terça-feira, 27 de maio de 2014

Aprenderam muito pouco...


No meu tempo de aluna de Economia passeavam-se pela Universidade uns filhos família cujo nome, pronunciado em voz alta, dizia tudo da sua origem. Vestiam e falavam de maneira especial e de um modo geral conviviam em grupo fechado, olhando os restantes colegas como representantes de uma classe social que pouco ou nada lhes dizia. Tinham-me algum respeito porque era eu que fazia as "sebentas" de algumas cadeiras, porque era a melhor aluna e porque, sem bem saberem porquê, usava um nome conhecido da História. E, de nomes, parece que percebiam. Mas não pertencíamos ao mesmo mundo. Isso era tão claro para mim quanto para eles...
Há dias quando fui tomar a bica ao local habitual, vejo parar um Maserati - lindo, confesso - e sair de lá um homem dos seus 35 anos, bastante alto, indumentária casual, cabelo claro e passada confiante. Dir-se-ia um ilustre representante da fidalguia do dinheiro.
Não me enganei. Com efeito, ao fazer a encomenda - dado o tom de voz, todos ficámos a conhece-la -, lá veio o nome. Nesse momento, ao ouvi-lo, reconheci o pai, na voz, no rosto e, claro, no apelido.
Saíu com a mesma ligeireza com que entrou. O Maserati arrancou em beleza e, por instantes, na sala reinou um silêncio incómodo, que apenas foi interrompido por um pedido meu de mais um rissol, emblemática escolha de classe social, que fazia toda a diferença com o rol que ouvíramos antes.
Enquanto comia o pastel, pensei como depois de 40 anos passados sobre o 25 de Abril, as classes dominantes usam sempre o mesmo apelido e pouco ou nada aprenderam. Ou, dito de outro modo, como pouco ou nada, os obreiros da revolução lhes ensinaram!

HSC

Os Bancos Centrais


Na abertura do Fórum do BCE, Christine Lagarde afirmou que, antes da crise, o consenso geral era de que a política monetária devia ter como fim a estabilidade dos preços. Todavia, agora, admite-se também a inclusão de um objectivo de estabilidade financeira. 
Vítor Constâncio, vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) e antigo governador do Banco de Portugal, defendeu que os bancos centrais devem reforçar a responsabilidade pela estabilidade financeira, apostando de forma permanente em políticas macroprudenciais, para as quais carecem de um novo conjunto de instrumentos.
As políticas macroprudenciais passam por identificar as vulnerabilidades do sistema financeiro, reconhecer a partir de que nível podem desencadear uma crise e reconhecer os canais de propagação desses riscos, através de instrumentos como requisitos de capital e liquidez, limitações à concentração de activos e ao crescimento do crédito e critérios de ilegibilidade à atribuição de crédito.
Nos últimos anos, o BdP tem vindo a reforçar as suas políticas macroprudenciais. Mas, apesar disso, ainda persiste a discussão sobre se os bancos centrais devem assumir, de forma permanente, essas ferramentas, dado o receio da sua exposição a pressões políticas.
O melhor seria, na opinião da directora do FMI, ter políticas e instrumentos para combater directamente os riscos financeiros, uma vez que existem várias medidas que procuram diminuir riscos financeiros sistémicos. Contudo, não deixou de avisar que “as políticas prudenciais podem não funcionar como previsto”, visto que a experiência nas economias avançadas é “relativamente limitada”, e “não existe um guia definitivo” para o efeito.
                   (informação recolhida no jornal online Observador)

Como se deduz, o modo como se encara o papel dos Bancos Centrais na actual conjuntura de crise prolongada, não é matéria de concordância geral e muita discussão vai ainda ser necessária para compatibilizar todas as posições.

 HSC

segunda-feira, 26 de maio de 2014

A "idade" dos políticos

Quando se fala dos líderes dos partidos do tal arco governamental, penso que seria importante olhar bem o quadro abaixo:

1. Pedro Passos Coelho - 50 anos de idade
    36 anos de política
2. Paulo Portas - 52 anos de idade
    40 anos de política
3. António José Seguro - 52 anos de idade
    25 anos de política 

Este quadro impõe reflexão, sobretudo quando se tem em conta o número de anos que é preciso trabalhar para atingir a reforma. Não será, também, a altura de se pensar no que ele pode significar no "desgaste" que caracteriza a actual forma de fazer política, que referi no post anterior?
É que, admito, seja este "envelhecimento precoce" dos actores da cena política, uma das razões pelas quais ela não esteja adequada aos tempos actuais. Talvez seja importante, quem sabe, "reflectir" sobre isto!

HSC 

O dia seguinte

Pronto, já estamos no dia seguinte. Eu, a preparar-me para a Feira do Livro, os políticos a prepararem-se, desde ontem, para a Feira das Vaidades e as suas danças, que não serão poucas…
O povo escolheu. Sabiamente, como já nos habituou. O país está a tornar-se cada vez mais ingovernável, nos velhos moldes políticos que conhecemos e a mostrar, desde as autárquicas, que ou os partidos mudam ou o seu poder vai progressivamente desaparecer. 
A abstenção, os votos brancos e os votos nulos só atestam o que digo. Pesadíssima derrota para o governo e BE - os extremos acabam por se tocar - e vitória amarga para o PS, que não vai saber o que fazer com ela, sobretudo, se insistir em manter Seguro que, assim, se tornará o "passaporte" ideal para a coligação  que nos governa.
Na Europa a direita e a esquerda mais radicais fortaleceram as suas posições, os eurocepticos afirmaram-se e na Alemanha a senhora Merkel não deve estar propriamente a esfregar as mãos.
Conclusão, a Europa ou muda ou a UE desintegra-se. A caminhada já começou. E Portugal ou muda ou torna-se ingovernável, seja com 80 ou 120 medidas, com manifestos assinados pela esquerda e direita ou com outros que "não querem mais isto".
Hoje a política não pode fazer-se nos mesmos moldes de há quatro décadas e os líderes estão demasiado velhos para escolherem o futuro daqueles que agora têm vinte e poucos anos. Não perceber isto é caminhar para os nacionalismos exacerbados e reverter a democracia!

HSC

sábado, 24 de maio de 2014

Eu queria reflectir!


Eles mandam reflectir. Eu queria reflectir. Mas não tem sido possível porque não tenho feito outra coisa que não seja "topar" com espanhóis que me perguntam onde ficam os Jerónimos e os pasteis de Belém.
Eu queria reflectir mas meti-me no carro e não passei da segunda velocidade tal a fila de trânsito que reflectia a quantidade de vizinhos que aqui se encontram.
Eu queria reflectir e por isso decidi ir à Basílica da Estrela para encontrar algum sossego. Mas nem aí pude faze-lo porque o corrupio de visitantes não deu tréguas ao meu esforço.
Eu queria reflectir mas a família decidiu que era na minha casa que se jantava e via o jogo. Assim tive que me pôr à cozinha, para dar de comer a dois jovens que não sei onde armazenam o que ingerem, mas sei que comem muito.
Eu queria reflectir mas depois do jogo vai ser difícil porque a minha malta deve querer ir ver o povo nas ruas e eu tenho que, antes, arrumar a cozinha.
Eu queria reflectir...mas sou o reflexo da fadiga que provocam sempre estes dias de reflexão!

HSC

Maddie


Ao contrário de Manuel Palito, Maddie não foi encontrada. Desaparecida há sete anos, a história desta menina inglesa trouxe à baila outros desaparecimentos que não foram resolvidos e de que o exemplo mais conhecido é o de Rui Pedro.
O que me surpreende nesta história não é, claro, a imensa persistência dos pais que não desistiram de a encontrar. O que me surpreende é a sua capacidade de mobilizar as forças policiais do seu país que, ao fim destes anos todos, estão em Portugal para, a expensas britânicas e sob o olhar da polícia nacional, fazerem todas as diligências que forem necessárias para interrogar pessoas e prospectar terrenos no Algarve em busca do corpo.
O caso havia sido, entre nós, encerrado por falta de provas credíveis. Que enorme poder político não têm os McCann para não só conseguirem reabrir o processo, como conseguirem que as autoridades do seu país possam investigar em Portugal?!

HSC

Manuel Palito


“ À laia do tema da apelação à violência, vi hoje no noticiário da SIC a cobertura jornalística à captura do Manuel "Palito", o fugitivo às autoridades durante 34 dias. É triste o espectáculo de populares a aplaudir, não a actuação da GNR e PJ que o capturaram em circunstâncias difíceis, mas o fugitivo e "alegado" homicida, que durante tanto tempo causou medo às populações. É triste ver que há gente que mais facilmente vive com o medo e a violência sobre os mais fracos (diga-se que as vitimas foram fortes as que o enfrentaram e fortes as que lhe sobreviveram), desde que o "Poder" de quem os realmente protege não saia a ganhar. É mais triste ainda que o jornalismo tenha feito a cobertura deste evento como se fosse a chegada de uma "vedeta", que nada tem de exemplar nesta nossa sociedade que pretende erradicar a violência doméstica. Com fracos resultados, diga-se. O meu coração está com as vitimas, mortais e sobreviventes, estas sim que enfrentaram esta "vedeta" sem os recursos daqueles que tinham obrigação cívica e moral de as ajudar. Os mesmos que aplaudiram o retorno à civilização de um animal que não merece viver no mato onde se escondeu nestes 34 dias”.
                                  
                                        Daniel Ferreira

Este foi um comentário a um post meu no blog colectivo Delito de Opinião. Porque ele traduz exactamente o que senti quando vi a reportagem televisiva, partilho-o com os meus leitores, repetindo uma vez mais que Portugal precisa de se tratar da doença que a liberdade mal digerida lhe trouxe!

HSC