Ando numa faina de lançamentos. Há dias foi a Patricia Reis, hoje Tolentino de Mendonça, amanhã será Alice Vieira e a 2 de Dezembro serei eu. Não falto aos meus amigos na hora do parto porque - não sendo escritora mas escrevendo -, sei que um ivro é um trabalho muito solitário, que necessita duma explosão de amizades quando vê a luz do dia.
A Mística do Instante é um ensaio filosófico. Tolentino, que é um homem que não só gosta de contrastes, mas também de estabelecer pontes com os outros - pensem estes como ele ou não -, escolheu para apresentar o seu livro o jornalista Carlos Vaz Marques, um declarado agnóstico. O qual fez uma polémica apresentação de que eu gostei muito, mas que deve ter soado a música dodecafónica a alguns ouvidos menos preparados.
A tarefa não podia ser fácil, como se depreende. Tolentino falou de mística e serviu-se dos nossos cinco sentidos para abordar a nossa relação com Deus e Carlos Vaz Marques serviu-se desses mesmos cinco sentidos para falar de paixão, erotismo e temporalidade.
E todos ficámos com a impressão - pelo menos, eu fiquei - de que, apesar das diferenças, ambos falavam do mesmo, desse ser humano cuja grande aventura é, afinal, viver!
HSC





