sexta-feira, 16 de novembro de 2012

As amizades amorosas

Continuo o meu post de ontem para vos falar - a pedido - das amizades amorosas, situação bem mais comum do que possamos pensar. Deixei-a fora da lista porque ela é um capítulo especial das emoções que se situa entre os dois estádios que são o amor e a amizade no seu estrito sentido.
Todos aprendemos a pensar as amizades como sendo um forte elo emocional que se caracteriza pela ausência de interesse sexual, pelo menos de forma explícita. Nesta perspectiva, a amizade corresponderia ao fenómeno do amor, liberto dos ingredientes eróticos que o acompanham.
O tema é discutível. Com efeito, só por puro preconceito ou por medo é que um homem e uma mulher deixam de ser atraentes um para o outro em função da amizade. No passado foi assim. Ser amigo excluía sexualidade.
Porém, gostar de estar junto de alguém, de trocar ideias sobre as coisas relevantes e as que o não são, achar graça à forma do outro ser, falar ou rir, são situações que, em princípio, podem despertar desejo de intimidade física. Poderia até dizer-se que seria mais razoável termos essa intimidade com uma pessoa amiga do que com alguém desconhecido.
Todavia, na vida real as coisas não acontecem deste modo, porque os preconceitos determinam comportamentos. Que, por sua vez, determinam que amizade é algo que, por princípio, não inclui sexo.
Cá bem no fundo de nós o que acontece é que quando pensamos em intimidade física entre amigos, surgem dois medos. O mais óbvio é o de se perder o amigo, se algo não correr bem; o outro, e talvez o mais importante, é o de que a amizade, com a introdução do elemento erótico, se possa vir a tornar numa paixão fulminante.
E é aqui que as características de cada um são determinantes, porque são elas que vão estabelecer em que patamar nos queremos colocar...

HSC

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A amizade

As amizades nascem não se sabe como. Um encontro, uma apresentação, uma palestra, um livro que se lê, uma mesma maneira de pensar, enfim, um mundo de hipóteses.
E revestem as formas mais diversas: coloridas, fraternas,  intimas, cerimoniosas, ideológicas, laborais, cúmplices, virtuais, velhas, recentes, duvidosas, interesseiras, obsessivas.
Ao longo da minha vida os amigos foram tomando formas muito diferentes. A maior parte deles começou de uma forma casual. Depois a relação foi-se desenvolvendo e evoluindo ao sabor das características próprias de cada um. 
Tenho mais amizades nos homens do que nas mulheres. E, por norma, pertencem a grupos etários abaixo do meu.
Entre as primeiras, as masculinos, tenho três grandes categorias onde todos eles se agregam: os do coração, os da razão e os que resultam de uma mistura de tudo isto.
Confesso que dou primazia aos últimos. Porque são uma espécie colorida que não tem cariz definido. Umas vezes comanda o coração, outras a razão, outras ainda, algo que se assemelha a sentimento difuso, a um amor que podia ter sido e jamais foi.
No coração estão os amigos de infância, aqueles que me conhecem como ninguém  Na razão estão os que pensam como eu e o seu oposto, os que dão luta e obrigam a pensar, mas também os que são cúmplices e estão ali para o que der e vier.
Na última categoria estão aqueles que sempre me surpreendem, que me amam e me detestam, que me entendem ou me criticam, que me apoiam ou me provocam. Enfim, que me seduzem. E, maravilha das maravilhas, com quem posso estar em silêncio!
As amizades femininas descobri-as bastante tarde. Numa época em que a concorrência já não existe, ou pelo menos não tem grande significado. Talvez por isso, a solidez seja a primeira das qualidades que nelas encontro. E uma liberdade que, apesar de tudo, é arriscado ter com um homem, por mais irmão que o consideremos...
Foi, aliás, uma bela surpresa, porque existe uma cumplicidade de género que dispensa grandes explicações e permite a partilha sem entrar em pormenores. 

HSC 


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

As voltas da amizade


A amizade e as suas matizes é tema de que, um dia, me hei-de ocupar aqui. Mas hoje, se a refiro, é porque esta semana tem sido a amostra daquilo que chamo de "amiga vadiagem". 
Com efeito, comecei com o lançamento do livro da Inês Pedrosa na segunda feira, tive SIC na terça, agora acabo de assistir ao Prémio António Quadros 2012 atribuído à LENDAS DA INDIA de Luis Filipe Castro Mendes, vulgo Alcipe - que, de quando em vez, aparece aqui -, amanhã estarei no lançamento do primeiro livro do Marcelo Teixeira, amigo que durante vários anos foi meu editor, sexta feira estarei no jantar de homenagem a um homem a quem muito devo - António Pires de Lima, pai - e, mais viva que morta, conto apresentar-me na próxima segunda, no lançamento dos meus NOVE MAGNÍFICOS.
Quem me conhece bem, sabe que só a amizade pode explicar uma semana destas. Como autora de livros e alguém que trabalha em televisão, tenho obrigações e cumpro-as. Pelos amigos tenho devoções. Por isso, num dia de greve e de distúrbios, fui dar um abraço ao poeta, cuja amizade nasceu nesta e na sua casa da blogosfera, e foi tomando forma ao longo dos meses. 
No Palácio Foz encontrei gente daqui, como a Era uma vez e, surpresa das surpresas, uma mão cheia de amigos comuns. Muitos outros terão ficado presos na confusão de trânsito que a greve provocou.
Valeu a pena o caloroso e sentido abraço, porque foi muito especial ouvir o poeta ler alguns dos seus próprios versos!

HSC 

Afinal o trio era um quinteto...


As ligações perigosas de David Petraeus sobre as quais aqui escrevi recentemente complicam-se. Agora aparecem mais dois novos personagens na história, a saber o futuro substituto de Petraeus e Jill Kelly.
Esta última, de 37 anos, e seu marido, o cirurgião Scott Kelley, são descritos como sendo amigos, há mais de cinco anos, do general Petraeus e de sua família.
Não há indícios de que Kelley e o general tivessem um caso. O seu envolvimento no escândalo, só se deu a partir de Maio, quando ela começou a ser alvo de emails anónimos ameaçadores, acusando-a de ter uma relação íntima com Petraeus.
Kelley accionou o FBI e os agentes federais acabaram por descobrir que os citados emails haviam sido enviados por Paula Broadwell, e por também confirmar que esta e Petraeus haviam trocado uma série de emails íntimos.
Em Tampa, Kelley era uma espécie de relações públicas não remunerada na Base da Força Aérea MacDill, onde se encontrava instalado o Comando Central do Exército dos Estados Unidos, no qual o general Petraeus havia estado baseado antes de ser transferido para o Afeganistão, para comandar a operação da Nato.
Acontece que ontem o escândalo tomou novos contornos, ao saber-se que o sucessor de Petraeus no comando daquela organização no Afeganistão, o general John Allen, teria trocado entre 20 a 30 mil emails com Jill Kelley.
A correspondência foi descrita como ''inapropriada'', mas o FBI, que levantou o caso, não divulgou a natureza dos conteúdos.
No meio de tudo isto existe Holly Petraeus, que há 38 anos é a mulher do general. Filha do general William Knowlton, o superintendente da academia militar de West Point quando Petraeus lá serviu como cadete, foi aí que, em 1973, o casal se conheceu.
Defensora das famílias dos soldados passou, nos últimos anos, longos períodos longe do marido e chegou a testemunhar, perante o Senado americano, acerca do impacto que as missões prolongadas tinham sobre as mulheres dos soldados.
Em janeiro de 2011, foi contratada para administrar um escritório voltado para veteranos de conflitos militares, dentro da agência do governo americano de protecção do consumidor, onde a sua tarefa era impedir que integrantes das Forças Armadas e suas famílias se envolvessem com esquemas predatórios de empréstimos.

Parece uma telenovela mexicana? Parece. É? Ninguém sabe. O que sabemos e se estranha, é que só agora tenha vindo a lume uma história - onde o trio passa a quinteto - que já era conhecida antes das eleições... Mas no campo político, seja no velho ou novo Continente, já nada me surpreende!

HSC

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Inês Pedrosa

Já aqui falei dela e da estima que lhe dedico. Mas isso só acresce ao apreço que tenho pela sua escrita.
A Inês lançou ontem, no Museu do Fado, o seu novo romance "DENTRO DE TI VER O MAR". A apresenta-lo esteve Francisco José Viegas. Na plateia escritores, editores e muitos amigos.
Comecei hoje a le-lo, pelo que guardo para mais tarde as emoções que o mesmo me provoque. Agora, apenas quero partilhar convosco o gosto que tive em ouvir o apresentador e a autora.
O primeiro explicou como via a obra da Inês e de como nela se misturam as suas facetas de cronista e romancista. A segunda, manifestamente feliz, explicou porque tem de escrever. Fizeram, sem ser essa a sua intenção, um belo dueto sobre a necessidade de procurar e encontrar a identidade própria.
Para a Inês, como para mim dentro de dias, a vontade inicial é, sempre não fazer lançamento. Os amigos têm de se deslocar e nós ficamos sempre com receio de estarmos a pedir demais. Mas a verdade é que, depois, a satisfação de vermos as pessoas que o escasso tempo livre não permite que vejamos tanto quanto queríamos, é enorme.
Foi o que ontem se passou. Eu estava um farrapo - parece-me que, no meu caso, o "estar" começa a equivaler o "ser" -, mas tive muito gosto em lá ter ido com a minha a minha querida Maria João Lopo de Carvalho. E de estar com a Lídia Neto Jorge, a Fernanda Câncio, o João Amaral, a Pilar del Rio, o Rui Zink, a Helena Matos, a Ana Mesquita, o Fernando Pinto do Amaral. Enfim, ainda podia desfiar mais uns quantos, mas estes eram os que não via há mais tempo. 
Como sempre a heterogeneidade política dos amigos da Inês saltava à vista. Faltou a Patrícia Reis e o meu filho Paulo. A primeira apresentava o seu livro no Brasil e o segundo estava no Egipto.
Parabéns Inês, minha incansável amiga, que mereces todos os teus sucessos!

HSC


Duas curiosas notícias

Duas curiosas notícias despertaram hoje a minha atenção neste retorno ao burgo. A primeira, pouco empolada, é a de que a Grécia teria conseguido mais dois anos para resolver os seus problemas. A segunda é a de que Dirceu, braço direito de Lula teria sido condenado a 10 anos e 10 meses de prisão.
Segundo o acordo entre o FMI e os ministros das Finanças da zona do euro, os helenos beneficiarão de um prazo de mais dois anos - até 2016 e já não 2014, como antes fora previsto -, para alcançar um superávit primário de 4,5% do PIB.
Os credores internacionais da Grécia concordaram ontem com esta concessão para que o país possa fazer os ajustes necessários às suas finanças. Porém, ainda não deram o aguardado sinal positivo para libertar a parcela de 31 bilhões de euros da ajuda financeira. Calcula-se que a decisão deverá demorar, no mínimo, mais uma semana.
Antes, o governo grego deveria obter um superávit primário de 4,5% até 2014. Porém, a recessão "mais profunda do que o esperado" obrigaria a um corte de 20,7 bilhões de euros, em vez dos 11,5 bilhões de euros planeados. Perante este problema, a troika de credores internacionais, recomendaram que 2016 fosse a nova data-limite.
Relativamente a Dirceu, se o Supremo Tribunal Federal não mudar de ideias – o que pode acontecer se a Corte decidir equilibrar as sentenças e analisar as suas possíveis incongruências – ele terá de cumprir dez anos e dez meses de reclusão pelos crimes de corrupção activa e formação de quadrilha. Porém, o cenário mais provável é o de que apenas cumpra, em prisão, um máximo de três anos e sete meses. Ou, mais possível ainda, apenas metade disso, o que representa um ano e nove meses num presídio.

Conclusão: a Grécia soube negociar. E a Justiça no Brasil foi capaz de incriminar. Nada mau nos tempos que correm...

HSC

Francisco Louçã

Francisco Louçã deixou a liderança do BE, mas não deixou a política. Ainda bem. Explico porquê.
Durante longos meses, no Fio de prumo, coluna semanal que,  por alguns anos, mantive no Diário de Notícias, era frequente ocupar-me do "inefável Louçã". O meu filho Miguel sempre respeitou este meu enjeite de estimação e apenas um dia, de raspão, a rir, sussurrou que eu escrevia e ele, à segunda feira, ouvia...
Não era tanto o conteúdo do que Louçã afirmava. Era a forma como o afirmava. Havia um qualquer rasto de seminarista naquele seu jeito de se expressar que em mim devia desafinar alguma corda.
Porém, devo ter sido das pessoas que mais e melhor acompanhou a sua carreira porque, de algum modo, era também acompanhar o meu infante.
Nas aulas e porque os seus livros são bons, muitas vezes os seus discursos foram tema de conversa e os textos leitura obrigatória. Confesso que o fiz só por ter uma noção muito apurada de que os meus gostos pessoais nada tinham a ver com o que eu entendia que devia ensinar.
Depois fui-me habituando, embora continuasse discordando. É um tribuno de um certo género que eu conheço bem. E julgo que essa espécie de inflexibilidade do seu discurso terá feito com que muita gente mais velha se tenha afastado de o escutar.
A doença do meu filho Miguel fez-me olhar o BE com outro respeito. E, nesse campo, Francisco Louçã soube conquistar o meu coração. Discordavam muitas vezes, zangavam-se outras tantas mas, sei-o hoje, eram, de facto, amigos. Descobri, afinal, em Louçã uma humanidade escondida que, julgo, cativou a minha estima. Como também acabei por descobrir naquele grupo, mais três outros seres especiais: a Mariza Matias, o João Semedo e a Paulette.
A política portuguesa precisa de oposição lúcida. E não se pode dar ao luxo de dispensar quem sabe pensar. Mesmo que eu não concorde com ele, entendo que pode e deve continuar a ser ouvido.
É por essa herança que Louçã deixa, que eu não posso deixar de desejar ao meu estimado João Semedo, sucesso na metade da bicefalia directiva que lhe vai competir.

HSC