terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Uma outra crise...

"Eduardo Catroga afirmou hoje que não sabe quanto vai ganhar como presidente do conselho geral e de supervisão da EDP, considerando a polémica em torno da sua remuneração “surrealista” e sem “aderência à realidade”.

O valor que o novo Presidente do Conselho Geral e de Supervisão irá receber foi definido, no ano passado, para o anterior chairman, António de Almeida, mas ainda não é do conhecimento público. 



Contudo, este salário deverá ser alterado em Abril, quando for nomeada a nova Comissão de Vencimentos da eléctrica portuguesa, que terá lugar durante a Assembleia Geral de accionistas que aprovará os resultados de 2011.



A remuneração recebida por António de Almeida em 2010 rondou os 600 mil euros, de acordo com as informações do último relatório e contas publicado pela empresa.

Devo confessar - embora não sejam questões desta natureza que resolvem a crise

 - que este nível de salários, determinado ainda no tempo do anterior governo, me incomoda profundamente. Não por uma questão de inveja, mas por uma questão de pudor!

HSC

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Um fim de semana diferente


Ainda aqui não tinha referido a minha mais recente aventura, que passo a relatar.
Há uns meses que a Ana Vidal andava a convidar-me para escrever num blogue colectivo chamado Delito de Opinião. Como estava muito ocupada, não aceitei. De facto, o que eu receava era fazer parte de uma colectividade de que apenas conhecia pessoalmente um elemento, e de nome e trabalho, mais uns dois.
A Ana insistiu, eu enchi-me de brios e acabei por aceitar, com o grau de loucura de que jamais me livrarei, a não ser quando for desta vida para uma que dizem ser melhor. E assim passei para a plataforma blogs.sapo - uma confusão, podem crer - sem avaliar bem no que me metia.
Os primeiros post's deram logo origem a algumas piadas familiares - todas correctas, devo dizê-lo - mas que me prepararam para um futuro incerto. Como não sou de me amedrontar, dei troco, aguentei firme e continuei. Hoje estou contente por te-lo feito.
Ora este fim de semana, mais concretamente sábado, houve um almoço dos participantes que puderam estar presentes. Para mim, era uma espécie de blind date, o que nunca, nem no tempo deles, me acontecera...
Mas, acompanhada da Ana, lá fui. E foi uma experiência cheia de graça. A única regra do Delito é tratarmo-nos por "tu". Portanto, ali estava eu a tutear uma série de pessoas que não conhecia de lado nenhum.
Pois bem. Foi óptimo o repasto e meia hora depois riamo-nos como se nos conhecêssemos de toda a vida. Estivemos a tagarelar quatro horas e quando cheguei a casa estava mesmo satisfeita.
Conclusão: "nunca afastes uma experiência que pode estar à tua espera...". O slogan da astrologia não é este, mas eu não me lembro dele e por isso arranjei um que fica perto!

HSC

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Quem não tem...

"Não aceito os insultos do Senhor Schaüble ao meu país", afirmou Papoulias num discurso citado pela Bloomberg, que se destinava não só ao ministro das Finanças alemão, mas também aos países do Norte da Europa.

Papoulias, que tem 82 anos e foi combatente do regime Nazi durante a II Guerra Mundial, abdicou do seu salário anual de 300 mil euros, em "solidariedade" com o povo grego, que está a ser alvo de muitos sacrifícios.

As duras palavras de Karolos Papoulias surgem numa altura em que os líderes europeus ainda questionam se avançam ou não com um segundo resgate à Grécia, que corre o risco de entrar em incumprimento já em Março.

De facto, os políticos gregos criticam a pressão a que estão a ser sujeitos por parte dos ministros das finanças da zona euro que, mesmo após a aprovação, no Parlamento, a semana passada, de medidas de maior austeridade, se recusaram a aprovar um segundo empréstimo ao país.

A situação da Grécia está, como não pode deixar de ser, a tornar-se um verdadeiro case study!

HSC

Desacordo Ortográfico

Ando em mood de roubos. Desta feita, fui ao post do Pedro Correia no blogue colectivo Delito de Opinião e furtei-lhe algumas linhas. Assim, o texto é meu - sempre mostro algum trabalho...-, mas as frases são dele. E como concordo com todas elas, aqui vai, uma vez mais, o meu desacordo ao Acordo fatal!

Já não é só o Centro Cultural de Belém -- instituição de direito privado, sem tutela pública. Ou Serralves. Ou a Casa da Música. Já não são só a generalidade dos jornais que o ignoram -- Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, i, Diário Económico e Jornal de Negócios, além da revista Sábado.

Já não só os angolanos que se demarcam, ou os moçambicanos. Ou até os macaenses. Sem excluir os próprios brasileiros.

Por cá também já se perdeu de vez o respeitinho pelo Acordo Ortográfico. Todos os dias surge a confirmação de que não existe o consenso social mínimo em torno deste assunto.

É José Gil, um dos mais prestigiados pensadores portugueses, a classificá-lo, com toda a propriedade, de «néscio e grosseiro».

É a Faculdade de Letras de Lisboa que recusa igualmente impor o acordo. Que só gera desacordo.

Um acordo que pretende congregar mas que só divide. Um acordo que está condenado a tornar-se letra morta -- no todo ou em parte. Depende apenas de cada um de nós

HSC

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Tenho pena...


Aceitando que a frase está correcta e não fora de contexto lamento, enquanto católica, que tenha sido proferida, porque não é isso que desejo para as mulheres, nem foi isso que desejei para mim.
Neste discurso prevalece uma "visão funcional" do papel da mulher, que nem sequer obedece à visão oficial da Igreja Católica, a qual dá primazia à integridade ontológica, seja qual for a função ou o género.
Eu quero ter tanta liberdade de opção como um homem. E tenho esse direito porque aceitei que durante nove meses o meu ventre fosse, para os meus filhos, a sua única casa, o porto seguro onde se fizeram gente. Mas, uma vez neste mundo, ser pai ou ser mãe, impõe obrigações mútuas. E se na aleitação é ainda à progenitora que se pede essa dádiva, o pai pode, deve neste caso, fazer tudo o resto para supletivamente, a aliviar nesse período. Mas depois, a opção tem de ser um direito de ambos, porque educar é uma tarefa do pai e da mãe e não apenas de um só.

Também eu eduquei filhos e tive uma carreira. E não admito a ninguém, ser desvalorizada como mãe ou como mulher, por tê-lo feito!


HSC

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Cancioneiro Chinês

Adoro esta mulher moça e formosa,

Que à janela, a sonhar, vejo esquecida,

Não por ter uma casa sumptuosa

Junto ao Rio Amarelo construída…

- Amo-a porque uma folha melindrosa

Deixou cair nas águas distraída.

Tambem adoro a brisa do Levante

Não por trazer a essência virginal

Do pessegueiro que floriu distante,

No pendor da Montanha Oriental…

- Amo-a porque impeliu a folha errante

Ao meu batel no lago de cristal.

E adoro a folha, não por ter lembrado

A nova primavera que rompeu,

Mas por causa de um nome idolatrado

Que essa jovem mulher n’ela escreveu

Com a doirada agulha do bordado…

E esse nome… era o meu !

( in Poesias Completas – António Feijó, Edições Caixotim)

Esta poesía foi roubada do

www.timtimnotibet.blogspot.com, uma casa que visito diariamente, sempre com acrescido prazer e cujo autor é um dos nossos grandes poetas. Também tem, além desta vocação, uma profissão.

Não sei explicar porque me apeteceu fazer este esbulho. Mas gostei tanto dela, neste cálido tempo de primaveras asiáticas, que me pareceu que o prazer que vos daria perdoaria o crime confessado...

HSC

Duas entrevistas



Ontem assisti a duas entrevistas. Uma ao Prof. Sobrinho Simões que falou de assuntos vários todos eles ligados por esse tema maior que é a educação. A outra ao Procurador Geral da República, Dr. Pinto Monteiro, sobre os temas da Justiça. Ambas tiveram interesse.
Para mim, a primeira, como sempre, confesso, encantou-me. Porque - e cada vez mais corroboro esta minha opinião -, o Professor continua a ser uma das mentes mais lúcidas que o nosso país tem. Lúcido e sem medo de usar as palavras, seja na crítica, seja no elogio. No fundo, é alguém que já não necessita de provar nada a quem quer que seja. A sua carreira fala por si. Mas é a dimensão do homem que está por detrás dela que importa conhecer.
Na segunda, Pinto Monteiro quis mostrar o que de novo tinha acontecido na sua área, nos seis anos em que exerceu as funções de Procurador Geral, e falar das dificuldades que teve de enfrentar, num Ministério Público que lhe era parcialmente adverso.
Para quem esteja longe destes assuntos, a mesa redonda que se seguiu a esta entrevista foi de enorme utilidade, porque permitiu desmontar o que não era inteiramente verdade e já estava esquecido e salientar o que merecia ser apreciado.
Uma frase houve, nesta última conversa, na qual não acredito de todo. É quando ele afirma que "em 23 anos de carreira e em particular nos últimos seis, jamais tinha sido submetido a pressões políticas".
Não pode ser verdade. Até eu, que não sou rigorosamente ninguém, já as tive...

HSC