domingo, 31 de maio de 2009

Acontece...

Ontem cheguei a casa e, ao ligar a TV, zás, catrapáz, apanhei de seguida os dois infantes. Primeiro um, logo o outro.
Rumei ao frigorífico para me retemperar da intempérie. Comi tudo o que não devia e me faz mal. Pronto, paciência. Mas acalmei.
Pus-me, de imediato, pronta para a indispensável terapia: Bach e arrumações. O primeiro bem alto. As segundas bem baixas, porque me atirei a tudo quanto eram armários e gavetas junto ao solo.
Decorrida uma hora, terminada a peça musical, voltei-me para o Coltrane e para um passado amontoado em pastas de documentos. Foi-se o divórcio - ufa! que demorei -, foi-se a empresa que já tinha fechado há dez anos, foram-se umas cartas, enfim, foi-se um bocado, desnecessário, de mim! E com tudo isto haviam voado perto de três horas. No lixo estavam três sacos cheios. Confesso que me sinto, desde ontém, mais aliviada...
Acontece a todos. Mas comigo é mais em campanhas eleitorais. Com as duas que se avizinham, talvez deixe, mesmo, de existir!


H.S.C

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Tenho pena...

Tenho pena de tudo o que afecte velhos e crianças. Os primeiros porque já não têm defesas. Os segundos porque ainda as não têm.
Por norma não comento situações de que não conheço todos os contornos. E, no caso específico da Alexandra, a criança que embora nascida em território nacional, foi mandada de volta para a Russia com a mãe biológica, tambem só conheço o que a comunicação social revelou.
Mas não é do caso particular que quero falar. É da necessidade urgente de rever as leis da adopção. Há muita gente em condições de dar afecto a crianças mas que não pode adoptar. Ou porque se não integra no quadro legal que a regula ou porque a família - por exemplo, outros filhos - a tal se opõe, na defesa dum património que julgam seu.
Em ambos os casos, talvez se justificasse criar uma figura jurídica intermedia que permitisse dar um lar a uma criança sem que, necessariamente, esta tivesse de ser adoptada. Uma espécie de "padrinhos" cujo limite de idade fosse superior ao estipulado na adopção e em que os bens familiares não estivessem em causa. A criança teria um lar, um encarregado de educação e afecto. Tudo sob a vigilância de uma entidade competente para o efeito.
Assim, muito mais crianças adolescentes - as mais difíceis de adoptar - encontrariam quem delas se ocupasse.
E, já agora, lembro que nalguns estados americanos há quem "adopte" avós. Porque não seguir-lhes o exemplo, em lugar de os deixarmos definhar nos chamados lares ou casas de repouso?

H.S.C

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ninguem se entende

Com o aproximar dos actos eleitorais o Ministro das Finanças ficou, subitamente, mais otimista. Não no sorriso - que poucos lhe devem conhecer - mas nas previsões económicas para o país.
De facto, num assomo de crença no futuro, diz que "há sinais de alívio" na nossa crise.
Infelizmente o Dr. Vitor Constâncio, Governador do Banco de Portugal, tem fé bem diversa, porque afirma que o que se verificou foi apenas uma desaceleração na queda e que é cedo para se falar de retoma no fim do ano.
Prevê, aliás, ainda, que no velho continente o desemprego continue a crescer. O qual, arrastando o incumprimento do crédito, irá ter consequências no sistema financeiro. Passa-se, assim, de uma crise que inicialmente parecia ter apenas contornos financeiros, para outra que contagia todo o sistema económico.
Face a este quadro, Vitor Constâncio diz, e bem, que em 2010 ninguem sabe o que vai acontecer. Pelos vistos, apenas Teixeira dos Santos e a taróloga Maya sabem, já, o que vai passar-se...
Porque será que não nos poupam a estas "estórias" de cariz eleitoral?!

H.S.C

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Os imigrantes em França

LES IMMIGRANTS, NON FRANCAIS, DOIVENT S'ADAPTER. À prendre ou à laisser, je suis fatigué que cette nation s'inquiète à savoir si nous offensons certains individus ou leur culture.
'Notre culture s'est développée en luttes, d'habileté et de victoires par des millions d'hommes et de femmes qui ont recherché la liberté.'
'Notre langue officielle est le francais; pas l'Espagnol, le Libanais, l'Arabe, le Chinois, le Japonais, ou n'importe quelle autre langue. Par conséquent, si vous désirez faire partie de notre société, apprenez-en la langue!
''La plupart des Francais croient en Dieu. Il ne s'agit pas d'obligation chrétienne,d'influence de la droite ou de pression politique, mais c'est un fait, parce que des hommes et des femmes ont fondé cette nation sur des principes chrétiens, et cela est officiellement enseigné. Il est parfaitement approprié de les afficher sur les murs de nos écoles. Si Dieu vous offense, je vous suggère alors d'envisager une autre partie du monde comme votre pays d'accueil, car Dieu fait partie de notre culture.
'Nous accepterons vos croyances sans poser de question. Tout ce que nous vous demandons c'est d'accepter les nôtres, et de vivre en harmonie pacifiquement avec nous.'
'Ici c'est NOTRE PAYS, NOTRE TERRE, et NOTRE STYLE DE VIE. Et nous vous offrons l'opportunité de profiter de tout cela. Mais si vous en avez assez de vous plaindre, de vous en prendre à notre drapeau, notre engagement, nos croyances chrétiennes, ou de notre style de vie, je vous encourage fortement à profiter d'une autre grande liberté Francaise, 'LE DROIT DE PARTIR..
' Si vous n'êtes pas heureux ici, alors PARTEZ. Nous ne vous avons pas forcés à venir ici. Vous avez demandé à être ici. Alors, acceptez le pays que VOUS avez choisi .'

(Palavras atribuídas a François Fillon, Primeiro Ministro da França)

Poderá ser duro de ler. Talvez mais duro, ainda, de ouvir. Mas não haverá nestas palavras um forte motivo para pensar?
Fomos emigrantes. Comemos o pão que o Diabo amassou. Mas nunca questionámos usos e costumes de quem nos acolheu. Ajudámos a construir os países para onde fomos e onde muitos de nós acabaram por ficar.
Não será, então, isto que devemos esperar daqueles que procuram abrigar-se no nosso seio?

H.S.C

terça-feira, 26 de maio de 2009

Pobreza mental

Por muito que me custe e custa muito, lá vou aqui e ali assistindo à pobreza dos debates eleitorais para as europeias. Custa a perceber que se esteja a debater a Europa, as suas instituções, a sua política. De propostas nem vislumbre.
Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado nosso.
Nem quero pensar no que vai ser a abstenção, partido em que me filiaria, não fossem outros valores mais altos a levantarem-se.
O mais grave é que não é por acaso que isto acontece. Cada um de nós anda cansado. De si, dos outros, do próprio país. Como é que não andará cansado duma Europa que cada vez se afasta mais do portuga, agora que os fundos, mal aproveitados, deixaram de aparecer?
Vivemos a fugir de males maiores, convencidos de que com os menores vamos podendo. Triste convencimento de quem já nem sequer acredita em alternativas.
E será neste espírito de pobreza mental que caminharemos para três actos eleitorais. Onde em lugar de se discutir o que é importante, aceitamos o cadafalso que retrata o inferno do nosso descontentamento...

H.S.C

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Solidão

"Solidão não é falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo. Isso é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar. Isso é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos. Isso é equilibrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsivamente para que revejamos a nossa vida... Isso é um pricípio da natureza.
Solidão não é o vazio da gente ao nosso lado. Isso é circuntância.
Solidão é muito mais que tudo isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão a nossa alma".

(Frase atribuída a Chico Buarque da Holanda)

Ora nem mais. Está tudo aqui. Pode estar-se sozinho ou solitário. Mas só quando "somos sós" é que a solidão se apodera, realmente, de nós.
Gosto muito de estar sozinha, porque sei que estou acompanhada. Sou, muitas vezes, solitária porque, de repente, o mundo à minha volta toma conta de mim e eu preciso de espaço e de silêncio para existir.
Mas sentir uma solidão imensa, até hoje, apenas aconteceu quando perdi a minha mãe e não pude despedir-me dela. Aí, sim, não deve ter havido ninguém no mundo mais desamparado do que eu. Totalmente perdida. Foram os piores momentos da minha vida.
E, desde essa longínqua noite de Natal, nem nos mais dolorosos baques por que passei, alguma vez senti a solidão tomar conta da minha alma...

H.S.C


domingo, 24 de maio de 2009

O mundo virtual

Aos mundos virtuais, cheguei tarde. Aliás, à excepção da Universidade, onde entrei cedo demais, aos 15 anos - nasci em Dezembro -, tudo o resto, na minha vida, demorou a dar fruto.
Assim iniciei-me nos computadores há apenas pouco mais de uma década. Muitos textos desapareceram, outros tantos foram estragados, várias vezes me irritei, mas a verdade é que lhes perdi o medo. De tal forma que agora os "desastres" são já por demasiada ousadia.
As amigas da minha faixa etária estranham esta propensão tecnológica, mas a verdade é que nunca fui muito igual a elas. Defeito meu, decerto. Mas o que eu gosto deste meu defeitozinho...
Cheguei, por isso, à blogosfera, tardíssimo. Ando aqui apenas há três meses, mas o gosto das descobertas que tenho feito vale por anos.
Foi assim que, também fora de horas, avizinhei os amigos virtuais. Não, felizmente, por carência dos outros. Mas porque estes têm uma dimensão diferente. Não vêm da juventude, não vêm do trabalho, não nos foram apresentados. Surgem, um dia, no nosso espaço e deixam umas palavras. Como se fosse um pequeno vazo de flores, um livro ou um disco.
Deste episódio nascem visitas regulares e conversas curiosas. E nós habituamo-nos ao ritual retribuindo as visitas.
Um dia damos connosco a falar deles e com eles como se fossem reais. E não é que, afinal, são?

H.S.C