sábado, 22 de junho de 2013

A grande diferença

Será que "o homem da nossa vida" é, sempre, "o amor da nossa vida"? Diria que em muitos casos não é. 
O homem da nossa vida é uma espécie de altar ego de nós próprios, alguém por quem nos apaixonamos, com quem desejamos fundir-nos, que constitui por assim dizer o nosso complemento, que ocupará sempre um lugar especial no nosso coração. E que, mesmo quando a vida nos separa, mantém subtilmente cativo esse lugar. É, também, com frequência, o pai dos nossos filhos.
De modo diverso, o amor da nossa vida é aquele que nos aceita como somos, que não compete com outros amores que tivemos, que nos ama como nós precisamos de ser amados, que disfruta das nossas diferenças e que, apreciando quem somos, jamais pretende transformar-nos na mulher de que precisariam, ou que gostariam que nós fossemos.
Às vezes leva muito tempo a compreender esta subtil diferença, porque o que é natural e romântico, é desejar-se que o homem da nossa vida seja também o nosso grande amor. 
Recentemente falava com um amigo sobre esta dualidade e sobre os perigos que representa não nos apercebermos desta distinção. A maioria de nós encontra muito cedo o homem da sua vida. Por norma, cedo demais. E, por isso mesmo, só mais tarde percebe a grande diferença que é encontrar o grande amor da sua vida. 

HSC

sexta-feira, 21 de junho de 2013

"Angola é assunto que por cá se trata com pinças. Não foi sempre assim; lembre-se, por exemplo, a crítica reportagem Meninos de Angola, de Cândida Pinto, em 1996, na SIC. Seria interessante perceber a partir de que momento se verificou tanta cautela - para, provavelmente, concluir que coincide com o adensar dos interesses económicos "bilaterais" e com os investimentos de empresas angolanas em Portugal, nos media em particular.
Portugal não está só nesse silêncio. Há um ano, por ocasião das legislativas angolanas, o jornal britânico The Guardian titulava um artigo "José Eduardo dos Santos, o autocrata menos conhecido de África", frisando manter-se no poder há 33 anos (agora 34) e que, filho de um pedreiro, toda a vida quadro de um partido de génese comunista, acumula na sua família imediata - os filhos, com relevo para a mais velha, Isabel, de 40 anos, considerada a mulher mais rica de África - uma imensa fortuna. No mesmo artigo, assinala-se que as entrevistas com o Presidente angolano são raríssimas e que ele, ao contrário de outros autocratas africanos, como Mobutu, cultiva a discrição.
Uma dessas raridades foi concedida à SIC, há duas semanas. Primeira surpresa: o jornalista escolhido foi o correspondente da estação em Israel. A segunda foi mesmo a entrevista. Como repórter no Médio Oriente, Henrique Cymerman, embora cerimonioso, nunca surgiu timorato. Perante dos Santos e afirmações como "Angola é uma democracia de carácter social"; "estamos a trabalhar para erradicar a pobreza, a nossa maior preocupação é o fosso entre ricos e pobres mas temos a herança que vem do tempo colonial", ou "a corrupção é um problema em todos os países mas temos agido para que as pessoas não se apropriem do que não é delas", coibiu-se de contrapor o óbvio: apesar da sua abundância de recursos, e de ter sido descolonizada há 38 anos, Angola está na cauda do índice de desenvolvimento humano; a família do Presidente apresenta um nível de riqueza e de proeminência nos negócios dificilmente explicável por outro fator que não a sua proximidade ao poder. O desplante é tal que um dos filhos faz parte da direção do fundo soberano de Angola, criado, com uma dotação inicial de cinco mil milhões de euros, por ordem presidencial em 2012; a outra foi atribuída a gestão de um dos canais da TV pública.

Das duas, uma: ou Cymerman veio do espaço no dia da entrevista (Israel não é assim tão longe) ou foi condicionado nas perguntas. Como desmentiu a segunda hipótese, só se pode concluir pela primeira. Mas o mesmo terá de ser verdade para a maioria dos comentadores, exceção e honra feitas a Daniel Oliveira e restantes membros do Eixo do Mal. Num país em que se faz manchete de chamar palhaço ao Presidente, é curioso constatar que o de outro país suscita tanta mais reverência. Não sendo pelo respeito ao cargo ou pela dignidade de ter sido para ele eleito (até porque nunca foi), só pode ser por outra coisa qualquer."

Esta é a crónica de hoje de Fernanda Câncio. Nem sempre temos as mesmas opiniões, mas isso não afecta nada a estima em que a tenho. Acontece que o que se diz neste texto é o que eu própria e muitos de nós perguntam. Sem obter a resposta devida. E apenas tendo o direito de perguntar, como ela aqui faz. O problema é que um dia a falta de resposta pode vir a sair-nos muito cara!

HSC

“Um país mais justo, próspero e livre"...


O ministro adjunto e do desenvolvimento regional, Miguel Poiares Maduro, que falou esta semana no encerramento do ciclo de jantares subordinados ao tema "Portugal - o presente tem futuro?" promovidos pelo Clube de Imprensa, Centro Nacional de Cultura e Grémio Literário, considerou que "um dos grandes problemas do nosso país é o facto de tudo ser contestado". 
Contra factos, existem sempre argumentos, disse, salientando que os portugueses têm muita dificuldade em se colocarem de acordo quanto aos processos de apuramento dos questões que devem servir de base às decisões públicas.

                   
Pensa, também, ser hoje claro para todos, que não interiorizámos as consequências das escolhas que fizemos, nomeadamente, a adesão ao euro e estar na primeira linha da construção europeia".


Para o ministro, os portugueses concordaram "em mudar de regime e em partilhar a moeda com os parceiros mais competitivos da Europa, mas não aceitaram as mudanças internas nas regras de jogo a que isso obrigava".


Poiares defendeu, ainda, que na origem da crise económica que o pais atravessa "está também um problema de cultura política e cívica", que explica a razão pela qual, numa das crises económicas, sociais e políticas mais graves, Portugal não tenha promovido as reformas necessárias.

Como soluções para o futuro, o governante destacou a necessidade do país "discutir mais as políticas públicas e menos a sua táctica ". Todos, incluindo o Governo, devem contribuir para um debate público mais informado e com maior substância.



A "continuação da consolidação orçamental" é uma condição necessária mas já não suficiente para o futuro nacional. Mas sem ela, continua a não ser  “possível criar condições para impulsionar o investimento privado".


Atingir o equilíbrio interno - depois de ter alcançado o externo - é, segundo Maduro, outro dos desafios para Portugal. Todavia, ele depende da reforma do Estado, "essencial para tornar permanentes os ganhos obtidos no processo de consolidação orçamental e garantir a sua sustentabilidade futura".


Outro desafio passará também por garantir a "preservação da conquista do Estado social". Mas, agora, sob o signo da "equidade entre o sector público e privado e da equidade entre gerações". 


“Um país mais justo, próspero e livre" é, segundo o ministro adjunto, a ambição do actual governo para Portugal.

Aqui fica, para quem não esteve no Grémio Literário, um resumo daquilo que foram os principais pontos levantados pelo ministro, para o futuro de todos nós. Eu até arranjava mais uns! 
O "como" e o "quando" é que, para mim, não ficaram claros. Como, claro é, também, que de boas intenções está o inferno cheio...

HSC

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Um moço de recados?!

Roubado ao Luis Menezes Leitão, que o postou no Delito de Opinião, aqui fica o seu texto com o qual concordo plenamente:
"Parece que o Primeiro-Ministro francês diz que Durão Barroso "só tem que aplicar as decisões" do Conselho, "mais nada". Durão Barroso é assim visto pelos membros do Conselho como um simples moço de recados. A independência da Comissão e o seu papel de guardiã dos Tratados foram desta forma reduzidos a zero.
O balanço de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia não podia ter sido mais negativo: a independência da Comissão ficou em cacos, a Europa teve uma década de recessão e corremos o risco de ter o colapso do euro ou mesmo da própria União Europeia. Se há coisa que a Europa tem que resolver de vez, se se quiser manter, é a situação da Comissão Europeia. Ou a Comissão volta a ter a independência que teve no tempo de Delors ou a União Europeia pura e simplesmente acaba".  


HSC



"Ich bin Berliner"


"Ich bin Berliner", ou seja "eu sou um berlinense", foi há 50 anos, a célebre frase dita por Kennedy na porta de Brandeburgo.
Esta tarde, o novo presidente dos EUA repete a proeza - não sei se dirá a mesma frase ou outra parecida -, apelando para que a Rússia aceite a redução de um terço dos arsenais nucleares dos dois países. 
Obama espera, com esta proposta, voltar a conseguir um novo momento histórico para um presidente norte-americano na capital alemã. Com efeito, a sua intervenção ocorre no 50º aniversário do célebre discurso do presidente John F. Kennedy em Berlim como protesto contra a criação do Muro pelo regime comunista da Alemanha de Leste.
Na conferência de imprensa conjunta com Angela Merkel esclareceu que a sua pretensão "é terminar a guerra e substituir o presidente [sírio] Bashar al-Assad por um líder político que possa voltar a unir o país, que se encontra fracturado", pelo que considera as notícias de que os EUA se preparam para entrar em guerra com Damasco , “algo exageradas”.
Mas, uma vez que Vladimir Putin não aceita a ideia da saída do presidente Assad, porque "acredita que quem substituir Assad será pior que o próprio Assad", vamos ver qual a verdade das intenções de Obama...

 HSC

terça-feira, 18 de junho de 2013

O bom, o mau e o vilão

"À la mi-mars, un étrange incident retenait l’attention de la presse financière : la Troïka, la force d’intervention chargée d’expliquer aux pays en difficulté de la zone euro ce qui est attendu d’eux en échange d’un plan de sauvetage financier, se clivait. Cette tripartite composée de la Commission européenne, de la Banque centrale européenne (BCE) et du Fonds monétaire international (FMI) laissait en présence deux camps antagonistes composés, d’un côté du FMI, de la BCE et de l’Allemagne, et de l’autre, de la seule Commission européenne. On lisait dans le Financial Times en date du 17 mars, ces propos étonnants : « Arrivé à ce point […] la Commission [européenne] avait perdu toute crédibilité à Berlin ».
La publication, le 20 mai, par le FMI, d’un rapport d’évaluation de la politique adoptée durant deux ans à l’égard de la Grèce (*), constitue un second épisode de la guerre intestine qui déchire désormais la Troïka. Témoignage de la profondeur du fossé qui s’est creusé, la réaction violente d’Olli Rehn, économiste en chef de la Commission européenne, exprimant son « désaccord fondamental » avec les conclusions du rapport.
Bien que recourant aux euphémismes d’usage, les reproches qu’adresse le FMI à la Commission européenne sont en effet dévastateurs : incompétence, amateurisme et, plus sérieusement encore, complicité de deux poids lourds jouant contre leur propre camp, tirant parti du rapport de force en leur faveur pour faire payer les pots cassés, non seulement par la Grèce, mais aussi par les pays situés en-dehors d’un axe Berlin-Paris, et par le contribuable européen en général et ceci, au bénéfice exclusif des établissements financiers.
Ce qu’affirme le rapport du FMI pour qui sait lire entre les lignes, c’est que l’Allemagne et la France laissèrent pourrir la situation pour permettre à leurs banques de récupérer les prêts « accordés à la Grèce », l’ardoise étant réglée par la Banque centrale européenne devenue « banque de défaisance » ou « bad bank » comme disent plus crûment les Anglo-Saxons, c’est-à-dire, réglée à l’arrivée par le contribuable européen. Pour que le mistigri puisse ainsi être passé, le FMI a dû contrevenir à ses principes en avançant des fonds à un emprunteur incapable de jamais les rembourser. La justification de la Commission européenne : un « risque systémique exceptionnel », autrement dit, d’effondrement global qui, comme le note amèrement le rapport : « … continua semble-t-il d’être invoqué à chaque réexamen de la question, en dépit du fait que le risque de contagion se réduisait à mesure que la dette souveraine grecque migrait du secteur privé vers le secteur public ».
Selon la Banque des règlements internationaux, au 1er octobre 2010, le bilan des banques allemandes était grevé de dette publique grecque à hauteur de 19,2 milliards d’euros, celui des banques françaises à hauteur de 14,4 milliards et, secteur commercial et public confondus, de 50,6 milliards d’euros pour l’Allemagne, et de 67 milliards pour la France, représentant, à elles seules, 58,1% du total. Le temps passé en tergiversations, interprété par une opinion publique distraite comme une simple marque d’amateurisme de la Commission européenne, avait en réalité pour but de permettre aux banques allemandes et françaises de se délester de ces actifs dévalorisés auprès de la BCE.
Plus de deux ans ont été perdus avant que n’intervienne la restructuration de la dette grecque en février 2012, affirme le FMI. Piqué au vif, Olli Rehn ne peut s’empêcher de rejeter le blâme adressé à la Commission européenne sur l’axe Berlin-Paris, déclarant : « Je n’ai pas le souvenir que Dominique Strauss-Kahn ait appelé de ses vœux en début de période une restructuration de la dette grecque, je me souviens distinctement par contre de Christine Lagarde y étant opposée ». L’époque dont il parle, c’est l’année 2010 : Dominique Strauss-Kahn était alors à la tête du FMI, Christine Lagarde était ministre française de l’économie, des finances et de l’emploi.
Visée dans ce récent rapport du FMI, pourquoi l’Allemagne avait-elle alors conclu à la mi-mars, dans l’affaire de Chypre, une alliance avec celui qui la montre aujourd’hui du doigt ? Parce que l’Allemagne imagine que sa tactique est passée inaperçue et que les commentateurs se contenteront, à l’instar de ce qu’ils font depuis plusieurs années, d’expliquer le comportement de l’Allemagne comme conséquence du seul souci de Mme Merkel de se retrouver à la tête du gouvernement qui résultera des élections législatives du mois de septembre.
Qu’émerge-t-il de tout cela ? L’image d’un axe Berlin-Paris faisant marcher la zone euro au son de sa propre musique, sans grand souci des quinze autres nations qui la composent. La Grèce se trouve bien entendu au premier rang de celles-ci, victime expiatoire toute désignée en raison de ses crimes : exonération criante des grosses et des moyennes fortunes de toute logique fiscale, secteur étatique pléthorique et généreusement rémunéré, enfin, désinvolture non sans arrière-pensées dans la production des statistiques économiques du pays.
Le jeu « perso » de l’Allemagne et de la France aura coûté très cher aux autres membres de la zone euro, et mis le Fonds monétaire international en contravention avec ses propres principes, lequel vient de le signaler au monde entier, tout en rappelant discrètement aux deux intéressées qu’il n’était pas dupe de ce qui s’était passé…"

(in LE MONDE, La « troïka » à hue et à dia, lundi 17 – mardi 18 juin 2013  par Paul Jorion e publicado em http://www.timtimnotibet.blogspot.pt)

(*) Greece : Ex Post Evaluation of Exceptional Access under the 2010 Stand-By Arrangement InternationalIMF Country Report No. 13/156, June 2013

Grandes visionários...

Desde que foram introduzidas as novas regras de trânsito no Marquês de Pombal e Avenida da Liberdade, faço tudo o que é possível para não passar por tais zonas. Mas, como se calcula, nem sempre é fácil.
Hoje, a minha cunhada - a que é como minha irmã - decidiu convidar-me para almoçar num restaurante na zona. Confesso-vos que se trata de um autêntico susto, ou melhor risco. Não sei quem foram as mentes  brilhantes que se lembraram de tais alterações, nem os saudáveis motivos que as terão ditado. Sei, sim, que o risco de chocar de frente com alguém é tremando e que os turistas se vêm gregos - o que, como se calcula, é deveras desanimador - para saberem por onde sobem e por onde descem.
É que sendo nós um país onde a condução se faz pelo lado direito, muito poucas serão as pessoas a olhar para o lado esquerdo. Talvez por isso, os autores sentiram necessidade de pôr avisos no chão para que o façam...
Por outro lado, o passeio que agora divide o acesso às Amoreiras tem uma tal largura que o visionário que o delineou deve ter considerado que seria muito agradável passear, no local, por entre carros!
Alguém será capaz de me explicar quais foram os reais ganhos destas perigosas transformações impostas a automobilista e peões, os quais, menos prevenidos, podem correr o risco de atropelar ou ser atropelados? Se foi para diminuir o trânsito, aí sim, acertaram, porque muitos serão os que, como eu, fogem do local a sete pés.

HSC