domingo, 29 de agosto de 2010

Em descanso...

Por quinze dias andarei por outras bandas. África e Europa. Esquecida do mundo que me rodeia. Apenas pensando em mim...
Se nos recônditos lugares para onde vou, algo me fizer lembrar deste cantinho, então sim, aparecerei por aqui. Se não, estarei de volta em meados do mês que vem.
No blogue e-nada-o-vento-levou.blogspot.com, onde me conto em contos, aí sim, estarei mais presente. Nos dois de prosa poética também, talvez!


HSC

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Liberdade

“A liberdade de começar de novo é a maior de todas as liberdades. Se uma vida são muitas vidas, a da nossa Mãe começou de novo.
Ela é a mesma, só agarrou com as duas mãos a coragem que nunca lhe faltou. E meteu-se em brios e passou a prova do público. Descobriu que a vida também se escreve. Não tem ciência exacta sobre os sentimentos nem doutrina em forma sobre as emoções. Tem olhos para entender e ideias para explicar. Para nós não é novidade. A nossa Mãe escreve como sempre nos falou. São sermões laicos e dúvidas liberais. São interpretações de fé e códigos de carácter. São memórias ternas e contos de tristeza.
Ganhou-se a distância do que é pouco importante, escrevendo sobre o que está mais perto das pessoas. Nós só podemos recomendar a nossa Mãe com a autoridade dos conhecedores. E estar do lado da sua liberdade com a sinceridade dos admiradores”.

Este texto que aqui reproduzo foi o prefácio que os meus dois filhos, Miguel e Paulo Portas escreveram, em 1990, ao meu primeiro livro. Hoje, com doze já publicados e mais dois a sair brevemente, resolvi partilhar o quanto lhes devo, com aqueles que me lêm. Porque se é de liberdade que aqui se fala, o que está por detrás dela é, sobretudo, uma certa forma de amor!

HSC

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Orgulho e preconceito

O orgulho e o preconceito são atitudes que, apesar de velhas, têm vindo a vestir novas roupagens. Antes tinha-se orgulho na posição social, no nome de família, no título académico, ou no património próprio. O preconceito era o reverso, no plano prático, daqueles predicados. Ou seja, quem não tivesse os atributos motivadores de orgulho era visto como uma espécie de “ser de segunda”.
Os anos passaram, a monarquia foi-se, a república consolidou-se, e a revolução fez-se para que a democracia se instalasse. Pareceria, assim, que teriam desaparecidotodas as razões para que subsistisse o tal orgulho e preconceito.
Não é verdade. Curiosamente, hoje, qualquer deles persiste. Apenas mudaram de feição. Agora orgulhamo-nos do sucesso profissional, tantas vezes alcançado não pelo mérito, mas pela filiação partidária; orgulhamo-nos de ter subido a pulso na vida, como se o esforço não devesse ser a norma; orgulhamo-nos da pertencer à ideologia dominante, como se a liberdade depensar diferente não fosse um direito adquirido; enfim, mantemos uma certa forma de altivez pelo que fazemos ou por quem somos…E continuamos preconceituosos com quem não faz, não é ou não pensa como nós.
Mais permissivos? Só se for na capacidade de tolerar a asneira e de lhe chamar sucesso!

HSC

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Hei-de...

Sempre me incomodaram as expressões “tenho de” ou “tenho que”, por as considerar perpétuos falsos argumentos para nada fazer. O "hei-de"é igualmente mau!
Quando era estudante elas constituíam o intróito habitual usado pelos colegas que, não se tendo dado ao trabalho de tirar apontamentos, amaciavam a intenção de se servir daqueles que o haviam feito. Mais tarde e já na vida profissional, a expressão continuaria a ser usada para, de modo sistemático, explicar o que, devendo já ter sido realizado, por desleixo, ainda o não fora.
“Tenho de estudar”, “tenho de ir ao médico”, “tenho de parar de fumar”, “tenho de economizar”, enfim, tenho de, tenho de… Não foram poucas as vezes em que me enfureci com os meus filhos por causa desta malfadada atitude.
Quando se tem de actuar, só há uma coisa a fazer:tomar a decisão, agir, cumprir. De preferência sem pré-aviso, a fim de evitar desvios de rota. Ou então, se não se é capaz, aceitar a debilidade psicológica e ter a probidade de não prometer, de não dizer "hei-de". Apenas existem estes dois caminhos. Tudo o resto é fantasia.
Um familiar meu costuma afirmar, convicto, “tenho de me doutorar”. Há pelo menos dez anos que o oiço dizer isto, sem qualquer rebuço. Ora se ninguém lhe pergunta nada sobre o assunto, para que serve tal afirmação, que jamais foi cumprida? Quanto a mim, apenas para calar a má consciência. Até que alguém, nomeadamente eu, tenha a coragem de lhe dizer que… “porque não te calas?”!
HSC

A sedução


Sempre defendi que cada idade tem a sua sedução. O problema está em descobrir “qual” o tipo de encantamento possível em cada uma delas. Porque, nesta matéria, qualquer tentativa de fazer diferente, corre o maior dos riscos: o do ridículo.
Há dias, num consultório, ao folhear uma revista, dei de caras com uma senhora cuja antiguidade a situa no grupo das “idosas”, que envergava um vestido lindo bem acima dos joelhos. Alguma coisa estava, ali, evidentemente errado.
Hoje, e na sequência do que escrevi recentemente, mas numa outra ótica, vi a dita senhora, que encontrei, passeando à beira rio numa bela toillette desportiva, mas que seria mais apropriada a neta que a acompanhava...
Muitas mulheres no afã de parecerem tão jovens quanto os filhos - aqui arriscaria dizer, quanto as netas - esquece que a sedução está justamente no contrário, nessa imensa sabedoria de se aceitar e perceber que cada ruga e cada cabelo branco representam uma parte da vida que se não pode nem deve renegar. Até porque os filhos e os netos que eventualmente tenhamos, atestam de modo irrefutável o lugar que ocupamos na pirâmide etária à qual pertencemos!
A menos que queiramos correr o risco de parecermos ter tido um passado algo pedófilo...
Porque será que para tanta gente é tão difícil admitir a idade e tentar encontrar, a essa escala, aquilo que mais se adequa e mais valoriza o aspecto exterior. Que não é, certamente, numa mulher de mais de sessenta anos, pôr em evidencia as rótulas ou os seios…
HSC

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Celebridades

Num destes dias, ao fazer zapping, passei por um daqueles programas televisivos nos quais a pequenada constitui o tema principal.
Falava uma garota que não teria mais de dez a doze anos. Que dizia ser aquele o dia mais feliz da sua vida. Parei uns instantes para perceber a razão de tanta felicidade. Ei-la.
A entrevistadora de serviço explicava que o canal pretendera dar aquelas crianças o que elas mais queriam. Dentro do realizável, claro. E o que é que fora, sempre, o sonho desta garota? Resposta imediata: “ser uma celebridade”.
Claro que a “pivot” nem sequer lhe perguntou o que significava, para ela, aquela expressão, nem tão pouco a razão de tal desejo. Isso, era evidente, não interessava a ninguém. O que era realmente importante era a menina vir à televisão e ter, enfim, a impressão de que este era o meio pelo qual as pessoas se tornavam célebres…
Triste país o nosso que nem as oportunidades de ensinar alguma coisa, aproveita. E triste menina, esta, a quem ninguém soube esclarecer que os actos pelos quais alguém se torna célebre, ficam muito além duma ida à televisão!

HSC

Sonhar

"Meta a gente busca,
Caminho a gente acha,
Desafio a gente enfrenta,
Vida a gente inventa,
Saudade a gente mata,
Sonho…a gente realiza."


Estes versos são bem velhinhos e, julgo, terão já mesmo servido de letra a uma canção. Mas, para mim, eles continuam a ser um verdadeiro lema de vida. Que, aliás, muito influenciou a minha forma de encarar o mundo que me rodeia.
Quantos de nós, à medida que vamos envelhecendo, continuam a acreditar nesta verdade? Creio que muito poucos…
Recebi-os da mão de um grande amigo e tentei, ao longo da minha existência, não esquecer o precioso ensinamento que contêm. Espero que, um dia, quando eu já cá não estiver,os que cá deixo possam por sua vez dar-lhes continuidade!

HSC