Vejam só a alegria destes padres !
HSC
Análise séria e acutilante, humorada ou entristecida, do Portugal dos nossos dias, da cidadania nacional e do modo como somos governados e conduzidos. Mas também, um local onde se faz o retrato do mundo em que vivemos e que muitos bem gostariam que fosse melhor!
Eu sei que não há coincidências, mas ontem o meu neto André telefonou-me para me dizer que morria de saudades de me dar um abraço. Fiquei com o coração partido, logo agora que o operei para ele ficar mais bonito. Mas após o telefonema, curiosamente, e de forma um poco inesperada, um amigo enviou-me um texto lindíssimo de Tolentino de Mendonça sobre a importância desse gesto e dos diferentes significados que ele podia ter. Com efeito o abraço tem tanta força, que só agora que os não podemos dar, é que percebemos a falta que eles nos fazem na dor, na alegria, no apoio, na despedida ou no acolhimento, no luto, na congratulação pelos sucessos, ou na reconciliação.
Sou uma mulher de afectos e quem me conhece sabe disso. Eles são a arquitetura da minha vida e a saudade que mais sinto, neste longo confinamento a que fui submetida, é deles. De apertar entre os meus braços todos aqueles que amo. Curiosamente não sinto tanto a ausência de beijos, talvez porque neles, eu fosse mais resguardada. Os beijos são distribuidos com mais parcimónia, ficam mais para dentro de casa.
Por isso o texto do Cardeal Tolentino me tenha tocado tanto. É que foi no seu abraço onde me anichei quando perdi o meu filho. E, ainda hoje tenho bem presente a força que ele me transmitiu!
HSC
Confesso-vos que não consigo perceber qual a legislação em vigor, para o período da pandemia. Leio os jornais, percebo que estamos a subir na propagação do vírus, tento cumprir as normas sem as discutir, mas já não sei se as regras que sigo estão em vigor. Não mais do que 5 pessoas nuns casos mas admitem-se 50 em casamentos e batizados. Nos velórios não sei qual é o numero tolerado, mas oiço cada vez mais expressar a vontade de morrer em casa, com velório na mesma e um pouco de comida a acompanhar. Ou seja, parece que se está a voltar ao tempo dos meus avós, em que era assim que se fazia.
É dificil perceber que um dia se afirme uma coisa e no dia seguinte um outro responsável diga algo diferente. Parece urgente que a DGS elenque o que está proibido e o que não está, para que saibamos a quantas andamos. Há dias passei junto de um liceu, na hora de saída, e fiquei pasmada. Os miúdos saiam de máscara, mas e a primeira coisa que faziam era tirarem a dita e agruparem-se uns em cima dos outros com a complacência policial que deve ter-se sentido impotente perante aquela horda de crianças .
Vim para casa a pensar nos meus filhos e no meu terror que eram as drogas distribuidas no liceu em que o mais velho decidira andar. Não fui tão eficaz quanto queria, porque anos mais tarde, numa entrevista, ele contou o que experimentara. Na altura fiquei tristíssima pela minha inocência, a esperteza dele e a inutilidade da experiência. Depois de acalmar, pensei na velha máxima da minha avó Joana, que dizia sempre "quem boa cama fizer, nela se há-deitar".
Chamei-o de parte e disse-lhe que a partir daquele dia, ele seria o único responsável pelos seus actos e que para a idiotice não contasse comigo. E assim fizemos, ao longo da nossa existência!
HSC
Gosto muito de viver os tempos de hoje e de aproveitar tudo o que de bom eles puseram ao nosso alcance. Mas não quero, nunca, esquecer aqueles lá para trás que prepararam a minha serenidade de agora!
HSC
HSC
Nesta situação de pandemia em que vivemos, sabemos que fazer o teste do Covid se torna cada vez mais urgente, caso apareçam sintomas ou tenhamos estado em contacto com alguém que vem a ter, posteriormente, a doença.
Nos Centros de Saúde e nos que foram criados para o efeito, suponho que os ditos sejam gratuitos. Nos hospitais privados cada teste custa 100€ e habitualmente quem a eles recorre é movido pela rapidez do resultado.
Sendo uma questão transversal a toda a população nacional, não deveria o governo estabelecer uma tabela para todos os privados, com um valo máximo limite, que estes não pudessem ultrapassar?
O Estado que se mete na nossa vida privada a propósito e a despropósito, não deveria, como nos medicamentos, intervir e fazer baixar um preço de uma análise que é manifestamente alto, numa altura em que ela é básica para dominar a pandemia?
Acabaram com as PPP. Só espero que o inverno não venha a impor, de novo, a utilização dos equipamentos privados. Porque, se isso acontecer, todos nós sabemos que os preços irão subir, para compensar aquilo com que se acabou. E nessa altura, o poder de negociação não será o melhor...