sábado, 29 de junho de 2019

Manuela Eanes


O título, simples, deste post ilustra a minha estima pela pessoa. Para mim, Manuela Eanes é a forma mais natural de referir uma mulher que, ao lado do seu marido, marcou anos da história da democracia em Portugal.
Ontem, o Âmbito Cultural do Corte Inglês estava apinhado de gente conhecida para estar presente no lançamento de um livro constituído por uma longa entrevista conduzida por Fátima Campos Ferreira à ex "primeira dama" do Portugal democrático. 
A apresentação, excelente, coube a Leonor Beleza, um nome incontornável que não carece de apresentações e por quem tenho uma enorme admiração, apesar de não pertencer ao seu grupo de amigos. Com pena, confesso. E posso dizê-lo à vontade, porque nesta fase da minha vida, os encómios que faça não estão à espera de contrapartida. 
Admiro-a porque sempre teve a cabeça erguida quando outros a quiseram vergar, porque nunca baixou os braços e porque houve alguém neste país que numa época conturbada, confiou nela e lhe entregou, sem qualquer hesitação, a tarefa de criar, de raiz, uma grande Fundação na área da saúde.
Através dessa apresentação, o publico presente ficou a conhecer melhor Manuela Eanes, a primeira "primeira dama" da democracia nacional. Sem qualquer modelo anterior, ela criou uma figura e uma imagem muito próprias. De facto, na sua maneira de ser extremamente discreta desempenhou, na rectaguarda, funções que a maioria de nós desconhecia e que ela jamais referiu.
O livro retrata muitas delas, mas outras houve que Leonor Beleza salientou e que o completam. E, como sempre, o IAC, o Instituto de Apoio à Criança, não foi obra sua mas sim do colectivo que a acompanhou!
Confesso que tenho uma enorme estima por aquele que foi o meu Presidente. E confesso que tenho pela minha querida amiga Manuela, a maior ternura. Por questões de vida pessoal, foi dificílimo conseguir organizar a minha agenda e estar no Corte Inglês. Mas jamais me perdoaria se o não tivesse feito!

HSC

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Vinte anos de euro!

Confesso que vejo pouca televisão nacional. Já aqui o tenho referido. Salvam-me os programas de culinária - apesar de alguns mais parecerem catálogos de vestuário - e algumas séries policiais inglesas.
Mas, quando um nome ou um tema me interessa, esforço-me por estar atenta. Foi o que aconteceu na segunda feira, com os Pros e Contras de Fátima Campos Ferreira, onde todos os participantes eram pessoas que respeito profissionalmente.
Foi uma sorte, porque não sou uma aficionada daquele tipo de debate. Nos poucos a que assisti, houve demasiados atropelos, que perturbaram o objectivo de esclarecimento que, julgo, é a finalidade do programa. 
Mas o tema era aliciante e os meus colegas economistas eram de alto calibre. Além disso, quer o governo quer a supervisão bancária, estavam muito bem representados no Ministro dos Negócios Estrangeiros e na Vice Governadora do Banco de Portugal.
É sabido que não sou uma europeista ferrenha, que não simpatizo particularmente com os federalismos tradicionais e que ainda possuo uma marca geracional relativamente a uma eventual egemonia alemã. Tudo características pessoais que, garanto, sempre tento superar nas análises que faço.
Daí, talvez, a minha proximidade a algumas posições do professor madeirense - pena ter tido pouco tempo de expôr o seu pensamento - e à visão de Luis Aguiar Conraria. Foi muito pedagógico o tom do debate, sem gritarias nem imposições de pontos de vista e foi muito produtivo pôr a academia económica a debater com duas pessoas inteligentes e preparadas que, ali, de certo modo representavam o "poder".
Está de parabéns a Fátima Campos Ferreira que soube moderar, os participantes que se portaram à altura do que deles se esperava !

HSC

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Ainda a malfadada rede 707...

Já me insurgi aqui, por mais de uma vez, ao abuso do prefixo telefónico 707, para  prestar informações publicas a que qualquer cidadão tem direito ao preço de uma chamada normal.
De facto, a utilização destes números - que, por norma nos põem em fila de espera  e se torna caríssimo - é, a meu ver, inaceitável em repartições públicas. Sendo, como é, um serviço pago ao minuto, adivinham-se as elevadas facturas cobradas aos incautos que desconheçam a situação.
Há dias, no excelente programa CONTAS POUPANÇA, da Sic, percebi que havia um meio de contornar este gasto vergonhoso. Tratava-se de ir ao Google, escrever o 707 ( seguido do resto do número )acrescido de ".pt". Carregava-se no "enter2 e lá apareceria um numero normal alternativo.
Resolvi fazer isso, hoje, com o El Corte Inglês. O número em causa era o 707211711. Lá segui as instruções do programa e, de facto, apareceu o alternativo 213711711. Contente, marquei o dito número, mas aparece-me uma mensagem a dizer que "no momento não era possível fazer a ligação". 
Como sou crédula admiti que fosse por ser feriado. Mas, porque também sou desconfiada, resolvi ligar o 707. Fui, claro, logo diligentemente atendida.
Ou seja, a linha alternativa existe, mas neste caso, ninguém respondeu. No entanto, havia quem o pudesse fazer, já que através do numero caro, fui atendida de imediato...
É a vida. Mas que raio de vida em que o cidadão se queixa, mas ninguém faz nada.

HSC

domingo, 16 de junho de 2019

Até 6 de Outubro...

Até 6 de Outubro irão começar as promessas. Para já, as mais fresquinhas, dirigem-se aos funcionários públicos. Muitas outas iremos ouvir, independentemente de haver ou não dinheiro para as concretizar. Pode ser que apareça até algum bónus para os pensionistas, mas parece-me difícil porque a classe não tem qualquer força reivindicativa no mundo do trabalho que já foi o seu e os sindicatos estão mais interessados em defender os activos, porque os outros sãom peso morto, embora ainda votem.
O PS vai pedir a maioria e até é capaz de a obter, se os incendios não vierem, de novo, ensombrar o seu caminho. Com mais uns passinhos de dança, se os socialistas a não obtiverem, podem sempre vir a dispensar o BE e o PC, fazendo acordos com o PAN.
Assim, teremos quatro meses garantidos de promessas eleitorais e de cartazes, num pais em que nenhum dos partidos limpou sequer a poluição que causou com os das europeias, que por lei já deveriam estar a ser retirados. Mas quem é que, na política, cumpre a lei?!
Por mim, vou tentar, finalmente, vergar-me à Netflix, como forma de atravessar este período sem grandes conflitos anímicos. É que, já que as legislativas vão constituir series próprias, assim pelo menos naquela plataforma, eu vou poder escolher o que muito bem entenda. Senão, só me resta o Fox Crime...

HSC

sábado, 15 de junho de 2019

Ainda o 10 de Junho


Por muitas e variadas razões, não me pronunciei aqui – nem aliás em nenhum outro lado – sobre o badalado discurso de JMT feito no dia 10 de Junho em Portalegre. 
Vi gente entusiasmada e gente irritada. A mim, não me causou nem uma nem outra daquelas reacções. Por isso, achei inútil dizer o que quer que fosse sobre o assunto.
Leio, de vez em quando, o autor. Discordo muitas vezes dele, cumprimento-o pela defesa que faz do matrimónio, mas a sua imagem do homem feito a pulso, no actual contexto nacional, não me parece muito significante, porque o país, como sabemos, está cheio deles. Nós é que os não conhecemos.
Acontece que hoje li a crónica de Alberto Gonçalves, no Observador, sobre o discurso. E, curiosamente, descobri nela, algumas razões do meu silêncio sobre o tema. 
O cronista elenca divergências, concordâncias e incertezas sobre o conteúdo do dito. Creio que tem razão. E explica, afinal, porque é que eu entendi que não valia a pena falar sobre o assunto e me mantive silenciosa, no meio de tanto ruído!

HSC

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Que vergonha!


Acabei de assistir à reportagem de Ana Leal, na TVI, sobre o estado em que se encontra actualmente Pedrogão Grande. Fica-se com um aperto na garganta.
Como é possível que os nossos dirigentes durmam tranquilos, sabendo do que aquela gente precisa e não tem? Como é possível que toros de lenha, fios eléctricos e floresta permaneçam no mesmo estado, à espera de  virem a ser, de novo, dizimados pelo fogo? 
Gente que sofreu, que perdeu tudo, que os portugueses solidariamente ajudaram e que continuam à espera de que alguém se lembre deles e faça o que ainda não foi feito. Como é possível?
O Presidente da República prometeu que não abandonaria Pedrogão Grande e que havia de lá voltar. Não esqueça essa promessa, não esqueça aquelas pessoas que precisam que se lhes devolva uma vida. 
A Ana Leal fez um trabalho meritório e pôs a nu o muito que não foi cumprido. É esse o trabalho do jornalista e ela fe-lo muito bem. Mas é preciso que esse seu labor não caia em saco roto...
Volte a Pedrogão Grande, Senhor Professor Marcelo Rebelo de Sousa. E mostre que, de facto, os não esqueceu!

HSC

terça-feira, 11 de junho de 2019

Ruben, um homem especial


Ruben de Carvalho, histórico militante do PCP, morreu esta terça-feira aos 74 anos. Para além da carreira na política, teve uma vida de intervenção e de luta na resistência antifascista e no movimento associativo estudantil. 
Viria a abraçar a Revolução de Abril e deixou à sociedade portuguesa um contributo de relevo no domínio da música, quer nas suas raízes populares, quer na sua dimensão erudita.
Foi jornalista na 'Vida Mundial' e no 'O Século' e chefe de redação do semanário 'Avante', a partir do seu primeiro número legal. Foi, igualmente, membro do Conselho de Opinião da RTP em 2002 e comentador da SIC Notícias.
Conheci Ruben de Carvalho já lá vão muitos anos, mas continuava a guardar dele a memória de um homem de letras culto e de um melómano que gostava da mesma música que eu, desde o fado ao jazz, dos blues à música americana. Tudo o que, na altura como hoje, me dizia e diz, muito mais do que as opções políticas que nos afastavam .
Deixa-me um sentimento de pena e de tristeza, ver partir cedo alguém que, pouco tendo de comum comigo ideologicamente, sabia apreciar  e valorizar o que uma certa cultura tem de melhor.
À Família os meus sentidos pêsames.

HSC