quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A dura realidade

Se outras razões não houvesse, a Comissão de Inquérito ao BES, já teria valido a pena só pelo que nos mostrou das fragilidades do sistema financeiro nacional. E ainda não ouvimos tudo. Na verdade, quando se assiste aquilo a que temos assistido, podemos perguntar-nos que outras fragilidades não existirão e que nós desconhecemos.
Alguém me dizia, há tempos, que a prova de força de uma família se faz por ocasião das partilhas. Quando se acompanha o desenvolvimento de toda esta saga familiar de interesses patrimoniais, perguntamo-nos o que é que fica dos afectos, do respeito, do orgulho por um nome comum. Por muitos anos, aqueles que o usarem irão ser lembrados pelas piores razões.
Não tenho grande património e vivo, ainda, do meu trabalho. Mas já fiz testamento, para que o que cá possa ficar, seja distribuído como eu quero e não como a lei me imporia, no caso de eu não manifestar a minha vontade própria.
Assistir ao desenrolar  destes acontecimentos, se nunca me fez duvidar dos meus, tem-me feito pensar que ter muito dinheiro é meio caminho andado para o inferno. Ou, dito de outra maneira, é meio caminho andado para perceber a dura realidade!


 HSC

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Informar versus opinar


"...Ora, quando os jornalistas escrevem opinião  —  dizendo o que entendem sobre o que entendem  —  estão a arriscar-se a subordinar o seu dever de informação, bem como o peso social gerado pela visibilidade da função de informar, ao seu direito de ajustarem contas, de tomarem partido, até de suspeitarem. É porque são jornalistas com coluna publicada ou com editorial que a sua opinião conta, ou seja, importam porque se presume que farão o trabalho de jornalistas, mesmo quando o estão a contrariar, substituindo informação por uma campanha. Naturalmente, quando se dedicam a fazê-lo sob a forma sublime da conversa de café, o uso do poder discricionário da sua opinião sentenciosa é mais flagrante."

                                  Eduardo Pitta in daliteratura.blogspot.com

Este texto foi retirado de um outro, mais longo, sobre Sócrates. Já aqui disse que me não pronunciaria sobre tal tema, antes de serem conhecidas todas as peças do processo. É uma questão de idoneidade e bom senso não falar daquilo que se não sabe.
Aquilo que me faz reproduzi-lo é o facto de ele abordar uma questão grave que se refere à confusão estabelecida entre jornalista e opinador. Ao primeiro, enquanto tal, compete informar de modo isento e sem estados de alma que influenciem esse dever. 
Ao contrário os outros podem opinar - é mesmo isso que se lhes pede - porque não estão abrangidos por essa espécie de juramento que, aliás, também existe noutras profissões. 
Quando o jornalista confunde estes dois campos e se serve do seu poder de informar, para influenciar em determinado sentido a opinião pública, comete uma forma de perjuro. O qual, infelizmente, se está a tornar muito comum entre nós. É pena!

HSC 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Uma bela idade!


Hoje fiz anos. Amanhão voltarei a faze-los, já que tendo nascido aos primeiros minutos de 8 de Dezembro, o meu Pai me registou a 7, para que eu pudesse, no feriado, descansar da brincadeira do dia anterior. Assim, passei a festejar em duplo esta data. E continuo a brincar tanto quanto possível.
Nunca escondi a idade, nunca me submeti a intervenções plásticas e não tenho especial atenção no que a tratamentos de beleza diga respeito. Sobretudo, porque não tenho paciência e julgo sempre que o tempo que neles se gasta pode ser melhor utilizado em proveito do interior.
Todavia gosto de me arranjar e de tentar valorizar o que possuo. Não descuido a imagem porque ela me ajuda na profissão que escolhi e porque entendo dever manter no melhor estado possível, aquilo que em vida recebi. 
Várias amigas me recriminam esta posição dizendo-me que a velhice nunca ajudou ninguém. Ao que eu contrponho que a velhice nunca me prejudicou, o trabalho nunca me faltou e que foi depois dos cinquenta que a felicidade bateu forte à minha porta. Viva, por isso, esta bela idade!

HSC

E se fosses tu?

(E se fosses tu?)

Não tenho planos, nem promessas, nem

filhos que nos convidem para almoços
de domingo - a minha ideia de família
resume-se a um retrato velho preso numa
gaveta; e do amor possível sei tão-só


o que li nos romances que me salvaram
da desordem quando o meu tempo
andava de ferida em cicatriz. Mas guardo
ainda muitos por estrear para essa estante


que ergueste no corredor como uma casa
nova. E trago portas abertas no coração:


se ainda não sabias, és muito bem-vindo.

(Maria do Rosário Pedreira)

Aqui fica um poema belíssimo que “roubei” do blog da Aldina Duarte, uma fadista de quem muito gosto, grande amiga do meu filho Miguel, que decidi partilhar convosco.

HSC

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Um homem normal

Se for verdade é para coleccionar. Se não for verdade, tem fortes probabilidades de ser tomado como autêntico. Porque será? Acredito que seja por se tratar de um homem normal!

HSC

O caminho da saída


"A propósito de Congressos, sejam eles de que partidos forem. Ou de comícios. Qual a razão de os políticos, com apenas algumas excepções, estarem aparentemente tão zangados quando falam? E de discursarem aos gritos? Estão zangados contigo? Comigo? Com os apoiantes? Com os abstencionistas? Com os adversários? É que eu, pela minha parte, não lhes devo nada. Faltava mais ter ainda de os aturar aos gritos."

                          Rui Rocha, in Delito de Opinião

Há muito tempo que penso o mesmo. Direi mesmo mais: esta gritaria afasta do televisor aqueles que, não sendo filiados nos partidos em Congresso podem, todavia, estar interessados em ouvir o que por lá se diz. Ora a agressividade do tom de voz daqueles que usam o microfone é tal, que só mesmo os filiados se podem sentir atraídos pelo discurso.
Eu sei que o caso não é apenas nacional. E que tem origens bem antigas. Mas, por experiência, sou  levada a pensar que nos países latinos a situação se agrava, até porque a linguagem corporal acaba também por acompanhar o exercício. E o famoso dedo indicador não deixa em cada um deles de nos indicar o caminho de saída...seja ela qual for!

HSC