sexta-feira, 31 de julho de 2009

Eu e a blogosfera

Desde que entrei em férias, só conigo entrar na blogosfera após vencer terríveis e infrutíferas tentativas. E isto quando sou uma cliente tratada como rainha pelo meu servidor.
Ontem, em desespero de causa e como sempre me acontece, só com a ajuda da Zon consegui aceder ao meu blog. Hoje vou pelo mesmo caminho e se estou a escrever estas linhas é porque, de forma totalmente enviezada, consegui cá chegar. Tão enviezada que só por essa proeza já me considero uma autêntica especialista...
Quando chegar aos Açores, na próxima semana, não vai haver banda larga móvel que me valha porque, aí, o meu "tratamento vip" vai à vida e fico nas mãos de um operador que não o é o meu habitual.
Já para comprar a placa foi uma aventura. A que eu queria só estava disponível em...Santarém. E isto depois de eu me ter certificado se ela existia na loja do Chiado e de me terem garantido que sim.
As férias têm este grande inconveniente. Deixamos um mundo ao qual estamos habituados e entramos num outro a que chamo do "se faz o favor". As farmácias deixam de ter as caras habituais, os nossos médicos vão para fora e os técnicos que nos ajudam desaparecem. Logo, ficamos à mercê das intempéries locais e temporais.
No caso vertente, parece que o domínio do blogspot onde estou domiciliada, deixou de funcionar com o típico "www.". Mas digo parece, porque mesmo sem utilizar este trio, a minha entrada aqui, assemelhou-se à guerra dos cem anos.
Portanto, leitores que tantas saudades minhas já têm, o nosso contacto futuro vai ser obra do milagre de S. Miguel... Rezemos para que aconteça!

H.S.C

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A identidade

Com tantos desejos de boas férias o meu ego está imenso. Assim, vou retribuir, voltando aqui a partilhar uma "estória".
Hoje, num restaurante onde se come muito bem - não refiro o nome, por enquanto -, eu esperava duas amigas. Uma por norma é pontual. A outra ao invés.
Sentei-me de frente para a rua, quando ainda estava pouca gente. Alguns minutos passados , a mesa do lado é ocupada por dois homens. Ambos empresários. Ambos muito perto - a mais ou a menos - dos cinquenta.
Eu abanava-me com um leque - é chic e bom! - porque o ar condicionado da varanda não estava a libertar-me do calor. A determinada altura senti-me olhada. Ora, na minha idade, não seria o meu visual que estava em causa. Mas, como estava com uns grandes óculos escuros, admiti que estaria a ser confundida com alguém conhecido.
Foi nesse instante que um deles - sorte dos Távoras, um belo exemplar do empresariado - ensaiou dirigir-me a palavra, perguntando-me: " desculpe, não é a mãe dos...".
Cortei cerce, respondendo: "sou a Helena Sacadura Cabral". Segundos de angústia do outro lado, que eu não ajudei a resolver, mantendo-me silenciosa. O meu interlocutor, se pudesse, teria fugido dali a sete pés!
Só quando haviam passado uns dois minutos é que soltei uma gargalhada e respondi: "...e sou a mãe dos Portas, se era isso que me ia perguntar". O rosto de alívio voltou a dar cor ao jovem cinquentão que, na hora, me explicou que ficara deliciado com uma entrevista que o meu filho Miguel concedera recentemente.
Foi a minha vez de brilhar e de agradecer o elogio, tratando-o pelo nome. De família, claro, para condizer com o chic do meu leque. O seu ar surpreendido de rendição aos meus conhecimentos genealógicos, foi a cereja em cima do bolo deste meu dia de férias, no qual brilhei a grande altura. Tornando-me, aliás, muito mais interessante que umas esbeltas jovens que estavam perto e não percebiam patavina do meu sucesso...
Finalmente as minhas amigas chegaram! E eu vi-me grega para lhes explicar, no momento, a razão do inesperado convívio com a mesa do lado.

H.S.C

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Até à volta...

Há bastante tempo que não faço férias. Aquilo a que eu chamo de descanso. Ou seja, ficar de barriga para o ar, a gozar a família. Neste caso, irmãos e sobrinhos, porque os netos estarão na praia - algo que não aprecio no mês de Agosto - e os infantes a trabalhar . Um deles deverá, mesmo, estar a dar a decima volta ao país... Enfim, opções!
Vou tentar acabar um dos meus livros. Por isso, levarei o computador. Mas, em princípio, não levarei net. Logo, só excepcionalmente andarei pela blogosfera. Mas, como em mim o excepcional, por vezes, vira norma, não prometo nada.
Se me sentir capaz de "aguentar" as duas campanhas eleitorais que aí vêm, tornarei a estas lides na segunda semana de Setembro. Se não, aparecerei depois, lá para Outubro. Aproveitarei, neste caso, um mês no estrangeiro, a fazer férias do país. Também é bom para o coração!

H.S.C

sábado, 25 de julho de 2009

Gargalhar faz bem!

Ontem fui jantar com duas grandes amigas. Portámo-nos pessimamente. Rimos tanto, mas tanto, que quando cheguei a casa, ainda tinha uma faixa dolorosa no abdomen, resultante das contrições a que o riso o submetera.
Começámos, tranquilas, a falar do que ultimamente havíamos feito. Da política ao pessoal, pusemos a escrita em dia. Mas eu estava com vontade de rir e elas tambem. Comecei por lhes contar alguns episódios recentes, desconhecidos de ambas. E, como cada vez acontece mais, ri-mo-nos a bom rir, de mim própria. É, aliás, uma sadia prática que me recuso a abandonar.
A certa altura, a Rita Ferro, muito a propósito, lembrou-se de um vídeo inglês, cheio de humor. E aí começou a desgraça. Ficámos imparáveis. Ela a rebobinar cenas de "stand up comedy" britânicas . Eu, de seguida, a engatilhar com algumas que conhecia. Finalmente, a nossa outra amiga, a Isabel, decidiu, num toque magistral, imitar ribatejanos e açorianos, tornando completamente impossível continuar numa sala onde a nossa mesa se tornara o centro daquele pequeno universo.
Nestes momentos tornamo-nos puras adolescentes, a rir sem parar e sem conseguir terminar as frases que se atropelam umas às outras.
Enfim, foi um jantar memorável, como tantos outro que já tivemos. Mas que entre outros happennings, até teve uma admiradora que nos apareceu com o livro que ambas escrevemos, para obter um autógrafo.
Julgo que, depois disto, a "Tasquinha da Adelaide" vai passar a recusar a entrada a qualquer de nós!
Em época eleitoral, em clima de crise e crispação, gargalhar faz muitíssimo bem. Eu que o diga. E elas idem!

H.S.C

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Tempo

A propósito da frase de Mia Couto, que afirma que "não tem tempo para dar tempo", fiquei a pensar com os meus botões. Eu penso muito com eles, de facto. Agarro-me a um e, enquanto os neurónios percorrem caminhos sinuosos, vou-o rodando entre os dedos. De repente, paro. É sinal de que alguma luz se acendeu aqui dentro.
Foi o que agora aconteceu. Haverá, na verdade, algo mais valioso para dar a alguém do que o nosso tempo? É uma afirmação de um homem que sabe pensar com o coração. Que é uma outra forma - infelizmente não muito frequente - de pensar.
O tempo é não só aquilo de que mais necessitamos, como aquilo de que os outros mais necesitam que lhes seja dado. Oferecido.
Lembrei-me do meu neto mais velho, que nunca me pede nada, a não ser tempo. Lindo, num tempo em que o tempo tem pouco valor, apesar de ser um bem cada vez mais escasso!

H.S.C

Mia Couto

"O lado penoso da exposição é que nem eu sou, nem quero ser uma estrela, nem tenho tempo para dar tempo. Gosto de relações próximas e pessoais"

(frase atribuída a Mia Couto)

Basta comparar esta frase com a que reproduzo no post anterior, para se perceber como as pessoas podem ser tão diferentes. Não estou a fazer juízos de valor sobre os seus autores. Se as refiro, é porque elas identificam dois tipos de personagens ditas "figuras públicas".
Gosto muitíssimo de Mia Couto. Com José Agualusa, o dueto constitui, para mim, a platina da escrita africana de expressão portuguesa.
Seria muito difícil dizer de quem gosto mais. Porque aquilo que neles me toca profundamente é essa Africa imensa, essa gente que um dia fomos nós, essa gente que, apesar das diferenças, ainda hoje continua nossa irmã.

H.S.C



Melhor não há...

" Ainda está para nascer um Primeiro Ministro que faça melhor do que eu"

( afirmação feita ontem por José Socrates, actual PM de Portugal, a propósito do contole do defice orçamental )

Julgo que a frase não merece qualquer comentário. A sua reprodução chega!
Admito que, no futuro, nem o bisneto de um qualquer de nós, se atreverá a pretender substituir o Senhor Eng. José Socrates. Só espero que não seja familiar meu, não vá a moda pegar...

H.S.C