segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Tempos críticos...

Parece que Puigdemont e os cinco ex-secretários – Borràs, Comin, Forn, Bassa e Serret - se terão deslocado para Bruxelas, um dia após o ministro de Asilo e Migração belga, Theo Francken, do partido nacionalista flamengo, ter provocado ampla polémica ao abrir a possibilidade de concessão de asilo ao ex-presidente, oferta logo depois negada pelo primeiro-ministro.
A viagem veio a público poucas horas depois do procurador-geral do Estado, José Manuel Maza, ter anunciado a existência de uma ação judicial formal contra Puigdemont e todos os ex-membros do governo catalão, por crime de rebelião, sedição e desvio de dinheiro público. Os quais dão, a meu ver, com esta "fuga", um triste exemplo de abandono, aos confiantes nacionalistas da Catalunha. 
E, mesmo o argumento de que se poderia estar a encarar a possibilidade de formação de um governo catalão no exílio pouco colhe, nas actuais circunstâncias. Como bem disse a Rainha D. Amélia quando embarcou com D. Manuel na Ericeira, do exílio não se regressa.
A representação catalã perante a União Europeia, cujo responsável assumiu, nesta segunda-feira, a destituição por parte do Executivo espanhol, afirmou não ter informações sobre aquela viagem. O partido nacionalista flamenco negou-se a confirmar ou a desmentir se representantes seus se reuniram com o ex-presidente da Generalitat.
Confesso achar estranho, que um país membro da União Europeia, possa ter recebido, nestas condições, estes eventuais "fugitivos". Mas se o fez, não consigo descortinar como o governo irá explicar à UE a situação. O que adivinho, sim, é que se o gesto pega, se avizinham tempos críticos...



HSC

domingo, 29 de outubro de 2017

Solidariedade


Ricardo Araújo Pereira começou esta semana, sozinho e por iniciativa própria, uma série de espetáculos solidários de apoio às vítimas dos incêndios. Vai no seu carro, sem qualquer espécie de acompanhamento e percorrerá as zonas mais sinistradas, para lhes trazer o conforto do humor, de que tanto devem carecer. Humor esse que que se irá transformar em dinheiro, integralmente destinado a minorar o sofrimento dessas gentes.
Confesso que sempre me impressionou quem mete mãos à obra, sozinho, usando e oferecendo aquilo que tem. No caso de Ricardo Araújo Pereira, a decisão que tomou merece, da minha parte, os maiores elogios, porque não sei se haveria muita gente capaz de fazer o mesmo. Para mim, ele ganhou um lugar muito especial no campo da solidariedade, porque não só contribui, mas também se envolve diretamente na acção.  
Eu que até não simpatizava muito com ele em determinada altura da minha e da sua vida, dou a mão à palmatória. Trata-se, de facto, de uma pessoa que merece a minha admiração, num campo em que sou sempre muito cautelosa. Aqui fica, portanto, o meu testemunho!

HSC

sábado, 28 de outubro de 2017

Igreja: Nada a acrecentar(13)

“Consta que o perfil sexual dos seminaristas vai passar a ser investigado para evitar a ordenação de padres com tendências homossexuais. Nada tenho contra os pruridos da igreja católica com o sexo, como nada poderei ter contra a castidade e celibato dos padres. Não sou católico nem padre, nada disso, portanto, me diz respeito. Não significa, porém, que, enquanto ser racional que me esforço por ser (embora tantas vezes falhado), não estranhe a discriminação de que são alvo os putativos padres homossexuais. Se a igreja católica proíbe os seus padres de terem relações sexuais ou refrear as pulsões sexuais com que a natureza os dotou, que diferença fará um padre ser homossexual ou heterossexual? O que deve fazer um padre atraído por uma mulher? Refrear, anular ou sublimar a sua pulsão sexual e seguir em frente para cumprir as suas tarefas eclesiásticas. O que deve fazer um padre atraído por um homem? Refrear, anular ou sublimar a sua pulsão sexual e seguir em frente para cumprir as suas tarefas eclesiásticas. Se é suposto castrar o ser sexuado que há em cada padre, o que distingue então um padre homo de um padre hetero? Um padre sexualmente castrado será apenas um padre sexualmente anulado e o que não existe não pode ter graus ou naturezas.”
               
              Jose Ricardo Costa em https://ponteirosparados.blogspot.pt/

Para mim esta análise está correcta e a Igreja deve pensar seriamente antes de tomar uma medida discriminatória de tal natureza. Os casos de pedofilia que têm abalado recentemente a instituição, não se devem à opção sexual dos padres, mas sim à forma como vivem a opção de vida que fizeram.

HSC

As minhas futuras noites!

O ano de 2017 foi o meu pior ano, desde a morte do Miguel. Tive três intervenções cirúrgicas, tive uma pneumonia e tive a perda de amigos que me fazem cada vez mais falta. A estes, acredito que os vá encontrar  de novo, mais cedo ou mais tarde. Mas as mazelas decorrentes dos tratamentos daquelas maleitas teimam em subsistir e vão mesmo obrigar a mudanças na minha vida, que só de pensar nelas, o pelo se me iriça todo.
Baseei sempre a minha existência na independência física e económica. Vivi sempre do meu trabalho e creei sozinha os meus filhos. Não recebi pensões, ajudas ou contributos. Ainda bem, porque fui livre de fazer o que me deu na gana. Mantenho, ainda, confesso, uma certa mágoa de não ter ido para a OCDE trabalhar, porque o pai das crianças a isso se opôs, pese embora ele se tivesse ausentado durante cerca de seis anos e eu nem tivesse sido ouvida. Os tempos eram outros. Havia de ser hoje...
Tudo isto a propósito da minha familia entender que é chegada a hora de eu ter uma empregada interna, o que manifestamente me incomoda. Gosto de viver como vivo e não quero partilhar a minha intimidade com uma assalariada. Está portanto instalado um "diferendo" familiar, porque quer filho, quer irmão mais novo, sempre ausentes do país, decidiram que eu devo estar acompanhada...à noite, pouco ou nada nada sabendo das mesmas!
Enfim, as longas conversações travadas - em que eu vejo sistematicamente uma pessoa a perguntar-me o que  vai fazer -, estão a encaminhar-se para uma situação mais aceitável, que será arranjar uma pessoa empregada, que dorme aqui em casa, sai para o trabalho e volta quando o mesmo termina. Mesmo assim, só de pensar nisso, sinto calafrios...

HSC

Alain Demoustier


Éramos amigos há mais de 50 anos. Conheci-o em Vila Viçosa onde o Pai trabalhava em mármores com o meu querido e saudoso sogro. A Friquette haveria de surgir, linda, prática, original, no meio daquela Vila para lhe emprestar um viço muito particular.
Fizemos montes de coisas juntos e divertimo-nos muito. Divorciei-me mas nunca ele deixou de ser meu amigo. Até nisso foi exemplar, comparado com uns outros que conheci e ele também. Costumava dizer-me que tinha sido uma sorte para mim que eles poisassem longe...
O Alain era das pessoas mais sagazes que conheci, com um humor muito particular e já influenciado pelas décadas vividas em Portugal. No fim da vida quis ser, também, português. Ele amava este canto e esta terra.
Seríamos, o António Monteiro e eu própria, os seus padrinhos, aqueles que constituíram o garante de uma série de compromissos. E o almoço de caviar - do autêntico, não do falso - que ele nos ofereceu, depois, na sua casa, ficará para sempre gravado na minha memória, como um exemplo da sua sadia gratidão. 
Foi o belga mais português que conheci. Morreu como um português que jamais esqueceu a Bélgica natal. Aos filhos e à doce Friquette o meu mais triste e sentido abraço.

HSC

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

As Farpas...


"Pedro Silva Pereira, o antigo braço direito de José Sócrates, faz hoje uma semana, em declarações à TSF, afirmava que «O Presidente da República está naquela posição fácil de poder alinhar com expressões de indignação e sofrimento do país sem ter que subscrever responsabilidade na solução de problema nenhum».


Na mesma data, numa intervenção feita na TVI 24, Fernando Rosas acusava o Chefe do Estado de se deixar «atrair pela intriga política» e «exceder o magistério presidencial».


Na mesma linha, Daniel Oliveira, na sua coluna da última edição do semanário Expresso, considerava que «O Presidente, uma raposa disfarçada de peluche, aproveitou. Distanciou-se de Costa no tom, o que é fácil para quem apenas tem a parte perfomativa da representação do Estado. (...) Não se enganem: o rei do teatro sensível tem uma frieza invejável no cálculo político.»


Porfírio Silva, membro do Secretariado Nacional socialista, rasgava as vestes perante o «inaceitável aproveitamento politiqueiro de uma enorme tragédia que o País viveu». O alvo continua a ser o Chefe do Estado.


E, qual cereja em cima do bolo, no jornal oficial do PS, já há quem chegue ao ponto de apontar tentações ditatoriais ao inquilino de Belém, lançando o toque a rebate. «A esquerda deve estar unida e coesa, para impedir esta caminhada preocupante e perigosa, combatendo a tentação presidencialista de Marcelo, que ameaça a democracia. E o presidencialismo, é bom ter presente, descamba, por vezes, em ditadura.»

                                        Fonte Pedro Correia no DO

A época da caça começou. Nem outra atitude seria de esperar. Assim, o tiro ao alvo a Marcelo disparou. Os excertos publicados são uma pálida imagem do que tem sido afirmado.
Não sou Marcelista e sempre chamei, aqui, a atenção para o risco de que o colo dado pelo PR ao governo, o pusesse numa perigosa "saia justa", que mais tarde ou mais cedo iria começar a estreitar. Está à vista...os barões já começaram a usar as suas munições. Talvez sejam as que não foram devolvidas a Tancos!

HSC 

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Uma pontinha do véu...

"Na sequência dos incêndios de 15 de Outubro, foi noticiado que a Caixa Geral de Depósitos, onde estão depositadas partes dos donativos que os portugueses fizeram para apoiar as vítimas de Pedrógão Grande, irá doar cerca de meio milhão de euros aos hospitais de Coimbra para ajudar as pessoas afectadas pelos incêndios. Sendo Portugal um país onde há um sistema de saúde financiado pelos impostos pagos pelos portugueses, deve-se concluir que o Governo acha que pode tratar os donativos como um substituto de impostos.
Quando as pessoas fizeram estes donativos, decerto pensavam que o dinheiro iria ser directamente entregue às vítimas para as ajudar a reconstruir parte da vida que perderam – isto daria um bom inquérito aos portugueses, se houvesse algum meio de comunicação social para aí virado. Em vez disso, o governo achou por bem aumentar a capacidade dos hospitais de Coimbra em responder a incêndios. Um investimento em capital fixo permanente não faz sentido do ponto de vista de gestão dos hospitais, se o que se observou este ano é completamente anormal e fruto de vicissitudes meteorológicas combinadas com um excesso de optimismo na gestão dos recursos actuais".

                           Rita Carreira convidada do DO

Este excerto começa a levantar uma ponta do véu que paira sobre as dádivas feitas em dinheiro para as vítimas de Pedrogão Grande. Começa agora a perceber-se porque é que os tais 14 milhões de euros desapareceram das noticias nacionais.
Vale a pena ler o texto integral da Rita Carreira, que escreve como convidada no http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt - só não o reproduzi na íntegra, por ser mais longo do que os post´s que aqui costumo colocar - porque ele aborda outras questões de igual interesse, em particular as que respeitam o Orçamento do próximo ano para a Administração Interna.
Havemos de ir sabendo a verdade a prestações. Não sei se alguma vez a conheceremos toda. Mas há quem acredite que ela acaba sempre por vir à tona...

HSC