domingo, 10 de agosto de 2014

Finalmente o 44/46


Quando era nova vestia o tamanho 38/40. Não era gorda, mas estava longe de ser um conjunto de ossos ligados por tecido muscular. Era o que se chama de portuguesa padrão, talvez mais alta do que a média, com os meus 1,67.
Nesse tempo as mulheres desejavam-se relativamente roliças e ainda não tinha despontado a moda dos modelos S ou XS, que protagonizam seres famélicos que só a maquilhagem consegue valorizar. E que quando desfilam exibem entre pernas um arco que compete com o da Rua Augusta. Inveja, dirão uns e, possivelmente, têm razão...
Com a idade o tamanho foi aumentando e a altura diminuindo. Sempre encarei o processo como normal e quando estava mais gorda, tinha o cuidado de me não ver de perfil. Assim fui continuando e, dever-se-ão decerto aos quilos a mais que tenho, a lisura da pele que possuo.
Entretanto, um dos meus filhos teve de emagrecer e eu pus-me à labuta, para encontrar receitas agradáveis, mas dentro dos limites que lhe haviam sido impostos. Foi deste modo que ele perdeu oito quilos e eu ganhei mais um livro que, ainda hoje, continua a dar-me direitos de autor, ou seja, a ser vendido.
Acabo de saber que o Calendário Pirelli escolheu este ano Candice Huffine, uma americana de 29 anos, com 1,80 de altura e pernas quilométricas como uma das protagonistas da próxima edição, apesar dos seus 90 quilos peso. A modelo “plus size” está entre as mais requisitadas para desfiles e editoriais de moda em todo o mundo. 
É uma escolha revolucionária na história de um dos mais belos e famosos calendários. O que pode significar que as futuras modelos talvez venham a ser mais reais/palpáveis e não um fonte de transtornos alimentares. 
Claro que eu não passei, por este facto, a ser magra. Mas talvez passe a ter mais por onde escolher. Nada mau... 

HSC

sábado, 9 de agosto de 2014

Dolores Aveiro


Ficaram surpreendidos com o título do post? Não fiquem, porque considero que Dolores Aveiro é muito mais do que a mãe de Cristiano Ronaldo e merece que se fale dela. 
Ha dois dias, ouvi a entrevista que Julia Pinheiro lhe fez a propósito de um livro lançado sobre a sua vida. Confesso que, ao arrepio dos elitistas cá do burgo, a senhora me enterneceu. Directa, sem papas na língua, nem poses de "lady com dinheiro", falou deste e das transformações que o mesmo trouxe ao seu quotidiano que, no passado, não foi um caminho de rosas. 
Mas, sobretudo, mostrou os imensos rostos de que se pode revestir essa hercúlea tarefa de ser mãe. Mãe que ela continua a ser, no apoio ou na crítica que entende dever, no seu papel, tecer aos filhos. E, questionada nas matérias mais delicadas, soube arruma-las com uma eficiência surpreendente.
É uma líder nata do seu clã, alguem que não se "perdeu" com a vida que tem hoje, que mantém os pés bem assentes na terra e para quem a felicidade maior é ver os filhos felizes. Deu uma belíssima lição de simplicidade - que os nobres de sangue e espírito jamais compreenderão - e soube mostrar que se mantém aquela mulher que aprendeu que a vida também se escreve pelas nossas próprias mãos. 
Parabéns à família Aveiro pela capitã que vos calhou para conduzir o vosso barco!

HSC

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

À velocidade do som...


Desde o meu último post sobre a decisão tomada pelo Banco de Portugal, tenho tentado perceber, como economista e pelos meios ao meu alcance - não como política ou mera cidadã - as virtudes e os riscos da mesma. Advoguei, aliás, aqui que o Governador deveria dar uma explicação detalhada de tudo o que o conduzira àquela escolha. 
Pois bem, acompanhei toda a tarde de ontém, a transmissão televisiva do "exame" a que os deputados submeteram o Dr. Carlos Costa na Assembleia da República. E, devo confessar, a maior parte das dúvidas que a comunicação de Domingo me tinha deixado, foram esclarecidas. Mas, repito, foi a economista que seguiu as explicações técnicas. Não sei se o cidadão comum terá tido a mesma reacção face a problemas que são demasiado complexos.
Ainda subsistem no meu espírito algumas dúvidas, mas ao ritmo a que as coisas se estão a passar no nosso país pode ser que, no fim de semana próximo, já esteja mais habilitada. Ritmo esse que levou, entretanto, Henrique Granadeiro a sair da PT. Seja pelas afirmações feitas pelo ministro da Economia, seja por pressão do seu conselho de administração, uma das nossas maiores empresas poderá estar a braços com uma grave crise, da qual já vimos os primeiros resultados no casamento com a Ói.
Granadeiro e Zeinal Bava vão ter muito que explicar e é tempo de o fazerem. Com efeito, face ao comunicado do CFO da ÓI que, de modo sobranceiro, refere a vida interna da "nossa controlada PT Portugal SGPS", convém ter explicações.
E ainda há quem diga, nos meios de comunicação social, que a silly season começa em Agosto!

HSC

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Agora sim, é capicua!



Agora sim, são 2332 os que passaram a ler-me com atenção. O meu duplo número dos anjos de que vos falei antes passou a capicua auspiciosa. E, para vos divertir um pouco vou transcrever o que diz o Livro dos Anjos sobre este:

2323, 2332, 2233 - Estes sinais indicam que os seus guias espirituais estão de acordo em apoiar a sua linha de pensamento, planos ou ações pretendidas. Estes sinais são mais freqüentemente vistos depois de você estabelecer um relacionamento com seus guias espirituais que estão abertos à sua orientação através de sequências de números.

Não é que a mensagem seja muito clara. Mas decorre do seu conteúdo que a minha vida estará sob a protecção angelical. Assim estivesse o país e éramos todos mais felizes!

HSC 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Os tempos de cada um


Oiço na televião uma convidada comentar os acontecimentos na faixa de Gaza e a propósito, falar dos vários tempos na vida dos dois países que ali perdem a sua gente.
E eu que me tinha acabado de sentar para falar da entrevista de Ana Lourenço a Pedro da Siva Pereira - muito inteligente na abordagem ao caso BES - fiz mudança de ampulheta e agarrei-me à frase, que fez soar em mim algumas campaínhas. Explico-me.
Creio que um dos grandes problemas da Humanidade reside, justamente, nesta questão dos tempos das várias sociedades e, dentro delas, dos tempos de cada um.
Com efeito, oiço imensas vezes as pessoas dizerem que os seus insucessos terão ficado a dever-se ao facto de se terem produzido em ocasiões menos adequadas e que se tivessem ocorrido mais tarde ou mais cedo, as consequências teriam sido diferentes. 
Claro que "à posteriori" é fácil tirar esta conclusão. Posso sempre dizer que se tivesse casado mais tarde, não me teria divorciado. Ou que, se tivesse casado com outra pessoa, teria ficado viúva. São as "imparidades" da vida. Todos as temos. O problema é a forma como as resolvemos.
Ia até servir-me do exemplo da banca, mas arrepiei caminho, porque a altura não é a mais propícia. Ora, ao fazê-lo, dei razão a este texto. É que, afinal, admiti que o meu tempo de abordar este assunto, poderia não ser o mais adequado ao tempo que estamos a viver agora, ou quem sabe, ao dos meus leitores...
Se há esforço de que todos carecemos é o do empenho na adequação dos tempos individuais e colectivos. Individuais, para evitar conflitos familiares, laborais, religiosos ou políticos. Colectivos, porque viver em sociedade numa época de globalização, impõe essa disciplina.

HSC

Uma carta de amor


Afinal consegui ter a coragem de vir. Acabei de chegar depois de uma viagem turbulenta. A mala - desta vez não vim apenas com a carteira - demorou a ser libertada e houve alguma confusão com outro vôo que aterrara à mesma hora oriundo não sei de onde.
O tempo estava abafado e o céu estava rosado, como tantas vezes acontece aqui em Paris, por volta do fim da tarde. Tomei um táxi e à medida que me aproximava de casa, o coração começou a ficar apertado. Afinal passaram muitos meses sem cá retornar. A paisagem, tão minha conhecida, estava igual.
Meti a chave à porta com o vagar de quem não sabe se é capaz. Rodei-a devagar, mas ao ouvir o som do ferrolho a mexer-se, parei. Precisei de inspirar duas ou três vezes, antes de rodar de novo a fechadura.
A nossa Maria, como sempre, havia deixado tudo em ordem. Nem as tulipas amarelas de que tanto gosto, ela esquecera. Comoveu-me o cuidado posto em deixar a casa como um brinco, a lembrar outras chegadas bem mais felizes. Os cortinados meio abertos deixavam entrar a luz do fim de dia.
As pernas tremeram-me. Não era medo, mas sim angústia. Aquela que nos paralisa todos os movimentos, a contrastar com a alegria com que costumavamos entrar os dois, por volta desta hora. Agora sou só eu e foram necessários setecentos dias para arriscar tornar à cidade e à casa.
As fotos, nos lugares habituais, pareciam esperar, como antes, o meu primeiro gesto. Mas eu não bugia, pregada ao chão da entrada.
Quanto tempo terá passado? Não sei. Sei apenas que se tornou necessário abrir a luz e só depois fui capaz de me mexer. Mas pouco. Hesitei, mas sentei-me no teu cadeirão, à espera de sentir esse abraço e esse cheiro, tão especiais, mistura de tabaco e alfazema. 
Diria que senti uma réstea desse odor, quando apoiei a cabeça. Mas ele trouxe consigo uma espécie de calafrio que assaltou o meu corpo e me lembrou o dia em que voltei do cemitério. Aquele que te apartou irremediavelmente de mim.

HSC

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Noiva, só com dote!


Para bem da maioria de nós, as explicações sobre o caso BES vão surgindo e o desenho torna-se mais claro. Pode concordar-se ou não, mas de entre as soluções possíveis esta não terá sido a pior. E esperemos que tudo corra bem para tranquilidade de todos.
Gerir um banco bom, ao contrário do que muita gente julga, não vai ser tarefa fácil para Vitor Bento e sua equipe. Porque o activo mais importante da sua gestão vai ser restaurar a confiança na instituição. E essa - desiludam-se os que julgam que agora será tudo fácil - é uma tarefa hérculea, porque difícil de realizar num curto espaço de tempo e que obrigará o Banco Novo a praticar taxas atractivas para cativar clientes, o que lhe irá cercear muito o espaço de manobra e acinzentar o seu balanço. 
Mas só assim a noiva poderá atrair pretendentes. Porque, sabe-se, noiva sem dote será muito moderno, mas na banca pega pouco...

HSC