quinta-feira, 30 de junho de 2011

A nossa emigração


Já aqui escrevi, por diversas vezes, que é preocupante a saída de cerebros do país na altura em que este mais precisaria deles. O Estado investiu anos na sua educação e depois, como não oferece saídas profissionais nem aos melhores, estes vão rentabilizar a elite dos países que os acolhem. É grave, é urgente e precisa de ser, de algum modo, alterado.
O INE -Instituto Nacional de Estatística revelou recentemente que em 2010 mais de 30.000 pessoas teriam emigrado à procura de trabalho. Mas o Observatório para a Emigração admite que este número possa ser, realmente, de mais de 70.000.
Outro dado preocupante é o que se refere aos cerca de 2.500 alunos do ensino básico e secundário que não irão renovar as matrículas em Portugal, porque acompanharão os pais na sua saída. Ainda de acordo com aqueles elementos do INE, há mais de 11.000 alunos que pediram a sua transferência para escolas estrangeiras.
Se juntarmos todas estas informações não só estamos perante uma sangria dos melhores na vida activa, como estamos a perder a formação daqueles que, muito naturalmente, se fixarão nos países para onde vão estudar.
Ou seja, dentro de duas ou três gerações o nosso melhor capital humano está a "render" longe da pátria que nada fez para o agarrar...

HSC

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Meros avisos


A nova directora-geral do FMI - Fundo Monetário Internacional , Christine Lagarde, afirmou hoje que:

· Portugal “precisa de fazer reformas estruturais” e cumprir o compromisso de “unidade nacional”.
· na Grécia se torna necessária uma política de “reconciliação nacional”, pelo que pedia à oposição política do país que apoiasse o partido no poder, num espírito de unidade nacional.
· uma eventual saída da Grécia da Zona Euro seria, neste momento, “o pior cenário”, a ser “absolutamente evitado por todos os meios”.
· é necessário que todos os credores a olhem para a Grécia, mas também é preciso que a Grécia actue de forma responsável”
· a Grécia foi atingida por outros motivos, tais como “falsas estatísticas” e “dificuldades em controlar a situação”
· a Irlanda vive uma situação particular, em que mantém o seu sector bancário forte e um desenvolvimento enorme no ramo imobiliário”,
·“dizer que Espanha vai mal é errado”, porque, sublinhou, “há todos os esforços do governo espanhol para um saneamento do sector bancário”

· os casos nos países europeus “não devem ser generalizados”

Não serão novidades mas marcam o ponto de vista de quem vai mandar um pouco por toda esta Europa. A seguir com atenção!

HSC

terça-feira, 28 de junho de 2011

É o tempo...


Vamos ter uma mulher à frente do Fundo Monetário Internacional, instituição chave no mercado financeiro internacional. Trata-se de Christine Lagarde que sucede assim a um outro francês Dominique Strauss Kanhn, afastado do cargo por um processo que aguarda julgamento. Esta nomeação representa uma dupla vitória: a do género e a da França que, de algum modo saíra um pouco vexada com a forma como DSK havia sido afastado. E representa, ainda, o postergar da ambição de alguns países não europeus que se perfilavam para ocupar o lugar.
Após a queda de Dominique Strauss-Kahn, o presidente francês decidiu dar força a candidatura desta mulher elegante e de cabelos brancos, com 55 anos de idade, mas sobre a qual recaía um processo judicial que poderia manchar sua imagem no país.
Com efeito, a Justiça irá pronunciar-se no dia 8 de Julho sobre uma eventual investigação a Lagarde por abuso de autoridade num caso complexo que envolve Bernard Tapie e no qual ela sempre se confessou inocente.
Este caso ensombreceu, de algum modo, o final do seu mandato à frente do Ministério da Economia e das Finanças do governo de Sarkozy.
Olhada como favorita da imprensa económica inglesa teve, contudo, de realizar nas últimas semanas, um enorme esforço pessoal para ganhar a confiança dos países emergentes,aos quais, aliás, prometeu dar lugar de destaque no FMI.
Considerada por muitos como dura e arrogante, grande parte de sua carreira foi feita nos Estados Unidos, onde chegou a presidir ao célebre escritório de advocacia empresarial, Baker & Mckenzie.
Christine Lagarde é filha de pais professores e formada em Ciência Política, tendo concluido um mestrado em Inglês e um diploma de Direito Social e da Concorrência.
Hoje, o presidente francês e seus colegas europeus acreditam que sua presença em Washington poderá vir a ajudar a resolver a grave crise que ameaça a Grécia e toda a Zona do Euro.

HSC

Silêncio Quebrado


Mão amiga fez-me chegar o texto seguinte publicado e escrito por Manuel António Pina, o vencedor do Prémio Camões 2011. Não o tinha lido. Mas como aborda uma questão sobre a qual já postei e que considero grave, entendi que devia dá-lo a conhecer a quem por ventura dele não tivesse conhecimento. O seu título é o meu. Ei-lo:

"Ao contrário do que foi dito quando veio a público o escândalo do "copianço" no CEJ, o caso não é "pontual". Acompanhei de perto um curso anterior em que o "copianço" era frequente e a política seguida por certos (insisto: certos) dos então responsáveis do CEJ a de esconder esse lixo debaixo do tapete.
Alguns professores abandonavam as salas durante os testes confiando a vigilância à honestidade de cada formando. O problema era que a honestidade de alguns (hoje nos tribunais a acusar e julgar casos de fraude) nem sempre era a expectável em futuros magistrados.
Existem nos arquivos do CEJ documentos demonstrando o que aconteceu a uma formanda que quebrou a lei da "omertá" e se referiu ao assunto durante um encontro na presença do desembargador coordenador da sua formação. Na sequência disso (decerto por coincidência), passou a ser sujeita a humilhações e discriminações de toda a ordem e "avaliada", em relatórios escritos, por coisas como fumar, almoçar sozinha, ter "pré-juízos" em relação às leis de protecção animal (pois teria gatos) e a direitos de autor (pois publicara obras literárias), culminando tudo num relatório final do mesmo desembargador, feito com base em quatro (repito: quatro) trabalhos, escolhidos a dedo entre os mais de 500 que realizara, que a forçou à desistência.
Talvez a formação de futuros magistrados seja coisa séria de mais para estar entregue a certos actuais magistrados."


Dizer mais para quê?

HSC

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Afinal sei muito pouco...


Enquanto uns, ao Domingo, assistem a comentários políticos mais ou menos requentados, eu, que pouco ou nada me interesso por eles, vejo o programa da Paula Moura Pinheiro, no qual ou aprendo sempre qualquer coisa ou tenho surpresas que me conduzem ao mesmo.
Ontém cheguei já um pouco atrasada e dei de caras com um homem que sabia o que dizia e me prendeu de imediato a atenção. Olá, disse para comigo mesmo, quem é este "boneco" que não só sabe do que fala - no caso escritores, ensino, educação - como ainda tem um subtilíssimo sentido do humor?
De repente surge o nome: Miguel Tamen, ou antes, Prof. Miguel Tamen. Olhei melhor - porque ouvir melhor seria impossível, já que estava totalmente suspensa do que ele dizia - e, subitamente, fui tomada pela emoção. Estava ali a encantar-me o bébé que eu trouxera ao colo imensas vezes, o filho do meu querido e velho amigo Pedro Tamen.
Fiquei siderada de o não conhecer, já que o trabalho da mulher, Ana, conheço bastante.
Debrucei-me na net para saber coisas dele. Agora já sei um pouco mais.
Aconselho vivamente quem se interesse por coisas de literatura e educação, a ver o referido programa no seu computador, até porque o outro convidado também tinha muito interesse.
Hoje fico por aqui. Dentro de algum tempo voltarei à carga, até porque ele anunciou a criação na Universidade portuguesa de um curso de Estudos Gerais, no qual, para além de um tronco comum de cadeiras, o resto será em sistema americano, ou seja por escolha individual do currículo de interesses.
E eu que, às vezes, ainda julgo que sei alguma coisa...

HSC

domingo, 26 de junho de 2011

Este calor


Chego a Lisboa tarde. O calor, abrasador, lembra-me Africa. De onde vim também não estava fresco mas, pelo menos, o céu era de um límpido azul. Ao contrário deste cinza que mal se deixa atravessar pelos últimos raios solares.

Entro em casa. Aqui a sensação que tenho é a de que, se tentasse, poderia grelhar carne na tijoleira do meu belo terraço. A medo, começo a abrir as janelas todas. Mesmo assim nem uma aragem...

É nestas alturas que me irrito comigo mesma porque quero sempre últimos andares virados a sul e, depois, passo as estopinhas com os verões e os invernos. Ambos verdadeiros infernos para quem se recusa a ter ar condicionado.

Cai a noite. Desisto de desfazer o saco de viagem. Estou o que se chama um pastel. Arrasto-me até ao terraço e atiro-me para o cadeirão, onde fico imóvel por tempo indeterminado. Adormeço.
Quando abro os olhos, surgem os primeiros fios de luz.São seis horas da manhã.Estou, finalmente, bem.

HSC

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Ainda há quem case


Que diferença há entre casar e viver com? Para os católicos sei qual é a diferença. Mas, para os outros, francamente não sei. Vem este assunto a propósito de uma amiga minha que decidiu casar-se. Sempre a vi como uma mulher para quem a certidão de registo do acto não tinha qualquer importância nem pessoal nem profissional. De facto, ocupa um alto cargo numa multinacional e a sua vida sentimental nunca fora objecto de escrutínio.
Assim, quando ela me convidou para almoçar estava longe de pensar na razão principal desse convite. Já estavamos sentadas e com a ementa escolhida, quando ela me dispara "querida vou casar e queria que tu fosses a madrinha" .
O que me valeu foi o facto de não estar de pé. E, de imediato, saiu-me "tu não estás boa do juízo. Que foi que te deu? Porquê essa decisão, aos sessenta anos, quando tu sempre viveste como quiseste e o matrimónio nunca te atraíu? Madrinha eu, porquê?
A simplicidade da sua resposta deixou-me sem palavras. Sorrindo explicou-me que era justamente por nunca ter casado que agora pretendia fazê-lo!
Convenhamos que a alma humana e os seus anseios, são tão diversos quanto inesperados...E, acreditem, com ou sem razões, fiquei a matutar no caso!

HSC