domingo, 25 de janeiro de 2026

PORQUE ESCREVO NAS REDES

Alguns amigos me têm feito esta pergunta, sabendo que não ganho nada com isto e que, até hoje, sempre recusei ser patrocinada por uma das boas marcas que me procuram. Ainda há bem pouco tempo, alguém me dizia que eu devia receber um balúrdio por escrever diariamente nas redes. Sorri e respondi que recebia muito mais que um balúrdio. Talvez por isso, que, para mim, foi quase ofensivo, resolvi dissertar sobre o assunto. Convosco.

Escrevo nas redes sociais apesar de elas serem tão criticadas. Talvez precisamente por isso. Escrevo porque escrever me dá prazer, porque a palavra é o lugar onde penso, respiro e me organizo por dentro. E porque, mesmo num espaço ruidoso e tantas vezes superficial, ainda acredito na força de um texto que toca, provoca ou simplesmente acompanha.

Não escrevo porque tenho certezas, nem porque tenho respostas. Escrevo porque não possuo outro trabalho senão este: o de tentar dizer. De partilhar o que penso e sinto, sem grande utilidade prática, mas com uma intenção simples — oferecer palavras a quem passa. Talvez isso seja uma forma modesta de voluntariado: não de grandes gestos, mas de presença. Uma tentativa de humanizar o fluxo, de criar pequenas pausas num lugar que corre depressa demais.

Se as redes falham, nós também falhamos. E talvez seja exatamente aí, que escrever ainda faça sentido.

 

8 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Vou eu responder - para nos dar prazer ao ler.
Também já me fizeram a mesma pergunta (quanto me pagavam).
Porque há sempre gente que não percebe o que é puro deleite.
Pobres...de espírito.
Tenha uma excelente semana

partilha de silêncios disse...

Obrigada pela sua escrita, é uma companhia na minha vida. bjs

Anónimo disse...

Drª Helena continue a escrever nas redes, lance sementes, nem tudo é mau. Eu, copio os seus textos e transcrevo para o papel, para me alimentar de palavras ricas de sabedoria, ensinamentos que ficam, escritos por uma pessoa inteligente e sensata. Eu leio-a todos os dias. Beijinho grande e que nasçam muitas Helenas por este país por que precisamos. Uma admiradora da Ilha da Madeira.

Anónimo disse...

🌻🌻

Daniel Marques disse...

Leio as suas palavras como quem encontra um banco de jardim num dia de pressa. Curiosamente, escrevo também num blogue que nasceu precisamente como um antídoto a essa velocidade — um pequeno caderno de sensações sobre as minhas derivas por Braga, aos comandos de uma modesta scooter.

Revejo-me na sua resistência. No mundo de hoje, onde o voto se tornou um acessório de moda e o ruído digital uma obrigação, escrever sem patrocínios e sem o peso das certezas é, de facto, um ato de liberdade. Tal como a Helena, acredito que a palavra é o lugar onde nos organizamos por dentro. Se o espaço público se fragiliza com o exibicionismo, ele só se cura com essa "presença" de que fala: a de quem oferece o pensamento sem esperar nada em troca, apenas para humanizar o caminho de quem passa.

Anónimo disse...

💎

Anónimo disse...

Meninha Leninha

Preenche quem bebe da sua escrita

Zé Fã

Anónimo disse...

🦋