domingo, 29 de novembro de 2009

Ignorância e ingratidão

Por mais estranho que pareça nos dias que correm, gosto e/ou admiro muitas pessoas que não pensam como eu. O que somos depende da nossa história familiar, das nossas capacidades, das influências que sofremos, da classe social em que crescemos, da memória genética que transportamos no ADN e de muitas outras coisas mais.
Com fui educada no respeito pela diferença, tenho amigos em todos os quadrantes políticos e, possivelmente, não penso como nenhum deles. Convencionou-se que sou uma mulher de direita o que, confesso, me diverte imenso. Não vejo, aliás, qualquer necessidade de me situar politicamente, para esclarecimento de quem quer que seja. E muito menos necessidade, ainda, de desdizer uma filiação ideológica que apenas irrita aqueles que, de facto, se sentam nessa cadeira. Sempre disse o que penso e nunca essa convenção ideológica me privou, alguma vez, de o fazer. E quando olho o percurso que fiz e aquele que certas pessoas conotadas com a esquerda acabaram por fazer, então, sim, a vontade de rir é maior ainda.
Acresce a esta circunstância, que tenho uma memória de elefante e, por isso, quando alguém ensaia endeusar algumas criaturas reescrevendo as suas histórias pessoais, eu reajo. Como reajo, quando, ao contrário, pretendem denegrir gente que não pensando como eu, merece o meu respeito.
Lembro a este propósito, a nossa Amália Rodrigues que depois de ter sido considerado por um certo país, uma reaccionária está, neste momento a ver dignificado o seu nome e a sua história.
Portugal gosta pouco de heróis. Os do passado, por ignorância, não sabe quem são. Os recentes, por ingratidão, já os esqueceu. Há algum país que possa viver sem honrar os seus?!

H.S.C

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

CSI Lisboa

Declaro já, à partida, que vejo sempre que posso, as séries CSI. A que mais gosto tem um homem gordinho de barba - julgo que se chama Peterson - mas qualquer delas me diverte imenso. É, até, dos raros casos em que ver o médico fazer uma autópsia me não me leva, de imediato, a zarpar para outro canal... É claro que, também eu, tenho destas pequenas debilidades mentais!
A propósito do tema, li hoje nos jornais que a nossa polícia dispõe já, desde Julho, de carros de segurança equipados com leitura automáticas de matrículas, que permitem detectar se os veículos têm ou não seguros actualizados, se têm ou não permissão de circular, se têm ou não ordem de apreensaão, etc. Ou seja, no momento tem-se o retrato legal duma viatura.
Além deste "polícia automático" iremos também passar a ter o "voador" em que os agentes viajarão em ultraleves de onde poderão dar as suas ordens e potentes motorizadas de dois lugares para a perseguição de criminosos. E, finalmente, num verdadeiro enquadramento da série de Miami, foram adquiridas doze carrinhas dotadas de todos os meios necessários para analizar o "local do crime".
Confesso que devo a estas séries uma informação de investigação criminal que antes não possuía. E, mesmo que nem tudo seja real, o que é certo é que a polícia de investigação científica ganhou, entre nós, louros que no passado lhe não reconhecíamos.
Só por isso, já sinto justificada esta minha preferência!

H.S.C

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Inês Pedrosa

Gosto da Inês. Das suas múltiplas capacidades. Do que escreve. Da fidelidade aos amigos.
Mas falo hoje aqui dela porque a acção que tem desenvolvido na Casa Fernando Pessoa é digna dos maiores elogios. Inês Pedrosa conseguiu torná-la um centro permanente de actividade cultural, sem alarde pessoal e sem descurar os compromissos que mantinha anteriormente.
Ela venceu - já - onde outros soçobraram. E conseguiu colocar no mapa geográfico de Campo de Ourique, um polo de atracção pelas artes e pelas letras. Tudo com muito poucos meios e uma criatividade prodigiosa. Merece a nossa admiração e, sobretudo, o nosso respeito!
Parabéns, amiga!

H.S.C

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Surpresas

Já aqui disse que ando a escrever dois livros ao mesmo tempo. A experiência é, no mínimo, curiosa. Ler duas obras em simultâneo, faço com frequência. Mas escrever exige outra disciplina e eu até estou espantada comigo!
Um deles é constituído por pequenas biografias de mulheres do sec XX de quem nos habituámos a ouvir falar pelos feitos cometidos nas várias áreas em que intervieram.
Pois bem, se para algumas a vida privada foi relativamente pública, a surpresa veio de outras em que a vida pública teve uma privacidade que não esperava. Não vou mencionar nomes porque quero que comprem o livro quando ele sair!
Mas a descoberta levou-me a pensar em casos mais recentes e a fazer do tema matéria deste post. Nunca aqui referi - apesar de tentar falar da actualidade - nada que envolvesse casos por julgar ou aspectos da vida familiar de políticos. Relativamente aos primeiros aguardo sentenças. Relativamente aos segundos, para além de me não interessarem minimamente, não estou nada vocacionada para partilhar da intimidade de pessoas com as quais não tenho qualquer convivência e que não pertencem ao meu grupo de relações.
Julgo que se não estivermos muito atentos a este problema, corremos o risco de não sabermos distinguir entre informação e "voyeurismo".

H.S.C

sábado, 21 de novembro de 2009

Sentimento de pertença

Ontém, com bastante sacrifício pessoal - ando estafada e não aprecio o chamado social - fui ao lançamento do livro da Rita Ferro. No agradecimento a minha amiga tocou num ponto que, de há uns anos para cá, tem sido matéria de muita meditação da minha parte. Trata-se, como diz o título deste post, do "sentimento de pertença" que eu tenho, mas que me parece andar em vias de extinção, face à velocidade com que se renovam as relações sentimentais.
Explico-me melhor. Esta sensação é algo que vai muito para além do amor. É como se na nossa carne e na nossa alma ficassem gravados os elos que nos ligam a certas pessoas. E que só porque esses elos existem é que sobrevivemos às perdas que, ao longo dos anos, vamos tendo. Não querendo pessoalizar demasiado a questão, estou a falar desse laço sui generis que me une aos meus pais. Que "só" podiam ser aqueles e mais nenhuns outros. Esse laço que também me liga aos meus filhos, que só podiam ser aqueles que tenho e nenhuns outros mais.
Esta espécie de magia vai muito para além do sangue. Pode, até, dar-se com alguém que amamos, a quem nos entregamos e a quem ficamos a pertencer. Isso não significa morte para outros amores. Significa que "aquele" tem ou teve e continuará a ter, um cunho especial. Uma marca de pertença que jamais se apaga. E que é boa, porque nos mantém unidos a um pedaço de vida que mesmo eventualmente perdido, continua a ser profundamente regenerador.
É isto que, para mim, significa pertencer a alguém!

H.S.C

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O protesto resultou!

Há poucos dias escrevi aqui que se começava a sentir, no seio da U.E, algum mal estar por não se encontrarem mulheres nos seus lugares de topo.
Pois bem, em hora e meia de reunião, vinte e sete países escolheram os dois mais altos cargos criados pelo Tratado de Lisboa, para aquela organização. O senhor Hermann van Rompuy, até aqui Primeiro Ministro belga, será o Presidente do Conselho Europeu e a britânica baronesa Catherine Ashton ocupará o posto de Alto Representante para a Política Externa, ou seja o de Ministra dos Negócios Estrangeiros.
O primeiro era o grande favorito, dadas as suas qualidades profissionais e de carácter amplamente reconhecidas como relevantes para o cargo. A segunda desempenhava, desde há um ano, o cargo de responsável pela política comercial, pelo que a sua indigitação causou alguma surpresa. Mas o seu nome foi a alternativa encontrada para compensar o de Tony Blair que o PM britânico, em vão, tentou catapultar para o lugar de Senhor Europa, apesar de saber que só teria o apoio de muito poucos membros.
Preencheu-se, assim, a vaga e resolveu-se a necessidade atrás já referida. No segundo lugar da U.E está, agora, uma senhora indicada pelos socialistas. E, se me permitem o humor ... ainda por cima, baronesa!

H.S.C

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O outro lado da questão

Os dados recentemente publicados pelo Ministério do Trabalho sobre o desemprego são preocupantes. Pelo montante alcançado mas também por um outro aspecto de que não costumamos falar mas também lhe está associado.
É que em Portugal os últimos elementos estatísticos disponíveis - fim de 2007 - revelam que cerca de 23% dos nossos empresários tem apenas a primeira classe e 20% dos empregadores tem, maxime, o terceiro ciclo do ensino básico, ou seja o antigo 9º ano de escolaridade obrigatória.
O retrato é semelhante se olharmos para a restante população activa. Nos trabalhadores cerca de 22% tem a primeira classe e são também 22% aqueles que acabaram a escolaridade obrigatória. Com qualificações tão baixas de um lado e do outro do binómio empresarial, como esperar inovação, sucesso, empreendorismo?
Vale a pena pensar no que escondem estes números e atacar o mal pela raíz. Ninguém nasce empresário. Tornamo-nos, isso sim, empresários.
Sem habilitações e com baixas qualificações que margem de manobra nos resta? Apenas a de reinventar a formação de base que não possuímos e fazer dela um objectivo pessoal, empresarial e nacional. O resto, vem por acréscimo e dispensa demagogia.

H.S.C