domingo, 18 de janeiro de 2026

A CAMINHO DA SEGUNDA VOLTA

Acabou a primeira volta das Eleições. Parecem estar definidos os candidatos à segunda, Não vai ser fácil viver neste tumulto, agora em numero mais limitado, outra vez ...

Dá mesmo uma sensação de recomeço do aperto. A primeira volta termina, mas o clima não acalma — às vezes até fica mais tenso, porque agora tudo se polariza de vez.

Viver este período pode ser cansativo. Mas talvez ajude lembrar que:

  • não se é obrigado(a) a acompanhar tudo o tempo todo;
  • escolher quando e onde se informar, já é uma forma de autocuidado;
  • dá para discordar do tumulto sem se desligar da realidade.
  • Emocionalmente: sensação de cansaço, irritação, ansiedade, desânimo ou até um aperto difícil de explicar.
  • No dia a dia: dificuldade de se concentrar, vontade de se desligar de notícias/redes, rotina mais pesada, menos energia.
  • Nas relações: evitar certos assuntos, tensão com familiares/colegas, medo de conflito, afastamento de algumas pessoas.

Não precisamos elaborar muito — podemos dizer algo como “mais emocional”, “mais nas relações” ou “um pouco de tudo”. 

6 comentários:

  1. Li-a e senti esse cansaço que menciona, Helena. Por aqui, a minha resistência passa por trocar as notícias de última hora pela observação da cidade que pulsa além dos boletins de voto. Às vezes, o melhor antídoto para o "recomeço do aperto" é precisamente o prazer de andar, parar e olhar… sem pressas. Um pouco de tudo o que descreve sente-se no ar, mas a escolha de onde colocamos a atenção é a nossa última parcela de liberdade.

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  2. Acabou por agora.
    Esperei por iluminação divina e não me adiantou nada.Não ganhou quem eu queria,mas do mal o menos.De qualquer maneira seria melhor a segunda volta ser disputada entre outros.
    Resta esperar por nova oportunidade.Veremos…

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  3. Sabe qual é o cúmulo da lentidão?
    Correr sozinho e ficar em segundo.
    A Direita nestas presidenciais.
    Tenha uma excelente semana

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  4. Quando o 1º é o menos mal assim vamos em Portugal

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  5. Opinião sobre André Ventura
    (de Miguel Esteves Cardoso)

    Não concordo com André Ventura em muitos aspectos concretos.
    Discordo de algumas propostas, de alguns enquadramentos e de algumas partes da sua visão do estado.
    Mas, olhando para esta corrida presidencial, há algo que não consigo ignorar: André Ventura é a pessoa mais verdadeira que está a concorrer.
    E isso, hoje, é muito raro.
    Ventura não é um homem artificialmente polido, nem confortável, nem feito para tranquilizar consciências.
    Mostra aquilo que é. Não esconde pulsões, não disfarça indignações, não finge uma elevação moral para caber no molde institucional.
    É precisamente por isso que o pântano político e mediático português se sente tão profundamente incomodado com ele.
    Ventura introduz no espaço público aquilo que foi expulso durante décadas: conflito real, fricção social, perguntas insolentes, temas proibidos.
    Não porque seja um tecnocrata refinado ou um intelectual de salão, mas porque é extremamente inteligente e possui um instinto político alinhado com o do português comum.
    A sua inteligência não é abstracta nem ornamental. É inteligência de leitura humana, de percepção de injustiça, de identificação rápida do ponto onde o sistema mente e onde as pessoas sentem essa mentira no corpo antes de a conseguirem formular em palavras.
    Ter uma figura como Ventura num cargo que, em Portugal, tem sido sobretudo decorativo, teria o efeito imediato de quebrar a harmonia artificial do sistema, algo para o qual o país ainda não fez o seu luto institucional.
    Aquela harmonia viscosa, confortável, onde todos discordam de nada em público e concordam em tudo nos bastidores.
    E é aqui que os contrastes se tornam evidentes.
    Há Luís Marques Mendes, onde não há mistério nenhum: é o sistema a votar em si próprio. Anos de televisão sem contraditório, tal como Marcelo, sempre em modo comentador respeitável, sem risco, sem ruptura, sem custo pessoal. Apoiou Montenegro, agora é apoiado por ele. O círculo fecha-se com uma elegância quase cínica. Não veio mudar nada. Veio garantir que tudo fica exactamente igual, com ar sério, institucional e aceitável.
    Surge também Henrique Gouveia e Melo, um produto do tempo do medo. Nasceu politicamente quando se proibiu, se impôs e se mandou calar, tudo em nome da “saúde”. Transformaram um gestor de ordens num salvador nacional, como se a logística fosse uma virtude moral. Autoridade sem política. Disciplina sem liberdade. Hierarquia sem representação. Não é um presidente para cidadãos. É um comandante para súbditos.
    E há ainda António José Seguro, o Partido Socialista a fingir que mudou. Nunca rompeu com Guterres, nunca se afastou de Sócrates quando devia, nunca assumiu qualquer corte real com o passado que trouxe o país até aqui. Serve para branquear, não para transformar. Seguro no nome, seguro para o sistema.
    Por fim, João Cotrim de Figueiredo: arrumado, limpo, inofensivo. Acredita na forma, não no conflito. Reformador de pose, risco zero, perfeitamente integrado no circuito respeitável, ao ponto de apoiar Ursula von der Leyen. Num país saudável, talvez bastasse. No país real, é irrelevante.
    André Ventura tem falhas? Naturalmente.
    Concordo com ele em tudo? Nem por sombras.
    Mas é o único que não veio para manter a música ambiente.
    Não escrevo isto para converter ninguém, nem tenho ilusões quanto ao peso da minha opinião.
    Cada um vota como entende, com a consciência e a informação que tiver.
    Para bem ou para mal, é isso a democracia.
    Independentemente do resultado, Ventura já fez aquilo que os outros evitam: obrigou o sistema a mostrar-se.
    Ignorar isto não é virtude.
    É recusa em ver.
    (Texto de Miguel Esteves Cardoso)

    Madalena

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  6. Homo proponit,sed Deus disponit

    Lux

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