Conheci Manuela Silva depois de me ter tornado amiga de Lurdes Pintassilgo e ao mesmo tempo de Adérito Sedas Nunes e João Salgueiro. Todas estas pessoas deixaram em mim uma marca que, ao longo da vida, jamais se desvaneceu. De cada uma e de cada um recebi ensinamentos.
Acabo de ter conhecimento da morte da Manuela, tendo já perdido o Adérito e a Lurdes. Aos poucos, devagarinho, vão-se esvanecendo bocados de mim.
A Manuela, com aquele seu olhar límpido que todos lhe conhecíamos, era muito mais que a Presidente do Movimento Internacional dos Intelectuais Católicos, ou da Comissão Justiça e Paz ou da Fundação Betânia.
Ela foi a pioneira do desenvolvimento comunitário em Portugal e era alguém profundamente preocupada com as desigualdades ou com a injustiça social.
Ela foi a pioneira do desenvolvimento comunitário em Portugal e era alguém profundamente preocupada com as desigualdades ou com a injustiça social.
Guardo e guardarei sempre dela a imagem da colega, da amiga e da profissional que nunca se dobrou perante aquilo em que não acreditava.
E, quem sabe, talvez por isso, fosse menos ouvida, conhecida e admirada do que devia. Em Portugal as ideologias ainda separam muito as pessoas...
E, quem sabe, talvez por isso, fosse menos ouvida, conhecida e admirada do que devia. Em Portugal as ideologias ainda separam muito as pessoas...
HSC



