terça-feira, 26 de novembro de 2013

Não vale tudo...

A procura de acções dos CTT - Correios de Portugal superou a oferta em 6,5 vezes no final do primeiro período de venda destes títulos, segundo a informação avançada esta segunda-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) pela Parpública.
Nas acções destinadas ao público em geral a procura foi ainda maior, ao superar em mais de oito vezes as 15,75 milhões de acções disponíveis. Os títulos requeridos neste caso foram de 135,3 milhões.
Já a procura das acções destinadas ao trabalhadores da empresa ficou quatro vezes abaixo do lote de 5,25 milhões disponível, tendo sido de apenas 1,26 milhões.
Os CTT estão em processo de privatização de 70% do seu capital, numa operação que começou a 19 de novembro e termina no início de dezembro.

Ora aqui está uma operação financeira a que não fui, embora soubesse que, do ponto de vista individual, seria lucro certo em caixa. É que não percebo a lógica de vender, nesta altura, uma empresa pública que dá lucro. Por isso, não quis participar de algo com que não concordo.
Ainda há ocasiões em que a ideologia justifica as atitudes que tomamos.

HSC

A riqueza das mulheres

De acordo com uma investigação desenvolvida pela revista ‘Spears' e pela empresa WealthInsight - cujo objectivo principal era analisar a igualdade entre géneros, relativamente à riqueza pessoal - 23% das pessoas mais ricas no nosso país são do sexo feminino.
Para Josh Spero, editor da citada revista, no topo da lista estão os países asiáticos. Esta conclusão é igualmente partilhada por Oliver Williams, da WealthInsight.
Para além de Portugal, nos primeiros dez lugares surgem as Filipinas, o Peru, Hong Kong, a Turquia, Israel, Singapura, a Tailândia, Espanha e Itália.
Ao invés, entre os países com menos mulheres milionárias, contam-se a Holanda, Rússia, México, Arábia Saudita e Japão.
A ser verdadeira a informação, ela não me surpreende. E reflecte a tendência de que na gestão da riqueza o género contará cada vez menos. 

HSC 

Vida e Alma: o lançamento

Será já na quinta feira dia 28, no Corte Inglês, pelas 19h, o lançamento do meu último livro VIDA E ALMA. É a Fernanda Freitas que terá o trabalho de o apresentar, tarefa que muito lhe agradeço.
Espero ver todos os amigos que lá queiram ir dar-me um abraço e o seu apoio em mais esta aventura. Eu, como sempre, estarei nervosa, apesar de já ter publicado vinte livros.

HSC

domingo, 24 de novembro de 2013

A minha normalidade

Hoje uma conversa de amigos fez-me pensar num facto curioso: "nunca pensei ser outra pessoa diferente daquela que sou". Devem-me julgar tonta com esta afirmação. Mas se assim for, a idade talvez já me permita dizer disparates. Não serei a primeira...
Depois de ouvir tanta gente a contar o que gostaria de ter sido e não foi, eu "estarreci" o grupo com aquela frase, inteiramente verdadeira. Possivelmente contento-me com pouco. Mas se assim for, é porque a minha medida é essa e não outra.
Vivi tanto tempo rodeada de pessoas "acima do normal", de gente intelectualmente tão dotada que, quando pensava em mim, a comparação era quase fatal. Levei anos até aprender o lado bom da minha normalidade. Devo isso ao Padre Abel Varzim e nunca será demais relembra-lo. Foi com ele que percebi o valor dessa distinção. Mais tarde, outras pessoas haviam de ensinar-me o mesmo e ajudar-me, afinal, a gostar mais de mim. E a aceitar que ser "genial" não é para todos nem sequer será o mais importante da vida!

HSC

Todos ao molhe

Ontem, sem muita vontade, fui ver o Conselheiro, uma realização de Ridley Scott que já fez filmes de que gostei. Mas a plêiade de actores de nomeada fez-me desconfiar... E desconfiei bem, porque o resultado final é um produto sem grande qualidade.
Bardem e Penélope - agora aparecem sempre em dupla...- fazem jus ao crédito que têm. Brad Pitt, que não aprecio, interpreta um "papelinho" para justificar o cachet que terá recebido. E Cameron Diaz, no papel de vilã só convence Javier.
O filme não presta? Não presta. Mas tem duas cenas de sexo que talvez justifiquem que se lá vá. A primeira constitui a abertura - logo convém entrar a horas - da película e é de facto muito bem filmada. A segunda mostra-nos Cameron a fazer uma surpreendente spaccata sobre um descapotável perante o olhar gazeado de Bardem, algo que se pretendia de exótico erotismo, mas que acabou por fazer rir a plateia... Enfim, nesta cena, o kamasutra parece livro para iniciados.
Do enredo, é que é mais difícil falar. Comecei e acabei sem ter percebido patavina da história. É tudo ao molhe sem se perceber o que cada um lá faz.
Mas, como quem me acompanhava, muito mais inteligente do que eu, ficou exactamente na minha posição, acredito que aquilo seja como o OE 2014 que dá para ver e não para compreender.
Conclusão: só não perdi a a noite porque tive boa companhia!

HSC

PS: Michael Fassbender, lindo de morrer, quase salva a fita...

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Os Kennedy

Ao contrário da grande maioria da gente da minha geração, nunca embandeirei em arco com John Fitzgerald Kennedy. E, como não podia deixar de ser, fui apelidada de reaccionária, que era título com o qual podia bem, conhecendo como conhecia, os "católicos progressistas" que assim me apelidavam.
A história daquela família não me agradava e a figura do Presidente também não. Tudo estava eivado de uma auréola de realeza familiar e religiosa e a exploração mediática do personagem e da sua morte tinha todos os condimentos de que não gosto.
Haviam de se lhe seguir outros Kennedy, herdeiros desse trono, que sendo uma república, parecia pertencer exclusivamente àquele clã. E, de facto, durante sessenta anos, não houve política na América em que os Kennedy não estivessem envolvidos.
Passadas cinco décadas, Vasco Pulido Valente confirma a minha razão quando escreve:

"...A excitação nunca passou destas superficialidades, porque, fora o espectáculo, John F. Kennedy, infelizmente para ele e para o mundo, era um Presidente medíocre. Excepto o tratado com a URSS sobre a limitação de experiências nucleares na atmosfera, falhou persistentemente no resto. Autorizou a expedição à baía dos Porcos, uma aventura que fortaleceu Fidel. Na “cimeira” de Paris, querendo mostrar moderação, convenceu Khrutchov da sua fraqueza e provocou indirectamente a “crise dos mísseis”. Não conseguiu que o Congresso passasse as leis contra a segregação e as leis sociais, que só depois Lyndon Johnson veio a impor. E, pior ainda, liquidou o Presidente do Vietname do Sul e inaugurou a presença militar americana numa região em que não havia nada a ganhar. Mas Jack e Jackie não deixaram por isso de ser um símbolo para os milhões que nasceram durante a guerra ou logo a seguir a ela: o símbolo da juventude e do poder".

É este o retrato real desse ícone da política americana. E nem preciso de falar do homem como tal, porque a fotografia não seria melhor. Não há como o tempo para olhar as histórias da História.
  
HSC

O Parlamento e as mulheres

O Parlamento Europeu aprovou uma proposta para que as empresas cotadas em bolsa aumentem até 40% a representação de mulheres nos seus conselhos de administração, implementando “procedimentos de selecção transparentes” de modo a atingir esse objectivo até 2020.
Apesar das qualificações e do mérito serem os principais critérios de escolha, em caso de igualdade de qualificações, a proposta consagra que deverá ser dada prioridade ao sexo feminino, por ser o menos representado.
A medida deverá abranger cinco mil empresas cotadas no espaço comunitário.
As empresas públicas não ficam de fora e para essas o Parlamento Europeu dá até 2018 para que cumpram o objectivo. Já as pequenas e médias empresas (com menos de 250 trabalhadores) ficam excluídas desta medida.
As organizações que não cumprirem terão de  apresentar às autoridades nacionais competentes "uma exposição dos motivos por que não atingiram esses objectivos ou não cumpriram esses compromissos, assim como uma descrição completa das medidas que adoptaram ou tencionam adoptar para honrar tais objectivos ou compromissos"..
O texto que terá ainda de ser negociado entre o Parlamento e o Conselho de Ministros da UE, foi aprovado por 459 votos a favor, 148 contra e 81 abstenções.
Em 2012, apenas 15% dos administradores não-executivos das maiores empresas cotadas em bolsa eram mulheres.
Não sei porquê, mas estas decisões deixam-me sempre de pé atrás, até porque não aprecio discriminações. Mesmo quando sejam positivas. As mulheres são 52% da população, mas são os outros 48% que deliberam sobre elas...
HSC