quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Feliz Ano Novo

A todos os que pacientemente me leram durante o ano que agora finda eu desejo que 2017 traga a cada um a sua dose de felicidade!

HSC

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O idoso e a criança de colo

“Entra amanhã, dia 27, em vigor o decreto-lei que estende a todas as entidades públicas e privadas a obrigatoriedade de ser prestado atendimento prioritário às pessoas com deficiência ou incapacidade, pessoas idosas, grávidas e pessoas acompanhadas de crianças de colo.
…As entidades que não cumprirem estas regras podem vir a ser multadas por tal, visto que, com a nova lei imposta, quem não prestar atendimento prioritário nos casos previstos incorre na prática de uma contraordenação social, punível com coima de 50 a 500 euros se for pessoa singular.
Se se tratar de uma pessoa coletiva ou do próprio Estado, a coima vai dos 100 aos mil euros.”

                          (In País ao minuto)

É pena que um país tenha de legislar sobre esta matéria. Mas já que a isso o nível educacional da terrinha obriga, pergunto:
Que idade estabelece a lei para um “idoso”?
Que idade tem uma “criança de colo”?
Gostava de ver esclarecidas estas questões, porque já assisti, várias vezes, a pessoas com mais de 70 anos, não serem tratadas como idosas e, em compensação muitas mães com crianças de dois e três anos ao colo, serem objecto de tratamento prioritário. Ora o que a lei estabelece é “criança de colo” e não criança “ao colo”.
Pessoalmente penso que um idoso é alguém com mais de 65 anos e uma criança de colo é aquela que não anda, ou seja, que tem no máximo ano e meio..
Portanto, mais uma vez, cá estamos nós a legislar sem especificarmos os conceitos que utilizamos. Nada que surpreenda, confesso!

HSC

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O mundo às avessas?

Já todos os que me lêem sabem que o Natal me traz tristes recordações com a morte da minha mãe a ensombrar este dia. Entro quase sempre num período de nostalgia que, felizmente, se concentra todo nesta semana. 
Este malfadado 2016 levou-me bons amigos, deu-me outros - sim, maravilha das maravilhas, ainda continuo a fazer amizades, como se os anos não pesassem - e mantém alguns sob o peso da doença, o que entristece todos nós.
Mas podiam, ao menos, as noticias do mundo serem boas para alegrar a época. Por azar, não são. O mundo acorda todos os dias com uma loucura pior. São atentados horríveis, desgraças naturais, aviões que caem ou são desviados, pessoas que morrem por estarem no local errado, enfim, países que até elegem presidentes como Trump.
Salva-se Portugal que sorri com ou sem razão. É que a geringonça caminha de mão dada ao PR e os partidos de esquerda que apoiam o governo, parecem não lamentar muito que as suas exigências fiquem apenas pela metade. 
Alguma vez alguém terá considerado isto possível? Duvido. Mas que, num mundo às avessas e à esquerda, Portugal anda direitinho, disso não há qualquer dúvida...

HSC

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Aos meus amigos neste Natal

Contei meus anos
E descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente
Do que já vivi até agora
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras ele chupou displicente,
mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
Cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis,
para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias
que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas
que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigam pelo
Majestoso cargo de secretário geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
Minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
Muito humana; que sabe rir de seus tropeços,
não se encanta com triunfos,
não se considera eleita antes da hora,
não foge da sua mortalidade.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.

"AMIGOS NÃO SE DESPEDEM,MARCAM UM NOVO ENCONTRO"

                    (Poema de Mário de Andrade)

sábado, 17 de dezembro de 2016

Cair na esparrela...


Todos os que me lêem sabem que não tenho Natal com alegria, desde que há muitos anos, perdi a 25 de Dezembro a minha Mãe. Nada a fazer. Estou presente nas reuniões de família, mas o meu espírito está sempre longe. Assim, e ao contrário de tudo o resto, em que muito antes de chegado o prazo limite, as obrigações estão já cumpridas, este ano não me apeteceu fazer compras.
Sentindo culpas no cartório e tendo a possibilidade, hoje, de usufruir de motorista, eis que me desloquei ao Corte Inglês, para tentar comprar uns presentes. O desenlace de cair em tal esparrela, ultrapassou tudo o que pudesse esperar. Só consegui adquirir duas agendas - uma para mim, outra para o escritório - e um mínimo de bens alimentares para aguentar o fim de semana. E já foi uma violência psicológica tremenda. O mar de multidão, ao meio dia, era indiscritível. Saí dali a correr e a pedir ar fresco. Cheguei a casa morta de cansaço e a única actividade que consegui ter, foi escrever este post!
Não volto, de certeza, a cair na esparrela de ir a um centro comercial, em vésperas de Natal, fazer compras. Mas não arrisco dizer irrevogavelmente...

HSC

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Inovar Saúde: Cancro 2020

Hoje participei da 4ª edição do Think Tank que se ocupou do tema que dá titulo a este post e que tem sido uma iniciativa da Universidade Nova e da Escola de Saúde Pública, com o apoio da Roche. Quando me convidaram para fazer um depoimento tive muitas dúvidas em aceitar, porque considerava que nada poderia acrescentar ao que uma plêiade de especialistas iriam debater sobre a matéria. E falar de cancro continua a doer-me muito.
Pedi, por isso, um tempo para pensar. Acabei por aceitar, entendendo que com isso, faria um preito de homenagem à minha Mãe, que se debateu 18 anos com a doença, e ao meu filho Miguel cuja luta, infelizmente, pouco mais durou do que dois anos. E, confesso, por acreditar que se tivesse engenho e arte, poderia dar testemunho do caminho percorrido nas três décadas que separam estas minhas duas perdas. Se o consegui ou não, só os que me ouviram poderão avaliar.
Pelo meu lado, assisti a uma boa parte das mesas redondas e aprendi muito com o que ouvi, nomeadamente com a preocupação de centrar a atenção no doente, para quem se pretende não só o melhor tratamento clínico, mas também a humanização que a partir da descoberta  da doença ele vai necessitar de ter.
Pode muita coisa ficar pelo caminho, pode dizer-se que depois não há seguimento, que o interior se sente discriminado em relação ao litoral, que as coisas não passam do papel. Será verdade em muitos casos. Mas também é verdade que em Portugal os índices de saúde são melhores do que em vários países ricos e que a diferença entre o que havia no tempo da minha progenitora e o que houve no tempo do meu filho não tem comparação.
Três palavras finais de apreço. Uma para a Clara de Sousa, que conduziu de forma exemplar a moderação dos debates. Outra para o Ministro da Saúde que fez o encerramento com um discurso que me tocou e que me vai fazer estar atenta ao seu percurso no governo. Finalmente, outra à farmacêutica Roche, pela forma como tratou os seus convidados. Enfim, uma manhã que me enriqueceu e que por algumas horas me trouxe de volta a Mãe e o Filho.

HSC