terça-feira, 8 de outubro de 2019

Partiu Manuela Silva


Conheci Manuela Silva depois de me ter tornado amiga de Lurdes Pintassilgo e ao mesmo tempo de Adérito Sedas Nunes e João Salgueiro. Todas estas pessoas deixaram em mim uma marca que, ao longo da vida, jamais se desvaneceu. De cada uma e de cada um recebi ensinamentos. 
Acabo de ter conhecimento da morte da Manuela, tendo já perdido o Adérito e a Lurdes. Aos poucos, devagarinho, vão-se esvanecendo bocados de mim.
A Manuela, com aquele seu olhar límpido que todos lhe conhecíamos, era muito mais que a Presidente do Movimento Internacional dos Intelectuais Católicos, ou da Comissão Justiça e Paz ou da Fundação Betânia. 
Ela foi a pioneira do desenvolvimento comunitário em Portugal e era alguém profundamente preocupada com as desigualdades ou com a injustiça social.
Guardo e guardarei sempre dela a imagem da colega, da amiga e da profissional que nunca se dobrou perante aquilo em que não acreditava. 
E, quem sabe, talvez por isso, fosse menos ouvida, conhecida e admirada do que devia. Em Portugal as ideologias ainda separam muito as pessoas...

HSC

Dias polisipos

Descobri — numa carta de Clarice Lispector para Lucio Cardoso — que polisipo, em grego, significa “pausa na dor”. Estes dias, que se estão a seguir às eleições, têm sido para alguns partidos, dias polisipos. Vai demorar tempo até que se tornem dias normais!


HSC

Grande Fernanda Montenegro!


Uma mulher extraordinária a falar pela boca de outra mulher igualmente singular!

HSC

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

No Devagar Depressa dos Tempos


Marcelo Duarte Mathias nasceu numa família ligada ao anterior regime. Com efeito, o seu pai, um homem cativante, foi diplomata e ministro dos Negócios Estrangeiros de Salazar. O filho, que estudou em Oxford, seguir-lhe-ia as pisadas e entrou para o Ministério dos Negócios Estrangeiros aos 31 anos, onde fez uma carreira brilhante. 
Passou por Brasília, Bruxelas, Nova Iorque, Nova Deli e Paris (UNESCO). A síntese desta vida encontra-se em No Devagar Depressa dos Tempos, uma antologia agora publicada pela D. Quixote e que é uma compilação do que de mais relevante Marcello Duarte Mathias escreveu nos seus Diários. 
Trata-se de uma compilação de textos descritos com humor e perspicácia e que nos revelam as riquíssimas vivências de um diplomata e os seus encontros com figuras importantes ao longo da sua carreira.
Marcello Duarte Mathias começou a escrever com cerca de 24 anos sem bem perceber, na altura, porque o fez. Mas, porque a escrita foi intermitente, só começa a publicar, em 1980, os seus diários. O primeiro recobre o período de 1962 a 1969. Passariam mais de vinte anos até voltar a reunir em volume as suas notas diarísticas, congregadas então em torno da sua experiência como Embaixador na Índia ((1993-1997). Depois deste Diário da Índia, surge o posterior Diário de Paris (2001-2003) e, em ambos, surgem notas de viagem e estadia pontual noutros lugares, sejam elas de estadia no estrangeiro ou de “regresso” ou passagem pela sua casa em Cascais. 
É quando volta a Portugal, em 2007, depois de vários postos na carreira, que recomeça a escrita e irá surgir o Diário da Abuxarda (2007-2013), para mim um dos que mais me tocou.
Para o autor, escrever é uma forma de redenção e de se encontrar. Escrever um diário é, também, a necessidade, a certa altura, de a pessoa fazer um balanço da sua vida.
Lúcio Cardoso sugere, sobre este tipo de livros intimistas, que o diário é feito da ausência de acontecimentos, de uma introspeção, de um momento de repouso, enfim, de um no man’s land. Mas é nessa terra de ninguém que, afinal, se vai exumar aquilo que nos dilacera, aquilo que nos comove, aquilo que nos cativa. 
O autor confessa que o seu Pai foi a pessoa que mais admirou, mas hoje, admite que, talvez - quem sabe -, essa admiração, por ter sido tão grande, o possa ter inibido de se afirmar.
Sou, de há muitos anos, uma leitora atenta deste tipo de escrita tão pessoal e peculiar. Portugal não é fértil na escrita diarista. Mas Marcello Duarte Mathias é, neste campo, um dos melhores. 
Vale, por isso, a pena fazer essa longa peregrinação interior na sua companhia!

HSC

domingo, 6 de outubro de 2019

Comida de Tacho


Gosto muito de Catia Goarmon como mulher e como apresentadora. Além destas qualidades, reconheço-lhe outras que para mim são cativantes: um sorriso doce, o respeito por quem a olha e segue e uma simplicidade desarmaste. Tudo características que fazem com que a considere como amiga, pese embora não a conhecer pessoalmente.
Acabei de ver com toda a atenção o seu último livro. Como autora de cinco livros de cozinha que sou, como cozinheira e comilona que também sou, deliciei-me com a sua nova obra, intitulada COMIDA DE TACHO. A capa traz a nossa Cátia no seu melhor e o conteúdo é de encher o olho de quem, como eu, gosta de cozinhar e de comer. 
Editado com muito cuidado, cheio de fotos que atiçam o apetite e nos permitem, também, conhecer um pouco aqueles com quem e para quem gosta de cozinhar, o livro tem tudo para ser um sucesso. Tanto ou maior do que aquele de que goza a sua autora.
Sigo a Cátia desde o seu primeiro episódio. Sempre me encantou o seu jeito de manusear os alimentos e, algumas vezes, tive mesmo a sensação de estar ali na cozinha ao lado dela. Por isso, creio ter autoridade para dizer que foi um gosto vê-la, ao longo dos meses, transformar-se numa mulher muito bonita e cuidada sem nunca ter perdido aquilo que em si é essencial: a simplicidade de saber fazer, o gosto de saber ensinar e a capacidade de nos encantar. 
A Cátia e a editora estão de parabéns. Por isso aqui vai o meu abraço à autora que merece todo o nosso carinho!

HSC

sábado, 5 de outubro de 2019

Um dia muito feliz!


Costumo dizer que a felicidade é feita de muitos momentos felizes.  O dia de hoje é, para mim, um desses momentos, em que me foi dada ocasião de assistir à subida de José Tolentino de Mendonça a Cardeal.
Não porque isso altere nalguma coisa a relação de amizade que nos une, mas porque fico muito feliz ao ver reconhecida pelo Papa a qualidade humana e cultural deste homem que conheci na ocasião mais dolorosa da minha existência. 
Depois dos meus pais, dos meus filhos e da escassa família que me resta, o padre Tolentino, agora Cardeal da Igreja, é a pessoa mais importante da minha vida, aquela que, eu sei, velará sempre por mim.
Assim, no dia de hoje, sinto-me muitíssimo feliz. E enche-me de alegria poder partilhar este momento, com todos os que me lêem e também apreciam aquele que sempre veremos como o nosso padre Tolentino!

HSC

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

A acabar a... experiência!

Há um mês escrevi aqui um post, intitulado "À experiência", em que dava conta de que iria participar, durante 5 semanas, no programa O RESTO É CONVERSA, que serviria  de rampa para o novo concurso de Pedro Fernandes, VER PARA CRER. Falta-nos, assim, uma semana para desaparecermos do ecrã e dar o espaço ao dito concurso, ao qual desejo o maior sucesso.
Para mim, foi um tempo divertido, com gente de quem gosto e com quem estreitei relações. Fui tratada como uma princesa pela CORAL, a nossa produtora, que tudo fez para que eu me sentisse confortável. O mesmo digo da Felipa, aquela amiga especial que consegue, sempre, arrastar-nos para o que ela quer e nós temos reticências em fazer. Estava eu nas minhas tamanquinhas a preparar a saída do novo livro quando, vem ela, um autêntico furacão, tirar-me da quietude do lançamento
Logo eu, que tinha tido uma experiência traumatizante na SIC, com a antiga produtora e a antiga direção, que nos tratou -  ao Mario Zambujal e a mim - de forma muito pouco elegante. Felizmente a estação tem hoje á frente Daniel Oliveira de quem muito gosto.
Com esta aventura na TVI fiquei, de novo, conciliada com a televisão. E tenho a certeza de que, com o Daniel Oliveira, tudo teria sido diferente, no passado. Poderíamos sair na mesma, mas seriamos corretamente tratados. Disso não tenho qualquer dúvida!
A Felipa Garnel apostou em nós e se tivessemos podido fazer algo de parecido com a brasileira SAIA JUSTA, teriamos tido, talvez, sucesso garantido. Não foi possível, porque nem uma semana tivemos para nos preparar. Mas cumprimos a promessa de rir e distrair.
Quem sabe, se não acabaremos por o fazer, noutro tempo e noutro local, com outros conteúdos? Houve quem gostasse de nos ver e se divertisse bastante connosco.
Até 8 de Outubro é lá no O RESTO É CONVERSA,  que iremos despedirmo-nos de vós. Depois, o tempo e o modo determinarão o que se irá seguir...

HSC