domingo, 18 de outubro de 2009

Deve haver uma razão

Já aqui disse que vejo pouca televisão nacional. Noticiários da terrinha só alguns e, vá lá, confesso, umas séries de que sou fã. Dispenderei, no máximo, uma hora por dia ao rectângulo, dado que ainda continuo a gosto de ver filmes... mas no cinema.
Um fim de semana de intenso trabalho fez com que ligasse, antes de me deitar, o aparelho. Corri os várois canais nacionais e os filmes de violência repetiram-se ao longo das três noites. Nem queria acreditar...
Dei comigo a pensar o que determinaria tais escolhas, antes de dormir, sabendo-se que a essa hora, só os jovens que não sairam e os mais velhos que dormem pouco, serão espectadores por excelência.
O que se pretende? Provocar insónias nos idosos? Promover a violência nos mais novos? Testar novas formas de ataques cardíacos? Fomentar o medo? Não consigo entender esta programação. Alguém me explica?!

H.S.C

sábado, 17 de outubro de 2009

Uma nova era...

Fala-se pouco dela. E, no entanto, a sua história faz lembrar, em 2005, a de Obama. Refiro-me a Michaelle Jean, a primeira mulher negra, governadora geral do Canadá, com estatuto de Chefe de Estado.
No último Nouvel Observateur ela conversa com Jean Gabriel Fredet e conta um pouco da sua vida. Nasceu em Port au Prince, um país de muita miséria, no qual passou a sua infância sob o regime ditatorial de Duvalier. Essa foi a sua primeira escola e fez dela uma "caribenha" francófona da América, que leva na alma a história da escravatura e da emancipação.
A primeira, inscrita na aventura da sua avó que educou cinco filhos agarrada a uma máquina de costura. A segunda, num país, o Canadá, para o qual foi com 11 anos e que fez dela uma jornalista célebre.
Michaelle representa a esperança de milhares de mulheres que, à semelhança do que aconteceu com Barak, olham para ela e acreditam que é possível vencer os preconceitos, vencer o género, vencer a cor da pele e chegar ao topo. Como aconteceu com outras antes dela, nomeadamente Indira Gandi ou Simone Weil, cuja arma maior foi, sempre, a sua enorme capacidade de dálogo!

H.S.C

No top da fuga de cérebros

O Expresso de hoje publica um notícia preocupante e que já ousei referir aqui mais de uma vez. Trata-se do desemprego e da precariedade, que levam milhares de jovens a sair da terrinha. Portugal é o terceiro país da OCDE mais atingido por este problema.. Em termos estatísticos, tal significa que são mais de cem os licenciados que mensalmente abandonam a sua pátria para ir trabalhar no estrangeiro.
E, aqueles que não fogem, ficam a desempenhar trabalhos de baixa qualificação roubando, por sua vez, o lugar a pessoas que não possuem hablitações para fazer mais. São cerca de 45000 os licenciados que se encontram nesta situação.
Mais significativos ainda, são os cerca de 49000 titulares de cursos universitários que, em Setembro último, se encontravam inscritos nos centros de emprego. Ou, mesmo, os escassíssimos 9,6% que possuem hablitação superior, um dos valores mais baixos da OCDE.
Em conclusão, não só temos muito poucos licenciados, como nem estes, sequer, conseguimos fixar. Ou seja, uma boa parte do esforço de investimento feito na educação foge-nos e vai enriquecer o património cultural e científico de outros países.
A juntar a este panorama, em Portugal não brilhamos. Porém, quando saímos ficamos entre os melhores...
Levamos imenso tempo a discutir as questões da imigração. Contudo, por mais estranho que pareça, são raras as intervenções a chamar a atenção para o problema, grave, da actual emigração portuguesa. Péssimo sintoma!
H.S.C

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Submergíveis

O Chefe do Estado Maior da Armada, Almirante Melo Gomes, falou ontém, durante a cerimónia de abertura do ano operacional da Armada, da aquisição dos dois novos submarinos. As suas palavras são hoje citadas pelos jornais, em páginas evidentemente discretas. Duas delas merecem destaque:
A primeira: "...Faço votos que a miopia marítima, que ciclicamente nos afecta, não retire a Portugal o seu maior potencial de desenvolvimento - o mar " ;
A segunda: "...Não ter submarinos sairia mais caro para as gerações que nos sucedem".
Outras críticas como, por exemplo, o "desaproveitamento" dos fusileiros em missões no exterior, foram ainda feitas.
Talvez estas observações, lidas na íntegra, possam finalmente esclarecer o Dr. Almeida Santos, que, como se sabe, não consegue perceber para que é que Portugal precisa de submergíveis.
E será, também, talvez, a hora de relembrar o ditado que diz que "para bom entendedor meia palavra basta"!

H.S.C

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Uma sensação estranha...

Hoje tive de ir à minha oftalmologista, a Dra Isabel Almasqué que, com o meu cardiologista, o Dr. Abreu Loureiro, formam o dueto que me mantém vivinha da costa. Ambos são, felizmente, meus amigos pessoais.
À entrada dou de caras com uma senhora que, num passado longínquo, encontrei algumas vezes em jantares a que fui. A pessoa em causa é mãe de gente importante é conhecida no país. Fiquei um pouco à conversa e, de forma surpreendente, falou-me da vida profissional de cada um dos filhos como se da dela própria se tratasse. O envolvimento, a satisfação, o pormenor denunciavam à saciedade que sabia do que estava a falar.
Quando vinha para casa pensei em como eramos diferentes. Sei e participo intensamente da vida profissional dos meus filhos. Mas luto por não misturar a minha vida familiar com a carreira dos infantes. Nunca fui a uma posse nem entrei na sede de um partido. E faço disso um ponto de honra.
Mesmo com os netos jamais consenti - e muito mo pedem certas revistas - numa foto para publicar, pese embora o pai deles, de vez em quando, o fazer e eu lho censurar sempre que tal acontece.
Ao contrário, esta senhora que me confessou ter 86 anos, está presente em todos os actos oficiais, inaugurações, lançamentos, em que os rebentos participem.
Confesso que vim para casa com uma sensação estranha.

H.S.C

Ela, sempre!

Agustina Beça Luis faz hoje oitenta e sete anos. Não há escritora nacional que mais me tenha formado que esta senhora admirável, cujo sorriso desfaz os corações mais gelados.
Chegar a esta idade e continuar a saber rir-se de si própria é o maior sinal da sua imensa qualidade. Ri de nós, também, felizmente. Porque se sente pertença do universo nacional.
Fui, uma vez, a uma sua palestra. No fim houve debate. E, no fim deste, ficámos à conversa. Eu, deliciada. Ela divertida. Ambas satisfeitas.
Parabéns Senhora Dona Agustina, pelo seu aniversário e pelo que eu e muitos de nós lhe ficamos a dever!
H.S.C

Mais solidão

Fiz aqui referência, há dias, ao blog do nosso Embaixador em França (duas-ou-tres.blogspot.com) e a uma frase de Pedro Lomba, num post sobre solidão.
Hoje, a propósito de um emigrante português em Paris, que esteve dois anos morto em casa, sem que a família que possui em ambos os países - deixa viúva e seis filhos -, estranhasse a sua ausência, o Dr. Francisco Seixas da Costa escreve, no Correio da Manhã, um oportuníssimo texto, intitulado "Imensa Solidão", cuja leitura recomendo vivamente.
Para além da qualidade literária, a crónica debruça-se sobre os problemas da emigração e da infinita solidão que ela, tantas vezes, arrasta consigo. Porque em grande parte dos casos, a família fica dividida e, se quem sai não consegue integrar-se, acaba por sentir que não pertence nem a um nem a outro dos países. É assim que começa o isolamento. Que conduz inexoravelmente, a que cada um se vá, de modo progressivo, fechando sobre o seu próprio destino. Tanto, e de tal modo, que acaba por se esquecer de si!

H.S.C