sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Uma certa forma de paz

Antes de terminar o ano de 2010, para mim de má memória, não quero deixar de registar aqui uma palavra de ternura para um blogue que acaba de fechar. Temporariamente ou não. Não sabemos.
Trata-se do Criativemo-nos.blogspot. com cuja autora é Maggie Pereira. Desde que ando pela blogosfera, há cerca de ano e meio, a sua casa era de visita diária.
Bonito, inteligente, sensível, culto, romântico, este blogue proporcionou-me muitos momentos de satisfação pessoal. Por motivos vários, acabei por me corresponder com quem regularmente o alimentava. Que veio, confirmei-o, a revelar-se um exemplo vivo dos adjectivos que uso para o seu espaço.
Vai fazer-me alguma falta esta visita diária que lhe fazia. Só não uso "muita" porque espero continuar a ter as suas notícias.
Ela já avisara, há uns tempos, que tal poderia acontecer. São bons os motivos que a levam do mundo etéreo que usamos. Isso alegra-me. Bom 2011, amiga!

HSC

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Pois, pois...

O ano de 2011, muito enervado, escreveu ao nosso Embaixador em França a pedir-lhe ajuda. Serviu-se para isso de uma carta que o nosso distinto diplomata se limitou a transcrever, sem qualquer comentário, no seu blogue e na qual se lamenta amargamente de andar a ser vilipendiado, pese embora o facto de ainda nem sequer ter começado.
Pois eu digo aqui, branco no preto - salvo seja, ainda vão chamar-me racista -, que 2011 tem grande descaramento. E costas largas.
De facto, se ainda não tomou posse, é porque gosta de estar aqui na Europa onde tudo se faz devagar, au ralenti. Se quer fazer vista antes de tempo, vá para os países onde começa mais cedo e julga que é melhor tratado. Espere pela pancada...
Esquece que se é tão mal afamado aqui, é por culpa do seu antecessor, o 2010, que o não avisou dos estragos que lhe fizeram três dos amigos comuns que o andam a difamar. Nomeadamente as previsões, as agências de rating e a política de alguns senhores com quem gosta de se mostrar. Que até vão para fora, para o estrangeiro, onde ele se estreia mais cedo!
"Diz-me com quem andas, dir-te-ei as manhas que tens" é adágio dessa terra onde ele pisa amanhã e de que tanto se queixa. Espere por 2012 e vai ver como lhe apertam os sapatos.
Nessa altura ninguém se vai esquecer da carta que o maroto escreveu ao diplomata abusando da sua conhecida educação. Mas prepare-se, porque de otimistas está o governo cheio... e os portugueses não são de vinganças mas fazem-nas pelas mansas. Olá, se fazem!

HSC

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Martha Medeiros

A Morte Devagar

"Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante.
Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia.
Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar."

Este texto foi citado, com admiração, por Isabel Seixas, num comentário feito a um post do nosso Embaixador em França, no seu blogue (duas-ou-tres-blogspot.com).
Martha Medeiros é brasileira, vai fazer 50 anos, é jornalista, escritora e poeta/poetisa. Tem uma dezena de livros publicados e colabora regularmente no jornal Zero Hora de Porto Alegre e no O Globo de S. Paulo.
Só recentemente a descobri. Mas neste fim de ano de balanços, nada melhor que dar voz a quem de forma tão inteligente acaba por falar da vida!

HSC

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Apelo?!

Só nos faltava mesmo esta para termos a ideia da consternação que grassa pelas mentes dos responsáveis do mundo europeu.
O Presidente da Comissão Europeia, português dos quatro costados e de nome Durão Barroso, anda incomodado com o falatório dos seus pares. Farto, "apela aos líderes políticos para estarem mais calados e deixarem os comentários para os comentadores e perceberem que os mercados financeiros estão a ouvir".
Por acaso esta declaração foi pronunciada na mesma altura em que o ministro das Finanças da Eslováquia, numa entrevista a um jornal, considerava que Portugal e Grécia estariam melhor fora da zona euro, para a qual, considerou, as suas economias não estavam ainda preparadas.
Confesso que tive que ler a notícia duas vezes. Depois de Durão mandar calar governantes, agora até um senhor de nome Ivan Miklos, que governa as finanças do seu país, se permite dar opiniões públicas sobre o modo como nós, seus parceiros, devemos ser conduzidos!
O mundo não anda bem. Os políticos, pior um pouco.
E ainda se admiram do rei Juan Carlos ter mandado calar o ditador Chavez!

HSC

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Dez coisas que não devem mudar...

Não li, mas dizem-me que veio publicado no Expresso, num artigo do Embaixador do Reino Unido em Portugal, nesta época, e em vésperas de voltar ao seu país. Basicamente o diplomata salienta dez aspectos nacionais que, espera, não mudem nunca. A saber:
1- A comunicação inter gerações e a influência dos avós no seio da família;
2- A importância da comida na vida diária. Os portugueses, mesmo não almoçando em casa, não se limitam a ingerir sandes. Têm gosto de tomar a refeição à mesa e fazê-lo em companhia;
3- A variedade da paisagem do Minho ao Algarve;
4- A tolerância. Portugal é considerado pelo estudo internacional MIPEX como um dos países mais acolhedores para os emigrantes estrangeiros que o procuram;
5- O café e os cafés servidos em locais simples e acolhedores. Quando tomados com um pastel de nata morno são um prazer inesquecível;
6- A inocência tão bem traduzida nas nossas danças folclóricas regionais;
7- O espírito de independência que surpreende quando se olha o mapa ibérico;
8- As mulheres. Conselho precioso "se quiser uma tarefa bem feita entregue-a, neste país, a uma mulher". Conselho seguido pelo Embaixador que casou com uma portuguesa!
9- A curiosidade. A influência do "de lá" é marcante no "cá";
10- O dinheiro não é, entre nós, o mais importante. Sair da praia num fim de tarde e jantar um peixe grelhado com um bom vinho, entre amigos, não tem preço para os portugueses.
Bem haja o Senhor Embaixador pela simpatia revelada!

HSC

O olhar dos outros

Veja o vídeo para que remete este link. Vale a pena. Escolha a língua em que quer as legendas se não domina bem o inglês.

http://www.ted.com/talks/lang/eng/benjamin_zander_on_music_and_passion.html

Retirei-o do blogue da minha querida amiga Rita Ferro. Ela referencia-o como o poder de comunicar. A mim soa-me mais a fascínio de viver. De quem sabe ensinar, com alegria, o que é importante na nossa vida. Porém, seja qual fôr a óptica pela qual ele seja visto e ouvido, não há dúvida de que constitui um belo tema de meditação neste fim de ano que se aproxima. De facto, fazer do brilho do olhar dos outros um objectivo do nosso trabalho é algo de notável. E este vídeo mostra-o de uma forma exemplar!

HSC

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Já falta pouco!

Depois de andar como uma barata tonta de entrevista para entrevista, de sessões de autógrafos para sessões de autógrafos, terminei ontem, em família, no programa do João Paulo Sacadura, "A livraria Ideal", a conversar sobre os quatro livros que publiquei no último semestre deste ano. Foi algo sereno, tranquilo e acolhedor.
A seguir, fui a correr para o juri da revista Lux que, desde que saíu, criou esta espécie de prémio para quem se destacou nos vários sectores da vida nacional. A discussão correu bem e, de forma democrática, tentámos ser justos.
Hoje é, finalmente, o primeiro dos ultimos dias de Dezembro em que me preparo para desaparecer. O resto da família já saiu. Só falto eu.
No dia 1 de Janeiro acabará este 2010 de má memória...Mas no qual tomei uma decisão: tentar deixar de passar recibos verdes! Nem mais. Este ano trabalhei sete meses para o Estado e cinco para mim. Acabou. É uma violência a tributação do trabalho a que estamos sujeitos.
Vou voltar às explicações aos meninos maus das famílias boas e, quem sabe, a fazer petiscos para fora. Os amigos riem-se. E eu rio-me deles, porque as crises só se vencem com imaginação. E essa, felizmente, não me falta. Logo, vou entrar no velho sistem da troca directa de serviços e fazer frente a esse 2011 que se avizinha desagradável.
A todos os que me lêem um Natal caloroso e uma ceia agradável! E, provavelmente, até para o ano!

HSC