Leio que a ”medida-chave
contra incêndios é facultativa". Leio de novo para ver se percebi. Trata-se
do destino a dar às terras abandonadas, cujo mato nunca é limpo, e que nesta
época são sempre potenciais focos de incêndios florestais.
Capoulas Santos falou
sobre o tema, no fundo, para publicamente dizer que os municípios que vierem a
assumir voluntariamente a posse da floresta sem dono, deverão fazê-lo de forma
voluntária e tendo a capacidade de gerir esses perímetros florestais.
Como era de esperar houve
logo quem se demarcasse dessa possibilidade. Quem? Claro que foram os três autarcas
das áreas mais martirizadas pelos fogos deste ano - Arcos de Valdevez, São
Pedro do Sul e Arouca. Alegando, como se esperava, não ter capacidade para
assumir tal responsabilidade...
Este permanente
"passa - responsabilidades" do poder central para o autárquico e do
autárquico para o central é, depois de tudo o que se passou, absolutamente
inaceitável.
E a ideia de que tal
responsabilidade possa ser facultativa – e não o são, afinal, todas aquelas que
o poder autárquico vem exercendo?! – é que me tira do sério e me leva a crer
que, para o ano, voltaremos a estar, mais uma vez, impotentes perante a
repetição desta tragédia que é o resultado da irresponsabilidade, da
incompetência e do laxismo de quem tem a obrigação de, no mínimo tentar, com
seriedade, combater este drama sazonal.
Muito se falou, também,
sobre um eventual aumento das penas dos incendiários, como se isso fizesse dissuadir pessoas com falta de tudo o que
é racional, inclusive, em muitos casos, do próprio equilíbrio mental.
É aos políticos deste país que se têm de pedir
responsabilidades por não alterarem as políticas de gestão florestal, as políticas
de prevenção contra incêndios florestais e as políticas de combate a esses mesmos
incêndios. Se isso tivesse sido feito, decerto não teríamos tido metade do
país a arder. Marcelo prometeu acompanhar este assunto de perto. Oxalá o faça!
HSC
Nota: hoje há Agenda de Sabores