Na época em que o PCP organizava greves, elas eram cirúrgicas no tempo e no modo. Ao invés, curiosamente, da actual greve dos condutores de transportes de matérias perigosas.
Com efeito, esta foi inicialmente conduzida por um jovem sindicato, não filiado em nenhuma das centrais sindicais, e tem agora uma estratégia negocial jurídica que, em boa verdade, está a dar mais visibilidade ao advogado Dr. Pardal Henriques, que a corporiza, do que ao sindicato que ele diz representar. E, até corre por aí, ser essa a estratégia do síndico, que terá ambições políticas e precisava de se tornar um rosto conhecido. Tirada inteligente, portanto!
Por seu lado, o governo, com o suporte de Marcelo, decretou serviços mínimos altos. Ia indo tudo abaixo com a “brutalidade” da medida, que veio levantar um ponto crucial, que é o de definir, quando e até onde, o direito à greve pode, ou não, ser restringido.
Mas a decisão agora tomada – que contou com a complacência das duas centrais sindicais -, constitui, de certo modo, uma alteração consentida à Lei da Greve. O que mostra bem o poder que um sindicato desalinhado pode ter e põe em evidencia a necessidade, há muito sentida, de rever a lei que está em vigor.
O Dr. Pardal Rodrigues consegue, deste modo, não só parar o país, como mostrar que os sindicatos tradicionais podem estar a perder força e ainda, muito eventualmente, estar a preparar terreno para uma nova carreira, agora na vida política partidária.
Não deixa de ser uma forma original de o fazer, sobretudo, em democracia. Mas também é verdade que já assistimos a casos semelhantes. E ele escolheu, decerto, um bom mestre!
HSC

