Aqui ficam os meus votos para 2018. A nossa memória e aqueles que amamos e amámos constituem um dos patrimónios mais importantes da nossa vida. Que eles possam fazer sempre parte da nossa existência!
Análise séria e acutilante, humorada ou entristecida, do Portugal dos nossos dias, da cidadania nacional e do modo como somos governados e conduzidos. Mas também, um local onde se faz o retrato do mundo em que vivemos e que muitos bem gostariam que fosse melhor!
domingo, 31 de dezembro de 2017
sábado, 30 de dezembro de 2017
Meu lema é “Mete o saca-rolha”,
"Outro dia estava com meu amigo Omar, num restaurante e vimos um vinho daqueles bons e caros. O garçom logo perguntou se queríamos aquela safra pra acompanhar o pedido e o meu amigo, sem pensar duas vezes, disse “Mete o saca-rolha”.
Depois de dar boas risadas com aquela expressão, ele me contou que aquela frase servia pra vida. Que tempos atrás tinha perdido um grande amigo que tinha uma grande adega com vinhos caríssimos, e deixava os vinhos lá, sem abrir. Certo dia, morreu num acidente, e a esposa do cara acabou se casando com um outro, mais jovem, que consumiu toda a adega em tempo recorde. Depois disso, ele começou a perceber quantas vezes na vida desperdiçava oportunidades, deixando pra depois. Sendo que o depois pode nem existir. Eu fiquei refletindo sobre isso e hoje quero te perguntar: quantas oportunidades você desperdiça, se preparando, sem entrar em campo? Quantas roupas deixou de usar esperando a ocasião especial? Quantas atitudes deixou de tomar, acreditando que sempre existiria ‘a semana que vem’, adiando seus sonhos?, Por isso, a dica é ‘mete o saca-rolha’. Abra a garrafa de sonhos, tome as atitudes que precisa tomar, pare de procrastinar achando que a vida é eterna e que vai ter todo o tempo do mundo pra tentar, cair, errar e seguir em frente., “Mete o saca-rolha” pode ser uma filosofia de vida. Pra ele, que diz que nunca viu carro forte seguindo carro funerário, é uma frase inspiradora., Não deixe os bons vinhos pra amanhã. Não espere pra agir se a hora é agora e não desperdice seu tempo acreditando que amanhã dá pra fazer diferente. O que a gente tem é hoje. Então, mete o saca-rolha e segue em frente!.
Desejo a você um excelente vinho para 2018"...
Enviado por um amigo para o meu telemóvel
Este ano não faço votos. Limito-me a partilhar convosco este texto. Que cada um tire as suas próprias conclusões, porque ele merece reflexão. Não por ser fim do ano, mas porque muitas vezes, o medo, a precaução ou até a ganância, acabam por nos tirar o melhor que a vida, afinal, nos dá!
HSC
terça-feira, 26 de dezembro de 2017
Portugal no seu melhor!
“Na passada quinta-feira, em plenário,
os partidos discutiram e votaram um
conjunto de alterações legislativas que, primeiro, acaba com o limite para os
fundos angariados por partidos e que, segundo, permite aos partidos receberem o
IVA de volta.
... Não vale a pena disfarçar: os partidos (PS, PSD,
PCP, BE, PEV) legislaram em benefício próprio, amealhando milhões de euros à
conta do Estado. E, para fugir ao escrutínio público, fizeram-no da forma mais
opaca possível. O processo legislativo correu num grupo de trabalho que, por
várias vezes, reuniu à porta fechada – algo excepcional no funcionamento da
Assembleia da República. O agendamento da discussão/votação do projecto de lei foi
feito em cima da hora, para não chamar à atenção e forçando até a retirada de
outras iniciativas legislativas previamente agendadas. E, na exposição de
motivos do projecto de lei apresentado à votação, não consta uma única
referência às alterações que beneficiam os partidos – apenas se refere o
reforço dos poderes da Entidade das Contas, dando a entender que o objectivo
era somente esse. Só que, lá está, não foi bem assim. Nas palavras da
ex-Presidente da Entidade das Contas (em declarações ao Expresso), “os partidos
resolveram uns aos outros os problemas de cada um”, alterando leis orgânicas do
Tribunal Constitucional, da Entidade das Contas, do financiamento político e
dos partidos políticos. Mais claro era impossível.
Tudo isto foi premeditado. No conteúdo:
a partir desta alteração legislativa, os partidos vão receber mais dinheiro,
ficar isentos de impostos e resolver situações ainda a aguardar julgamento –
tudo no valor de milhões de euros.
É, portanto, uma vergonha colectiva: uma Assembleia da
República que faz isto em completa impunidade só é possível perante uma
sociedade entorpecida e pouco exigente. Merecem-se uma à outra."
Alexandre Homem Cristo in Observador
Felizmente que o Natal me não permitiu estar "actualizada". Mas em compensação, quando hoje tentei faze-lo, a chuva de surpresas não podia ser maior. A classe política cujos partidos andam endividados resolveu dar-lhes um presente de Natal. De modo transparente. Justificado. Respeitável. É Portugal no seu melhor!
HSC
À bon entendeur salut!
Mas nenhum político além de Bagão Félix se indigna
ou se interroga sobre o “negócio” Montepio Geral / Santa Casa da Misericórdia?
O Governo não pia, nem lhe convém piar. O
Presidente da República está distraído. A Igreja, surpreendentemente, parece
alheia ao assunto. A comunicação social não vê na questão tema que cative audiências
e apenas se salva, honrosamente, António Costa do jornal ECO.
Estamos todos tão contentes que nos não
importamos de desviar a pequena minudência de 200 milhões de euros, para fins
diferentes daqueles que deveriam ser os seus usando, com
despudor, a insólita via da Santa Casa e o anuncio da criação de um milagroso
“banco social” destinado a salvar um banco?
Pegar em 200 milhões de euros para entrar
no capital de uma instituição cujas condições são tristemente conhecidas, viola
todos os princípios em que assenta a Misericórdia, nomeadamente:
1. a proporcionalidade dos fins
estatutários,
2. a probidade institucional,
3. o equilíbrio estrutural de
balanço. É que os 200 milhões são cerca de 1/3 dos seus “capitais próprios”.
4. a matriz cristã que a deve enformar
5. o respeito da opção
preferencial de apoio aos mais desprotegidos
A factura
há-de vir mais tarde, quando já ninguém se lembrar. E surgirá com a agravante - quanto aos
pagadores – de juntar aos contribuintes, os beneficiários da acção social da Santa
Casa.
Difícil de perceber? Nada. É que nessa altura, como diz e bem Bagão Félix, de santa ela já terá pouco e de casa, quem sabe, mais parecerá... uma loja!
Difícil de perceber? Nada. É que nessa altura, como diz e bem Bagão Félix, de santa ela já terá pouco e de casa, quem sabe, mais parecerá... uma loja!
À bon entendeur,
salut, como dizem os franceses.
HSC
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
Igreja: O erotismo da alma (14)
" Todos vamos envelhecer...Querendo ou não, iremos todos envelhecer. As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos. A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos. O segredo é não reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente. Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior. E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar. Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com a sua história. Que usa a espontaneidade para ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos. Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios. Erótica é a alma que não esconde os seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores. Aprenda: bisturi algum vai dar conta do buraco de uma alma negligenciada anos a fio."
Texto retirado do livro Poesia Reunida, 1991, Adélia Prado
Não sei, por enquanto, escrever sobre o Natal sem dor, sem saudade da Mãe que partiu neste dia e do filho que me deixou antes de tempo. Mas alguém me deu, ontem, na Missa do Galo, este texto para eu ler. Gostava muito de ter sido eu a escreve-lo, porque ele corresponde exactamente ao que penso sobre a alma e sobre a forma de a enfrentarmos.
O Natal é o início de um ciclo de renovação, que cada ano se repete. Não sei se Adélia Prado sabe isso. Penso que sim. Como penso que não terá sido por acaso que, ontem, mão amiga me fez chegar estas suas palavras!
HSC
sábado, 23 de dezembro de 2017
Um Woody demasiado amargo
Tempos houve em que bastava aparecer o nome de Woody Allen, para eu não descansar enquanto não visse a sua última obra. E, mesmo quando ela era inferior ao que dele esperava, nunca dava o meu tempo por perdido, porque havia sempre qualquer coisa naquele humor acre, que se apoderava de mim e me dava a noção de que não fora em vão a hora que lhe dedicara.
Assim, mal soube que estreara uma nova película, decidi que era mesmo neste tempo tão triste para mim, por evocar a morte da minha mãe, que eu iria vê-lo. Precisava, mesmo, daquela graça subtil, daquele amor ácido pela América que o não compreendia e que ele, afinal, tanto amava.
Todos envelhecemos. Allen não é excepção e as suas ultimas obras já evidenciavam um desgaste nos temas, sempre abordados, das dificuldades do amor.
Mas umas pessoas envelhecem melhor que outras. Ou fazem-no de uma forma menos triste, acreditando que o futuro, embora mais curto, ainda pode existir. Aliás, só mesmo uma tal crença é que pode levá-lo, com quase oitenta anos, a fazer novos filmes.
Esta Roda Gigante cuja realização e argumento pertencem a Woody, decorre em Nova Iorque, na década de 1950. Num parque de diversões em
Coney Island, Ginny é uma ex-actriz que vai fazer quarenta anos, trabalha como empregada de mesa, é casada com o operador do carrossel e começa a sentir a vida passar-lhe ao
lado.
Um dia, conhece Mickey, um jovem nadador-salvador
que sonha tornar-se escritor, por quem se apaixona perdidamente, mas que terá de disputar com a enteada, quando esta regressa
inesperadamente a casa fugida do marido. Ginny entra num turbilhão de ciúmes e acabará a exceder-se quando percebe a
atenção que o jovem amante dedica à filha do marido.
Entre as duas nasce uma rivalidade que acaba por
colocá-las numa situação particularmente delicada. Não há aqui nada de novo. O realizador sempre se ocupou das relações conturbadas que o amor pode corporizar. Mas neste filme o peso da amargura é excessivo porque apenas revela o "lado sem saída" daquilo a que se apelida de amor. E Kate Winslet dá, de facto, de modo notável, a imagem desse sentimento avassalador.
É uma película com um travo demasiado amargo para o meu gosto, que tenho uma idade muito próxima da do realizador.
Há sempre uma saída. O problema reside no que acontece, quando a não procuramos, e preferimos submergir...
HSC
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
Pedro Paixão
"O meu país é um país que não reconhece o verdadeiro valor, não gratifica a excelência, e mal suspeita de alguma coisa original, logo, estranha, esmaga-a. Camões morreu pobre e desolado. Provavelmente sem ter tido sequer a sorte de ter tido um único amigo, como eu tive. O Pessoa, que viveu de quarto em quarto, foi morrer com o fígado trespassado a um hospital com nome de santo francês que está no Bairro Alto e, ao que se diz, a última frase que lhe se ouviu foi em inglês que a disse I do not know what tomorrow will bring, para tirar as dúvidas a quem as tivesse. O Ruy Belo, um magnífico poeta, foi um herói desprezado primeiro pela academia fascista e, depois, pela academia democrática. O Ruy Cinatti, um poeta entre os maiores, enlouqueceu com a revolução dos medíocres e presumidos cravos, que entretanto desapareceram como espécie. Eu só não me deixei esmagar porque não tenho valor algum em particular, nunca tendo chegado a ser o que queria (…)"
in “Espécie de Amor”, 2014
O jornal Observador publicou no sábado, dia 16, uma interessante entrevista de Joana Emídio Marques ao escritor Pedro Paixão, homem que tive o prazer de conhecer há já muitos anos.
O Miguel Esteves Cardoso e o Pedro formavam uma dupla de rara qualidade e amizade. Nessa época, ambos representavam o que havia de melhor na juventude cultural e literária de então. Ambos fizeram um jornal e ambos criaram a Massa Cinzenta que foi uma das melhores empresas criativas do seu tempo. Mas os anos passaram, a vida transformou-se, a amizade desfez-se e o dueto acabou.
Do Miguel vou tendo noticias porque leio o que escreve e porque continuo a ter por essa época da minha vida um especial carinho, nomeadamente, quando nela incluo o terceiro elemento do grupo, o meu querido Carlos Quevedo, o argentino mais português que eu conheço.
Do Pedro as noticias eram mais raras. Hoje, depois de ler a entrevista, percebo melhor porquê. Continua a escrever para ele e sobre ele, mas a publicação não é questão que o preocupe.
É pena. A sua escrita, da qual tenho bastantes saudades, tinha muita qualidade e, seguramente, influenciou muitos dos jovens autores hoje com sucesso.
É pena, ainda, que a doença bipolar de que padece, tenda a acentuar esse lado solitário em que vive e de que o texto acima é uma boa imagem. Quando se tem a minha idade e adorando a família, como eu, percebe-se que os amigos, esses raros seres são, para muitos de nós, a presença constante sem a qual a existência se tornaria muito dura!
HSC
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