tempo que foi nosso e abrimos a porta a um tempo que será dos outros. E, mesmo sabendo que nem todos irão gostar, que nem todos irão compreender, fica-nos a felicidade de termos escrito aquilo que sentíamos ser necessário escrever.

Porque um livro novo não é apenas mais um livro. É uma parte de nós que ganha mundo. E há sempre uma emoção muito particular em deixar que esse mundo nos leia, nos descubra e, quem sabe, nos guarde um pouco dentro de si.

4 comentários:

partilha de silêncios disse...

Obrigada por mais esta partilha, guardarei um pouco dentro de mim.
bjs

Anónimo disse...

💎

Catolico disse...

" Reconhecemos as palavras, lembramos os dias em que nasceram, as dúvidas que nos acompanharam, os momentos em que pensámos desistir e aqueles em que uma frase, finalmente encontrada, nos devolveu o entusiasmo. E percebemos que, a partir daquele instante, o livro já não nos pertence inteiramente. Vai partir ao encontro de outros olhares, de outras sensibilidades, de outras vidas." Gostei!

Anónimo disse...

🌻🌻