domingo, 3 de abril de 2016

Isto está mesmo muito calmo


Como eu dizia no post anterior, o país voltou a sorrir, está calmo e como dizia ontem uma das minhas comentadoras, que apreciava o despique político, agora não vê televisão, porque tudo lhe parece um marasmo. Refugia-se nas séries policiais.
Eu, ao contrário, agora vejo telejornais, embora não tenha abandonado os programas policiais e os de cozinha. Qualquer dos três me diverte imenso, sobretudo o primeiro com as sucessivas aparições do PM, que festeja tudo o que pode e faz bem. E quando não é para festejar é para se explicar, seja Banif, seja Novo Banco...
Por outro lado, no Congresso do PSD, apesar de apenas ter ouvido duas vozes dissidentes, pareceu-me hoje que Pedro Passos Coelho estava num tom menos pacato e gostei de ver que ele puxou pelas mulheres. E, melhor ainda, que estas começam a gostar de política. Não por serem estas, já que não conheço nenhuma delas - nem sequer Assunção Cristas - mas porque o BE deixou de ser o único partido onde elas mandam e bem.
A única engrenagem que julgo estar pouco oleada é a banca. Essa, infelizmente mexe muito e desconfio que ainda irá mexer muito mais. Todos quererem atribuir a culpa de tudo o que nela acontece a Carlos Costa, o que me parece conter certa injustiça. E, creio, ao contrário de muitos, que um dia se irão perceber melhor as decisões que ele tomou. Estou à vontade para o afirmar porque nunca trabalhei com ele, nem lhe devo favores. Mas não tenho qualquer dúvida em considerar que ele é muito mais sagaz como governador, do que foi Vitor Constâncio, de quem surpreendentemente ninguém fala...
Mas, como ia dizendo, fora a banca - já agora como estarão os seguros? - isto está mesmo muito calmo!

HSC

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Estão todos muito bem...


Como eu me tenho, agora, divertido a ler e ouvir os comentadores políticos. Opostos ou do mesmo plantel. Chegou, finalmente, a minha vez de olhar a política com a bonomia que ela merece...
Rio não vai ao Congresso para não o desestabilizar, disse-o, ontem em entrevista televisiva e com efeito quase igual ao que conseguiu Marcelo, quando pôs os congressistas de pé, a aplaudi-lo, numa sala que o não esperava.
O Presidente vai apoiando o governo e dando umas suaves bicadinhas na oposição que sente frouxa, com a arte política de que só ele é capaz.
Passos, esse, parece ainda não ter acordado para a realidade e continua a mencionar o passado como se fosse com ele que poderá combater o presente.
Cristas está cheia de vigor e parece saber que o seu tempo não está para estados de alma, porque esta é a altura ideal para  repescar os votos que fugiram ao CDS nas eleições legislativas. E tem a seu favor, poder começar quase tudo de novo.
Como se vê estão todos muito bem, muito satisfeitos e à parte uns "delitos" que há muito se esperavam na banca - por mim, ainda estou à espera de outro, oxalá me engane - os actuais situacionistas estão numa fase que quase diria de lua de mel. Pelo menos é o que transparece. E há quem acredite que em política o que parece, é!

HSC

terça-feira, 29 de março de 2016

“A triste geração que virou escrava”


“E a juventude vai escoando entre os dedos.
 Era uma vez uma geração que se achava muito livre.
Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.
Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguer, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.
Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.
 Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.
Frequentou as melhores escolas.
Entrou nas melhores faculdades.
Passou no processo seletivo dos melhores estágios.
 Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão.
 E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.
Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.
 Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.
 O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.
 O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício.
O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto. 
Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.
 Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.
 Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.
 Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.
Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim.
Mas para a vida, costumava ser não: 
Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.
 Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.
 Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório. 
Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.
 Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia. 
Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.
 Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.
 Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.
 Só não tinha controle do próprio tempo.
Só não via que os dias estavam passando.
 Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bónus do final do ano não comprariam os anos de volta.”

Texto de Ruth Manus in

http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/a-triste-geracao-que-virou-escrava-da-propria-carreira-2/ elogiado por Mia Couto


HSC

Nota: Hoje há Estado da Arte

sexta-feira, 25 de março de 2016

quarta-feira, 23 de março de 2016

O País das Maravilhas


"Adoro Portugal. Mesmo hoje, quando há mais razões para sair do que para ficar. Porque fiquei quando podia ter saído, penaliza-me e entristece-me quando o vejo diminuido, dependente e incapaz de reagir.
Julguei, um dia, que este estado de espírito só se verificava nas chamadas ditaduras. E que quando a democracia se instalasse nunca tal fosse possível. Porque, pensava eu, uma revolução não se faz apenas para ter mais liberdade. Faz-se, também e sobretudo, para que todos possamos viver melhor...
O que é que nos aconteceu? Somos, de facto, mais livres. Mas somos melhores? Vivemos em melhores condições? Temos mais educação? Somos mais cultos? Valorizamos mais a excelência? Temos valores mais autênticos?
Temo que a resposta a estas perguntas não seja a mais animadora. Pior, receio que alguém se preocupe muito com este tipo de questões. Lamentável!"


Este texto é meu e foi publicado em 26 de Janeiro de 2009. Mandaram-mo hoje, sete anos passados, perguntando-me se mudava alguma coisa. É claro que, infelizmente, não  mudava nem uma letra...

HSC

domingo, 20 de março de 2016

Abençoados 50!


Há muito que defendo que a melhor parte da minha vida começou aos 50 anos, liberta de todos os constrangimentos que até aí me rodearam. Os amigos riem-se, mas reconhecem a verdade dos factos. Até àquela idade apenas aprendi a viver e a utilizar as ferramentas de que dispunha. E, vá lá, a libertar-me de uns contrapesos que me andavam - sabe-se lá porquê - atrelados.
Acabo de ler na revista Sábado uma noticia em que se afirma que o índice de infelicidade dos britânicos só muda e começa a melhorar quando chegam aos 60. Os resultados foram revelados pelo Gabinete Nacional de Estatística do Reino Unido que interrogou 300mil adultos entre 2012 e 2015 sobre felicidade, satisfação e ansiedade.
Por mim, nem paga a peso de ouro, eu voltava às décadas anteriores. Quando me lembro dos 30 e dos 40, lá para trás, até sinto calafrios...
Depois dos 50 e à excepção da morte de um filho, descobri o que sinto ser a felicidade e aquilo que ela nos pode proporcionar. Descobri, na verdade quem sou e quem quero ser. Está quase tudo definido na vida profissional e na vida pessoal. E a liberdade ousa, finalmente, ser o que nunca foi...Como costumo dizer, abençoados 50 que me permitiram ver, sem óculos, muito bem tanto ao longe como ao perto!

HSC

Nota: Hoje há Estado da Arte

sábado, 19 de março de 2016

A NOS e eu


Por norma os portugueses sabem reclamar sempre que as coisas correm mal, mas por norma esquecem-se com muita frequência de, agradecer e elogiar quem lhes presta um serviço de qualidade. Tenho tentado sempre ao longo da minha vida e, dentro do possível, seguir este critério, não deixando de elogiar o próprio e de dar conhecimento à empresa da causa desse elogio. 
Já aqui vos dei conta dos meus desaires tecnológicos. Pois bem, hoje tenho que fazer um elogio público à forma como a NOS tratou o meu problema. Primeiro tentou resolve-lo pelos meios próprios. Depois, e porque de facto este El Capitan que descarreguei por ser a versão mais moderna do Chromo - programa com o que trabalho bastante -, tem criado várias dificuldades, enviaram-me pessoal da pc Medic que finalmente  recuperou na quase totalidade o que eu não encontrava. 
Foram de uma pontualidade e eficácia notáveis. E não foi apenas agora, porque já não é a primeira vez que a eles recorro, sempre atendida com a mesma gentileza e atenção. Assim é da máxima justiça que aqui agradeça publicamente a forma como agora se ocuparam de mim, explicando-me passo a passo o que iam fazendo. 
E se este reconhecimento se dirige ao pessoal de ambas as empresas, não posso deixar de referir quem os representa e coordena, a Dra Margarida Proença, que não conheço pessoalmente mas que, no meu caso, é o rosto da empresa que tão bem me tem tratado!
A NOS está de facto de parabéns pela competência e pelo pessoal humano que possui.

HSC