quinta-feira, 18 de junho de 2015

Pessoas de quem eu gosto: Miguel Stanley (11)


Tive sempre um enorme cuidado com os meus dentes. Durante anos mantive o mesmo dentista e, só quando ele desapareceu, é que se pôs o problema da sua substituição. Passei, então, para o Dr Eurico de Freitas - cunhado do meu cardiologista -, que morava e tinha consultório ao lado da minha casa.
Os anos passaram e o Dr Eurico decidiu vender a clínica a um jovem, o Miguel Stanley, cuja primeira consulta minha e do meu filho - as obras na Lapa ainda não estavam terminadas - foi no consultório de um amigo nas cercanias de Cascais. Não nos conhecíamos e o encontro deu-se numa bomba de gasolina, pelas oito da manhã!
Daí nasceria uma sólida amizade entre nós três e o Paulo não se entrega nas mãos de mais ninguém. De facto, seja em Lisboa, seja no estrangeiro, ele está sempre disponível e seria muito difícil encontrar uma pessoa que nos tratasse com mais afecto. 
No fundo, são 17 anos que nos ligam ao Miguel, em que a única saudade que tenho é a do tempo em que só ele se ocupava de mim. Hoje, isso é quase impossível, porque a sua clínica possui médicos especializados por áreas de tratamento e eu tenho alguma dificuldade em ir parar a outras mãos que não as suas, porque é nelas que tenho total confiança, por melhor que as outras sejam e são-no.
De qualquer modo, o amigo , esse, não foi substituído por ninguém e o seu lugar no meu coração está por ele cativo para sempre!

HSC

terça-feira, 16 de junho de 2015

Gémeas


Ela entrou na sala um pouco receosa. Estava ali por dever de ofício, no cumprimento da função de substituir o seu administador no cocktail daquela Embaixada. Num rápido relance pareceu-lhe não conhecer nenhum dos presentes. Pegou na bebida que um delicado empregado lhe oferecera e dirigiu-se para o jardim, na esperança de ver alguem conhecido. Esperança gorada que costuma acontecer a quem, como ela, se afasta do país muitos anos.
De repente, sentiu que alguem se aproximava para a cumprimentar. Teve a vaga sensação de um rosto que lhe não era totalmente estranho.
- Perdõe-me a ousadia. Mas não é a Joana Valpaços?
- Sou, sim
- Eu sou o Martim Guedes, amigo do seu irmão e colega dele no Valsassina.
- Ah! Desculpe mas não o reconheci.
- Namorámos dois anos...
- Como?!
- Sim, namorámos nessa época, nas férias, na Praia das Maçãs. Eu estava na Colónia de Férias do Colégio.
- Deve estar enganado. Eu não ia para essa praia. O meu irmão é que sim.
- Não pode ser...
- Pode sim. A minha irmã gémea, a Leonor, sempre gostou imenso de se fazer passar por mim!

Martim, atrapalhado, balbuciou umas palavras, despediu-se e desapareceu. Joana sorriu e pensou que afinal sempre valera a pena ter ido ao cocktail e pregado uma partida...

HSC

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Entre homens...

Eles estavam no bar de um bom hotel. Já tinham falado de tudo e mais alguma coisa. Ambos empresários, criticavam a política como se dela fizessem parte. Um situacionista, ainda não estava contente com a TSU e defendia que a mesma teria de descer mais. O outro, nem queria ouvir falar da dita embora não se percebesse porquê. Finalmente falaram de mulheres.
- Tu já viste a sorte do Zé?
- Sorte porquê?
- És parvo ou quê? Então o gajo não anda com a Marta?
- É pá, mas a Marta é casada com o teu sócio.
- Por isso mesmo. Aquela já tem editor responsável...
- Ah! De facto, é um ponto de vista. Não tinha pensado nisso.
- Pois é. Ele é que a sabe toda. Assim alarga o negócio!

HSC

domingo, 14 de junho de 2015

Diálogos dominicais


Era Domingo e na praia o sol estava insuportável. Manuel e Maria abrigavam-se debaixo de um chapeu de sol. A geladeira estava à sombra, mas um pouco distante. O Zezinho brincava a fazer castelos de areia.
- Maria da-me uma cervejola
- Estou muito cansada. Vai tu busca-la.
- Ó Zezinho traz uma cerveja ao Pai
- Agora estou a fazer castelos, não posso.
- Traz já a cerveja se não queres apanhar uma nalga...

HSC

sábado, 13 de junho de 2015

A instalação...

Disserem-lhe que tinha de ir ver. Que era uma instalação belíssima. Manuela que ambicionva ser uma mulher culta, foi. Não viu nada. Apenas uns ferros no meio de uma sala, que deviam ter ficado ali para serem arrumados. Saíu.
Mas voltou atrás para pedir ao empregado do museu que lhe dissesse onde estava a instalação. E o empregado apontou-lhe o monte de ferros no meio da sala. Ela educadamente agradeceu e sorriu. Estava mais culta...

HSC

Vá lá, uma pincelada de política


Este é o quadro - roubado do http://daliteratura.blogspot.pt - que resume os resultados do inquérito feito pela Eurosondagem para a Sic e para o Expresso. Afunila-se a distância entre o PS e a coligação, mas os portugueses continuam a acreditar mais nas propostas de António Costa - 42,9% - do que nas de Passos Coelho - 24,6%.
A popularidade do líder socialista também continua superior à do actual PM. A cem dias das eleições é tempo, para os votantes, de reflectir porque a campanha, essa, já começou há bastante tempo!

HSC

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Pessoas de quem eu gosto: Francisco Pires de Lima (10)


A minha amizade pela família Pires de Lima é muito antiga. Começou naquela confusa manhã do dia 25 de Abril de 1974, quando a matriarca da família levou consigo, do local onde estudavam, lá para os lados do Lumiar, o seu e o meu filho mais novo.
Seguir-se-iam muitos anos em que a minha vida esteve sempre entregue aos cuidados do patriarca, o meu querido amigo, Dr António Pires de Lima, a quem devo o sossego de que gozei e gozo, no que respeita à condução dos assuntos da família.
Mas chegou um momento em que decidi tomar decisões sobre o que acontecerá após a minha morte. Dado o seu estado de saúde estar fragilizado, impunha-se a sua substituição e, portanto, era necessário encontrar quem desse continuidade ao trabalho antes desenvolvido.
Não foi fácil fazer a escolha porque advogados naquela família há vários e todos bons. Como sou uma criatura de sorte escolhi - e fui aceite - aquele que não conhecia, o Francisco Pires de Lima. A vida haveria de me demonstrar o acerto da escolha, pois hoje sou sua amiga e fã incondicional.
Trata-se de um profissional de mão cheia e um homem de grande qualidade humana. Creio não exagerar ao dizer que será um dos nossos grandes advogados e que o seu apelido fará jus ao do seu Pai.
À distância dos anos, já dei comigo a misturar ambos, tal a semelhança entre eles. Entrego-lhe, neste momento, tudo quanto regula a minha vida pessoal e familiar e deposito nele uma total confiança. Como já antes fizera com o seu progenitor. A diferença maior entre os dois será temperamental. No filho há, talvez, mais doçura. Ou, então, sou eu que hoje sou mais mansa!

HSC