domingo, 28 de fevereiro de 2010

Os deuses andam zangados

O fim de semana foi épico. Na sexta feira o jantar de aniversário da Rita, para além de excelente, proporcionou uma noite agradabilíssima de convívio. No fim do serão, começou a risada, que soube muito bem nesta semana triste que passou. À vinda, o vento já uivava no presságio do temporal que iria assolar-nos.
Sábado de manhã, quando ainda as televisões quase só falavam da Madeira, nova e violentíssima catástrofe. Desta vez no Chile. Pontes, estradas, casas, um terrível rasto de destruição. Dramático, pela violência!
A tarde, passei-a num motu contínuo, a fechar persianas. Que, no último andar em que vivo, mais pareciam o decor de filme de terror. Um desatino, um vai e vem, um senta levanta, sem direito a descanso, mas em que consegui, mesmo assim, deitar abaixo cinco jornais.
À noite, finalmente, estirei-me no sofá e, qual madame Recamier, ouvi o Plano Inclinado. Desta vez, o convidado era Rui Moreira, um homem de quem gosto muito e que conhece o nosso tecido empresarial como poucos. Depois li as revistas estrangeiras e fui para a cama com a estranha sensação de que o que se passara no Chile podia ter acontecido connosco...
Hoje, finalmente relaxei. O vento parou e a chuva tornou. Nada como ir almoçar e ao cinema com o meu neto André. Ando, mesmo, a aproveitar o tempo em que ainda o tenho por cá.
O filme, " Um homem sério", dos irmãos Cohen, é uma comédia dramática, bem feita, mas pesada, pelo menos para o meu estado de espírito.
Ao fim do dia já não aceitei o convite filial para nova sessão cinematográfica. Tantas e tão más notícias nesta semana, deram quase cabo da minha proverbial boa disposição. Estou estafada e com, pelo menos, mais dez anos em cima...
HSC


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Dois maus exemplos!

Um exemplo:
Leio nos jornais que o Estado não paga aos dentistas dezenas de milhares de euros que lhes deve, ao abrigo do plano "cheque dentista", tão propagandeado pelo governo anterior. Dá-se, assim, um mau exemplo a todos aqueles que se esforçam por manter as suas obrigações financeiras e fiscais em dia e e fomenta-se o descrédito de quem governa.
Só quando o Estado for obrigado, de facto, a pagar juros pelos seus incumprimentos é que tem autoridade para exigir dos portugueses aquilo que ele próprio não cumpre.
Outro exemplo:
Oiço, na televisão, que a um pedido - mais do que justo - do Bloco de Esquerda, para que fosse tornada pública a lista do que cada ministério paga em publicidade, a resposta do ministro responsável terá sido a de que isso não era possível, porque tais dados não eram registados.
A esta afirmação só me apetece perguntar "como é que estes elementos não são registados, se é o dinheiro dos contribuintes que os paga?!". Pois então, em nome da transparência tão apregoada, passem a registá-los. E, já agora, a divulgá-los.
HSC


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A minha amiga Rita

A minha amiga Rita Ferro faz anos, hoje, sexta feira. Quando pretendo explicar a alguém o que nos une, não sei fazê-lo. Fico sempre embaralhada porque as minhas respostas, as minhas razões são, afinal, uma parca aproximação do laço que nos une.
A Rita tem um coração imenso. Em tudo, é uma mulher transbordante. No amor como na amizade. Dotada de um espírito crítico fortíssimo, sobre si e sobre os outros, é o humor que melhor serve as análises que faz. Vivíssima, brilhante na pena, feroz na defesa daquilo em que acredita, o saldo da sua vida, garanto-vos, é abundantemente positivo. É das mulheres mais cultas e fascinantes que conheço e de cada vez que estou com ela, mais nítido se torna este facto.
Não somos da mesma geração, não pensamos da mesma forma, não funcionamos com os mesmos relógios, não moramos perto, nem sempre apreciamos as mesmas coisas, mas conseguimos a proeza de gostar muitíssimo uma da outra. E, surpresa, até temos amigos comuns, que não disputamos, porque são tão bons que chegam amplamente para as duas.
Como diz o anúncio, se eu não tivesse conhecido a minha querida amiga Rita Ferro, vivia com certeza. Mas não seria certamente a mesma coisa!
Parabéns, amiga!
HSC

De registar e de louvar

Volto ao tema Madeira. Impossível não deixar aqui um registo de comoção pela forma exemplar como os portugueses e, em particular os madeirenses, deitaram mãos à obra de reconstruir a sua terra. Há muito tempo que me não sentia tão orgulhosa de ter nascido em Portugal, que mostra saber, como ninguém, ser solidário na aflição.
E deve registar-se, também, a forma como os políticos, esquecendo divergências, se aliaram em torno dos que precisavam. Se Alberto João Jardim merece palmas, devemos dá-las também ao governo e às oposições que se uniram à volta daqueles que, depois de tudo perder, se impunha sentissem que não tinham sido esquecidos.
A Madeira foi e vai ser um grato símbolo de união nacional. E também um exemplo para o mundo que tem os olhos postos em nós e vê que, quando é preciso, somos capazes!
Pena é que só a desgraça nos una e o duro quotidiano, por norma, nos afaste...

HSC

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Devagarinho

Os elementos estatísticos do Banco de Portugal, tornados públicos no seu Boletim Trimestral, revelam que o valor do crédito concedido às famílias, mas de cobrança duvidosa, diminuiu de Novembro para Dezembro em 166 milhões de euros. Este valor é, ainda, cerca de 22% superior ao alcançado no final de 2008. Mas prova que as famílias, assustadas, estão a tentar poupar e a respeitar melhor os seus compromissos bancários.
A poupança dos agregados familiares está a aumentar, tendo os depósitos dos particulares crescido mais de mil milhões de euros no mesmo período de Novembro a Dezembro, o que significa uma expansão, em termos percentuais, de 0,9.
Evidentemente que é cedo para se tirarem destes números quaisquer conclusões. Mas pode ser um indício de que, finalmente, os portugueses tenham começado a dar-se conta de que é preciso abandonar um certo estilo de vida.
Claro que não existindo investimento, uma contracção do consumo pode piorar a situação. Porém, se houver imaginação para atrair poupanças e com elas se desenvolverem projectos cuja componente essencial seja a mão de obra, poderemos estar a contribuir para resolver o problema do desemprego e, ao mesmo tempo, a tornarmos útil à sociedade as poupanças tão duramente conseguidas!

HSC

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A nossa Madeira

Acabo de chegar dos estúdios da SIC onde vou todas as segundas feiras comentar um tema. Hoje foi impossível não falar do que nos aconteceu na Madeira. E uso o plural porque ninguém pode ficar indiferente à calamidade que por lá passou. A esta hora em que escrevo, teme-se um alerta vermelho que pode significar novos riscos.
Com crise ou sem ela é necessário ajudar quem ficou sem nada. No programa, lancei um apelo. Após o 25 de Abril os portugueses deram um dia de trabalho para ajudar o país. Não sei bem o que aconteceu a esse dinheiro porque nunca dele foram prestadas contas...
O que agora sugiro é que se abra uma subscrição nacional, entregue a gente de bem - Isabel Jonet, por exemplo, do Banco Alimentar - que distribua o que se conseguir reunir, a fim de minorar, no imediato, as carências de quem tudo perdeu. Mas é fundamental que tenhamos a certeza de que tudo será bem aplicado e não sirva de oportunidade para um qualquer aproveitamento político.
Por mim já decidi que tudo farei para ajudar os madeirenses. A primeira medida vai ser passar no Funchal metade das minhas férias. Que tal, todos os que possam, fazerem o mesmo, em lugar de ir para o Brasil ou para as Caraíbas?

HSC

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O fim de uma saga

Leio, com algum atraso, que Patrick Kennedy não voltará a concorrer a deputado federal, retirando-se, assim, da actividade que sempre o ocupou.
Depois desta saída e de nenhum outro membro do clã se ter candidatado ao lugar deixado vago pela morte, no final do verão, de seu pai Ted Kennedy, é a primeira vez, em sessenta anos, que a "marca" familiar não estará na primeira fila da vida política em Washington.
Pesem embora problemas de adição e do foro psiquiátrico, Patrick conseguira, em 1994, tornar-se membro da Camara Baixa. Porém, sem a presença paterna, o congressista de 42 anos de idade, declarou que o trabalho parlamentar deixara de o motivar.
De facto, num vídeo de despedida, afirmou: "o meu pai inculcou-me um profundo compromisso de serviço público. Agora, depois de dedicar duas décadas à política, a minha vida vai tomar uma outra direcção".
Apesar de o deputado por Rhode Island nunca ter tido que enfrentar grandes dificuldades nas oito renovações do seu mandato, o certo é que as próximas eleições fazem adivinhar luta renhida para substituir o lendário Camelot. O retrocesso verificado, há quatro meses, quando o Massachusetts entregou ao republicano Scott Brown, o lugar que durante quarenta anos Ted ocupara, levou Patrick a queixar-se, com amargura, dessa derrota. Que, para ele, punha em evidência a indisciplina do Partido Democrata que não soubera tornar realidade a reforma da saúde preconizada por Obama.
Parece, assim, terminar a saga desta família, cuja história se mistura com a do próprio país no útimo meio século!

HSC