terça-feira, 14 de outubro de 2014

A Mística do Instante


Ando numa faina de lançamentos. Há dias foi a Patricia Reis, hoje Tolentino de Mendonça, amanhã será Alice Vieira e a 2 de Dezembro serei eu. Não falto aos meus amigos na hora do parto porque - não sendo escritora mas escrevendo -, sei que um ivro é um trabalho muito solitário, que necessita duma explosão de amizades quando vê a luz do dia.
A Mística do Instante é um ensaio filosófico. Tolentino, que é um homem que não só gosta de contrastes, mas também de estabelecer pontes com os outros - pensem estes como ele ou não -, escolheu para apresentar o seu livro o jornalista Carlos Vaz Marques, um declarado agnóstico.  O qual fez uma polémica  apresentação de que eu gostei muito, mas que deve ter soado a música dodecafónica a alguns ouvidos menos preparados.
A tarefa não podia ser fácil, como se depreende. Tolentino falou de mística e serviu-se dos nossos cinco sentidos para abordar a nossa relação com Deus e Carlos Vaz Marques serviu-se desses mesmos cinco sentidos para falar de paixão, erotismo e temporalidade.
E todos ficámos com a impressão - pelo menos, eu fiquei - de que, apesar das diferenças, ambos falavam do mesmo, desse ser humano cuja grande aventura é, afinal, viver!

HSC

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A 13 de Outubro


Não chores pelo que perdeste. Luta pelo que tens.
Não chores pelo que está morto. Luta pelo que nasceu em ti.
Não chores por quem te abandonou. Luta por quem está contigo.
Não chores por quem te odeia. Luta por quem te quer.
Não chores pelo teu passado. Luta pelo teu presente.
Não chores pelo teu sofrimento. Luta pela tua felicidade.  

Palavras do Papa Francisco. Boas para serem lembradas hoje dia 13 de Outubro.

HSC

domingo, 12 de outubro de 2014

Está explicado!


"Entretanto, a Câmara Municipal de Lisboa acaba de aprovar um donativo de 40 mil euros à Fundação Mário Soares."

Estão explicados os buracos na minha rua, a verdura que sai da calçada lisboeta e as trepadeiras que sobem pelas paredes dos prédios. É que o orçamento não permite!

HSC

Ainda Maastricht.


As palavras que se seguem são excertos de um artigo de Wolfgang Munchau para o Financial Times, que o Díário Económico publicou a 7 de Outubro. 
Parece que o grande receio de Bruxelas "é que a nova Comissão Europeia não seja suficientemente restritiva na aplicação das regras do défice previstas no tratado de Maastricht".
Pese embora não estar inteiramente de acordo com as sugestões feitas, vale a pena pensar nelas.

“...é de crer que eventuais medidas drásticas terão de ser tomadas via política monetária. Eis a mensagem do extraordinário Relatório de Genebra, compilado por um grupo de académicos, para os quais existe o risco real de uma estagnação secular, isto é, um período prolongado de crescimento reduzido e fraca procura. Neste contexto, recomendam uma nova expansão monetária, incluindo medidas de "alívio quantitativo" combinadas com um compromisso credível para manter as taxas de juro baixas por um longo período de tempo. 
Já agora, sugiro que também suspendam o pacto orçamental, uma vez que França e Itália não estão em condições de cumprir as metas orçamentais num futuro próximo. Infelizmente, o debate seguiu o rumo inverso.
...É deprimente saber que na primeira semana de audições do Parlamento Europeu aos futuros comissários nenhum tenha apresentado ideias novas sobre a sustentabilidade do euro.
Talvez a pressão externa surta algum efeito - como sempre aconteceu. Recomendo, por isso, às figuras de topo da finança global que confrontem Washington com a estratégia da zona euro questionando-a em detalhe. Se descobrirem alguma, claro."

HSC

Maratonas...


Parece que o OE 2015 foi aprovado ao fim de 18 h de reunião. Este será o último Orçamento de Estado do actual Governo e o primeiro que vai ser aplicado depois da saída da troika. Consta que a reunião terminou de madrugada e foi interrompida duas vezes
 A reunião começou às 9h de sábado e terminou às 3h da madrugada de domingo. No final foi emitido um breve comunicado oficial com dois parágrafos em que se anuncia que "o Conselho de Ministros aprovou a proposta de lei do Orçamento do Estado para 2015". E acrescenta que "foram também aprovadas as Grandes Opções do Plano para 2015, após a devida consideração sobre as observações constantes do parecer do Conselho Económico e Social”.
A maratona dos ministros teve direito a duas pausas: a primeira ao início da tarde para almoço, durante pouco mais de uma hora, segundo a Lusa. A segunda, para jantar, por volta das 22h, segundo o Público. 
O Governo terá agora três dias para 'limar' as linhas mestras do Orçamento de Estado que deve ser entregue na Assembleia da República até à próxima quarta-feira, dia 15.

Não consigo compreender, apesar de ter uma carreira profissional de mais de 50 anos, que se façam com alguma regularidade - foram várias nestes três anos - maratonas deste tipo. 
É um péssimo exemplo. Não só de gestão profissional, que leva todos nós a interrogarmo-nos sobre a razão de tal acontecer, como de vida de familia que é sistematicamente colocada numa posição secundária. E nem sequer constitui exemplo de dedicação ao trabalho, porque estes excessos só podem revelar que o que tinha de ser feito, não o foi em tempo útil. É caso para dizer "e levei eu uma série de anos a lutar para que os meus soubessem hierarquisar de forma saudável trabalho e afectos". Valeu a pena...

HSC

sábado, 11 de outubro de 2014

Estilos


Ao longo da minha vida, julgo ter dado à cidadania, a importância que ela tem no meu estilo de vida. Não foi nunca através do exercício da política activa, mas nunca me furtei a apoiar publicamente as causas que considerei justas, nem silenciei o que penso ser errado.
Um ou uma comentadora anónima, no meu post sobre os Cuidados Paliativos - em que pedia meio minuto de silêncio, para hoje nos lembrarmos deles -, chamou a minha atenção para o facto de não ser com atitudes destas que as coisas se resolvem, mas sim com barulho, muito barulho e revolução. Respondi, como seria de esperar, à sua sugestão.
Mas julguei que valia a pena fazer um post sobre o assunto. Todos os países têm os seus Guevara. Para o bem ou para o mal, eu não sou um deles. 
Cada um tem o seu estilo próprio e sair dele dá, por norma, mau resultado. Não sei viver em conflito. Nem quero. Fui educada a tentar perceber a posição daqueles que não pensam como eu, mas isso não quer dizer que tenha que actuar como eles.
As revoluções não têm obrigatoriamente que ser feitas com violência, embora seja essa a prática corrente, marginalizando os que não sabem ou não querem pegar em armas. Estes, entre os quais me incluo, não baixam os braços. Lutam por ideais e mudam sempre que são convencidos. Sem medos ou vergonhas. Mas acreditam que o peso da palavra pode ser superior ao peso de uma metralhadora. 
E acreditam que, muitas vezes, os apologistas das revoluções e do barulho, não podendo faze-los, acabam por ficar de braços caídos...

HSC

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Os prémios...



"Talvez isto dos prémios não seja assim tão importante. Na realidade, qualquer escritor fará bem, se puder, em não conceder a menor importância a um prémio recebido, mas aqueles que o sufragam e outorgam estão obrigados a conceder-lhe a maior importância, se não querem incorrer em cinismo. O premiado é acidental e transitório, para não dizer efémero; os que premeiam, em contrapartida, costumam ser insistentes, para não dizer permanentes, e, em boa medida, a sua lista de galardoados é aquilo que os define e torna mais ou menos prestigiados e respeitáveis enquanto premiadores, enquanto autoridades na matéria".

Estas palavras são o intróito de um post de Rui Herbon, no Delito de Opinião. Que faço minhas, porque o Nobel da Literatura deste ano me não disse absolutamente nada. Não o conhecia.
Mas desde que o Nobel foi atribuido a escritores menores ou a pacifistas que se tornaram guardiões da guerra, passei a considera-lo com uma atenção muito relativa...

HSC