Análise séria e acutilante, humorada ou entristecida, do Portugal dos nossos dias, da cidadania nacional e do modo como somos governados e conduzidos. Mas também, um local onde se faz o retrato do mundo em que vivemos e que muitos bem gostariam que fosse melhor!
sábado, 20 de fevereiro de 2021
Adeus Alberto Romano
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021
Alguém me ajuda?
sábado, 30 de janeiro de 2021
No meu caso
Eu sei que todos temos direito a pensar livremente, ou melhor acredito que assim será e continuará a ser.
Ontem foi votada uma lei na Assembleia da Republica que respeita ás condições em que uma pessoa pode pedir e alcançar pôr fim à sua vida. Votação feita numa altura em que todo o país se mobiliza para salvar vidas. Se fosse humorista, estava garantida matéria suficiente para uma série de rábulas. Como não tenho esse mister, para mim a questão põe-se a outro nível e o resultado alcançado enche-me de tristeza. Mas sei, também, que quem tivesse dinheiro acabava com a sua vida ou com a dum filho que trouxesse no ventre, indo ao estrangeiro fazê-lo. São factos. Num caso todos os contribuintes suportam a decisão de um. No outro, é o próprio que decide e suporta a sua decisão. Estamos aqui no plano economicista.
Mas existem outros ângulos pelos quais a questão pode ser vista. Uma é ética e dela depende o juramento de Hipocrates que todos os médicos fazem, de tudo tentarem para salvar a vida que deles depende. Não creio que esses médicos sejam, alguma vez, obrigados a fazer o contrario. É outro facto.
Nova visão possível é a que deriva de uma posição religiosa. Não tenho conhecimentos suficientes para saber se haverá alguma religião que aceite - já não falo em preconize - a livre escolha de morrer. Mas, para países onde uma parte importante da população se diz católica e para a qual o bem supremo é a vida, o dia de hoje é de uma enorme tristeza. Arrisco-me a pensar que essa tristeza é mais funda, por estarmos a viver um período em que os mortos diários não param de crescer, nem a luta titânica para os salvar.
Não quero tomar posições moralistas porque a minha é totalmente ditada pela religião que pratico, a qual não me coloca num plano diferente dos demais. Ninguém pede para morrer, se estiver em situação de normalidade. Pede para morrer, quem já não se encontra psicologicamente em condições de querer viver.
A lei, quando se aplicar, não obriga ninguém a segui-la. Pode apenas não ser praticada por aqueles que sigam critérios éticos semelhantes aos meus. E esses estarão hoje mais tristes. Se um dia eu for colocada perante tal provação, o que peço é que, não havendo nada a fazer, seja esse o critério a seguir. Nada fazer. Ou seja, não quero que me prolonguem desnecessariamente a vida. Desliguem as maquinas e deixem o meu corpo seguir o seu natural caminho para Deus.
HSC
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021
Um medo singular
Seja por que razão seja, recebo muitas cartas sobre casos pessoais. A sua reunião, sociologicamente tratada, permitiria fazer um retrato importante de algumas classes sociais neste país. Às vezes fico com o coração tão apertado que preciso parar a sua leitura.
Esta situação começou no Diário de Lisboa, jornal onde iniciei o meu caminho de cronista. Continuou, depois, nas varias publicações por onde passei, incluindo a televisão, e tem-se mantido apesar de neste momento apenas me dedicar ao estudo da Economia e à escrita de livros.
Os temas abordados são, por norma, pessoais. Mas de há, talvez, dois anos para cá, começaram a ser mais analíticos, tentando enquadrar os problemas sentidos, nas questões sociais do país. Sempre me tocou muito este tipo de confiança - felizmente nunca recebi nenhuma carta que me tratasse mal - porque era revelador que algumas das minhas mensagens chegavam mesmo às pessoas.
Porque é que falo disto? Porque, curiosamente, nos meses mais recentes, sinto nessas pessoas uma atroz ansiedade por poderem vir a ter o virus, mas acompanhada de uma espécie de temor relativo ao que lhes poder acontecer, a alguma coisa incontrolável e a que a sociedade - toda ela dedicada ao Covid - não consiga responder. A ideia com que fico é a de que as pessoas temem ter qualquer outra doença e não terem quem as trate. E dão-me exemplos de graves de sintomas que deviam ser tratados e que o não são porque essas pessoas se sentirem desamparadas e com medo dos hospitais e Centros de Saude.
É muito claro par mim, que fiz psicanálise, o que isto pode significar. O medo não identificado é muito compreensível nesta altura. E as autoridades ligadas à saude, irão defrontar-se não só com as doenças não tratadas que possam ter-se desenvolvido, mas também, com uma população que está a necessitar muito de apoio psicológico.
Nós não somos, creio, um país com elevada taxa de suicídios. Este sol, que faz a nossa alegria, deve contribuir para que isso aconteça. Mas, com confinamentos intermitentes, com juízos que nos colocam como os melhores e depois os piores da Europa, com responsáveis que têm opiniões díspares e com uma sociedade que saiu de umas eleições presidenciais e se prepara para umas autárquicas, o clima anímico varia da doença, à politica e ao futebol, tudo questões de natureza emotiva, que não ajudam nada do ponto de vista psicológico.
Ninguém sabe como e quando isto vai acabar. Ou se chega a acabar. Eu considero-me uma pessoa resiliente por educação e formação. Mas, não só o meu tempo será curto, como ao longo da minha existência, tentei preparar uma velhice que fosse a compensação do muito que trabalhei. Resultado, chego ao fim do caminho enclausurada em casa, a ver desaparecer os amigos e com um conceito de liberdade muito limitado. Diria que me sinto aprisionada.
Impõe-se que aguente e não ceda, Mas preciso de sentir que as medidas a que estou a dar estrito cumprimento, são as certas para o meu país e o bem estar de todos os portugueses. As dúvidas que nos assombram é que dão cabo de nós!
HSC
terça-feira, 26 de janeiro de 2021
Rosalina Machado
Soube tardiamente da morte de Francisco Machado, uma pessoa muito estimável e fiquei triste. Qual não foi a minha mágoa, quando tive conhecimento de que decorridas 24h, era a mulher, Rosalina, que partia.
Rosalina Machado pertencia ao grupo daquelas pessoas de quem dificilmente se não fica logo amigo. Conheci-a há largos anos, num período da minha vida em que trabalhei bastante em publicidade e num tempo em que as grandes mulheres dessa área não chegavam aos conselhos de administração. Rosalina foi, sempre, uma pessoa de trabalho, pese embora a imagem social de alta roda que parecia encarnar, dado o meio em que se movia e a impecabilidade de vestuário e arranjo pessoal, com que se apresentava.
Amiga do seu amigo, suave quando era preciso e mão forte quando se tratava de vida profissional. O Francisco, seu marido, estava sempre ao seu lado e foram raras as vezes em que não estive com os dois. Tenho uma imensa pena do filho e dos dois netos que, de um dia para o outro, vêem partir progenitores e avós.
Juntos na vida, juntos na doença, juntos na morte. Como se a vida de um se não justificasse sem a do outro. Adeus Rosalina e Francisco que, certamente, irão de mão dada no caminho que vos falta percorrer!
HSC
segunda-feira, 25 de janeiro de 2021
Ainda cá estamos?
Terminaram ontem as eleições e já temos um renovado presidente. Só resta desejar-lhe um bom mandato!
Assim, hoje não deveria escrever nada porque, após o momento histórico que nos foi dado viver ontem, a única coisa que uma jovem como eu, devia fazer era dormir e descansar.
Até porque acabado o interludio das eleições presidenciais, restam-nos agora para animar o pessoal, o futebol e o Covid 19, que têm deixado algumas pessoas à beira de um ataque de nervos. De facto para além dos eruditíssimos comentadores do jogo dos pés, todos os dias abrimos a televisão com a frase calista de que "hoje foi dia em que houve mais infectados", ou mais mortos.
Compreendo a necessidade de informar. E, de facto, dessa informação, já sabemos que nenhum de nós pode adoecer, porque estando tudo acima do nível máximo, a nossa unica solução é esperar que aconteça alguma coisa numa ambulância ou num carro.
Então - sugiro eu que sou ignorante e não governo - talvez valha a pena não saber tanto e não dar tanta informação que faz ruido e ansiedade em quem tenha menos preparação. E nós não somos propriamente um país de eruditos. Assim, se todos os noticiários de domingo derem o real estado da situação, não seria preferível a esta diária e continua subida da pandemia que afecta e cria uma permanente ansiedade? Não será isto menos penalizador, para quem espera uma vacina? A informação semanal não será mais eficaz para o estado anímico da população em geral, do que esta detalhe sobre a subida exponencial diária ?
HSC
sexta-feira, 22 de janeiro de 2021
A falsidade na politica
https://agencia.ecclesia.pt/portal/portugal-declaracoes-de-cardeais-portugueses-sobre-eleicoes-presidenciais-sao-falsas/
Que a esquerda ou a direita se sirvam de um homem como Tolentino de Mendonça para atacar a Igreja já será uma heresia. Mas que se sirvam do respeito e funções que o mesmo merece, para lhe atribuir declarações que visam um determinado partido, revela bem a natureza da política em Portugal. É tão baixo e tão vil o acto, que só lhe dou publicidade, por denegrir um membro da Igreja à qual pertenço, um homem que tem honrado Portugal como erudito que é e, enfim, porque se trata de um amigo ao qual devo o sentido da palavra "aceitar" e arriscaria dizer "perdoar".
Só faço um pedido. Que todos aqueles que acreditaram numa alarvidade desta natureza, façam tudo o que esteja ao seu alcance para que a verdade seja reposta.
HSC

