segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A banalização pública do voto revela mais exibicionismo do que consciência cívica

O voto é um dos pilares fundamentais da democracia precisamente porque é livre, pessoal e protegido do olhar alheio. A sua natureza secreta não é um detalhe técnico, mas uma garantia essencial contra pressões sociais, julgamentos morais e alinhamentos forçados. No entanto, assiste-se cada vez mais à tendência de expor publicamente em quem se vota, como se essa revelação fosse, por si só, um ato de virtude cívica.

Esta prática pouco acrescenta ao debate democrático. Pelo contrário, empobrece-o. Em vez de se discutirem ideias, propostas ou consequências políticas, privilegia-se a exibição da escolha individual como marcador identitário. O voto deixa de ser resultado de reflexão crítica e passa a funcionar como instrumento de validação social ou afirmação de pertença a um grupo.

A democracia não se fortalece com listas públicas de votos nem com a transformação da política em palco de aprovação moral. Fortalece-se com confronto de argumentos, diversidade de pensamento e respeito pela autonomia individual. Confundir participação cívica com exposição pessoal é um erro que fragiliza o espaço público e reduz a política a um exercício de algum exibicionismo., erro que fragiliza o espaço público e reduz a política a um exercício de vaidade.

 

3 comentários:

  1. Ainda assim gostei de ouvir o Paulo revelar em quem vai votar e porquê.
    Um apelo ao bom senso e à decência tão básicos e tão necessários.

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  2. Minha Senhora, esse exibicionismo é um deplorável elemento, parte integrante de um abuso para não dizer fraude à Constituição. Permita-me salientar que a chamada abstenção está no seio desse engano que nos vendem. Cada boletim de voto devia conter um campo para abstenção na condição de validamente expresso, dado que a ausência nas urnas se pode dever a dezenas de motivos. Veja-se a calculada diferença quando os nossos deputados na AR para se abster tem que estar presentes, quando não o façam fica registada falta justificada ou não. Porque será que os ilustres do nosso sistema nunca falam em revisão da lei eleitoral a este propósito? Será que temem cadeiras vazias que não rendem na contabilidade dos partidos?

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