Na morte de Fidel
É urgente um verso vermelho
que suspenda a animação deste desastre
pensado para durar depois do inverno
que suspenda a animação deste desastre
pensado para durar depois do inverno
É urgente um verso vermelho
com todas as cores do arco iris
e o vento natural do universo
com todas as cores do arco iris
e o vento natural do universo
É urgente um verso vermelho
que ponha de novo em movimento os comboios da imaginação
azeite puro em manivelas de razão quente
o peso da história de novo levíssimo
a rodar sobre perguntas livres e ruínas vivas
a paisagem mudar primeiro lentamente
enquanto vão entrando vozes ainda submersas
e corpos mal refeitos da desfiguração da guerra e do comércio
das crateras e promoções
que ponha de novo em movimento os comboios da imaginação
azeite puro em manivelas de razão quente
o peso da história de novo levíssimo
a rodar sobre perguntas livres e ruínas vivas
a paisagem mudar primeiro lentamente
enquanto vão entrando vozes ainda submersas
e corpos mal refeitos da desfiguração da guerra e do comércio
das crateras e promoções
É urgente um verso vermelho
que desate os nós da memória e do medo
e resgate os rios da rebeldia
a palavra cristalina inabalável
inconfundível com as mordaças sonoras
à venda nos supermercados da ordem
que desate os nós da memória e do medo
e resgate os rios da rebeldia
a palavra cristalina inabalável
inconfundível com as mordaças sonoras
à venda nos supermercados da ordem
É urgente um verso vermelho
para anunciar barco polifónico da dignidade
pronto a navegar
os rios libertos das barragens calcinadas
"dos sistemas de irrigação industrial da alma
É urgente um verso vermelho
para anunciar barco polifónico da dignidade
pronto a navegar
os rios libertos das barragens calcinadas
"dos sistemas de irrigação industrial da alma
uma luz manual portátil que vá connosco
sem esperar a que virá no fundo do túnel se vier
porque a cegueira da viagem é sempre mais perigosa
que a da chegada
talvez só entrega
talvez só paragem
sem esperar a que virá no fundo do túnel se vier
porque a cegueira da viagem é sempre mais perigosa
que a da chegada
talvez só entrega
talvez só paragem
É urgente um verso vermelho
que trace um território inacessível
aos vendedores de mobílias espirituais
e turismo de acomodação
que trace um território inacessível
aos vendedores de mobílias espirituais
e turismo de acomodação
É urgente um verso vermelho
vinho de bom ano para acompanhar
sonhos sãos e saborosos
preparados em brasas de raiva e a brisa da alegria
vinho de bom ano para acompanhar
sonhos sãos e saborosos
preparados em brasas de raiva e a brisa da alegria
É urgente um verso vermelho
sem solenidades nem códigos especiais
para devolver as cores ao mundo
e as deixar combinar com a criatividade própria dos vendavais
Boaventura Sousa Santos
sem solenidades nem códigos especiais
para devolver as cores ao mundo
e as deixar combinar com a criatividade própria dos vendavais
Boaventura Sousa Santos
Ahahah! Gosto especialmente dos "sistemas de irrigação industrial da alma" e dos "sonhos preparados em brasas de raiva". Por aqui se vê como é perigoso achar-se que "somos todos poetas". E que basta alinhar meia dúzia de rimas, ou organizar umas ideias arrevesadas em formato "estrofe" para fazer poesia...
ResponderEliminarEnfim...
Eu não gostei absolutamente nada!!!
ResponderEliminarOs meus cumprimentos.
Irene Alves
ResponderEliminarHelena
Não me cativou, cansativo nem o li todo.
Carla
De facto, sendo uma pessoa premiada pela sua obra literária, muito me estranha algumas "rimas" pseudofilosóficas e intelectuais! Será só para algum tipo de público mais "avançado"? Ou é para "inglês ver"?
ResponderEliminarBjs da Maria do Porto
Gosto mais do Bocage
ResponderEliminar
ResponderEliminarQuerida Helena, ao pedir a opinião do Ministro da Cultura, a única resposta que poderá ter dele é que "não há política de gosto no Ministério da Cultura".
Por onde andarão agora Alcipe e o da Mata?
Um beijo amigo e saudoso
Luis Filipe
DOutora Helena
ResponderEliminarUm grande abraço de admiração e parabéns. Desejo muitas felicidades e muita saúde.
Já agora, outro para amanhã, uma vez que há festa nos dois dias
Um dia muito alegre
Maria Isabel
HSC, não haverá entre os seus inúmeros leitores alguém que nos explique, verso a verso o poema em questão?!
ResponderEliminarEstou expectante em saber e encontrar aqui alguém que goste. No caso de dizer que gosta e não explicar é mais um dos casos do "rei vai nu"!!
Se me permite, um abraço daqui desta Montreal coberta de branco!
p.s. Vantagens dos tempos, perdeu-se em muitas coisas (como há dias discutíamos) mas ganhou-se em tanto mais e neste caso ganhou-se a "proximidades", o "just on time"!
D.
Querida Helena
ResponderEliminarAchei o poema demasiado elaborado mas porventura sincero
Nao gosto.Mas ainda gostei menks de ouvir tantas vozes ridicularizá-lo.
Nao merece um poema como expressao maior um pouco mais de respeito???
HSC, dá-me licença de perguntar a ERA UMA VEZ o que quer dizer com "um poema de expressão maior" de que no entanto não gosta?
ResponderEliminarp.s. Desculpe, pedi licença mas não esperei pela resposta!
Oh! Também me esquecia dos parabéns! Saúde, e já é um enorme desejo...
ResponderEliminarQuerida Helena
ResponderEliminarUma brisa me soprava ao ouvido que hoje não era apenas um dia dedicado à Mãe de Cristo, ao baptizado da minha filha, uma flor apenas em botão cuja vivacidade no olhar já deixava adivinhar que tínhamos sido abençoados, faltava-me qualquer coisa...
E então fez-se luz!
Luz que nos ilumina a todos com a sua inteligência e coragem.
Parabéns minha amiga. É bom dizer-lhe isto em cada ano das nossas vidas.
Meu querido Alcipe
ResponderEliminarQue saudades tenho do Alcipe do Mata. Espero que se tenham ausentado mas que continuem vivinhos da costa!
Caros comentadores
ResponderEliminarBem hajam por se terem lembrado desta vossa graça!
Senhora Dona Helena, o Senhor Alcipe foi para Ministro e nem para o gabinete dele me levou... Há justiça neste mundo?
ResponderEliminara) Feliciano da Mata, excluído
Ó meu caro Feliciano da Mata
ResponderEliminarSeremos almas gémeas. Eu também me queixo do mesmo. Então não acha que eu iria dar um certo colorido naquele gabinete?
Olhe, pelo menos eu teria, muito discreta e diplomaticamente sugerido ao novel poeta que era melhor primeiro ele ouvir conselho avisado...
No entanto tenho que confessar que é o Ministro de quem mais gosto e olhe que tenho por lá alguns bons amigos!
Ah... E também gosto do Albino Forjaz Sampaio. É malcriado mas a gente entende.
ResponderEliminarQuerida Helena
ResponderEliminarPermita-me que esclareça com a sua comentadora Dalma o assunto que me coloca para que fique tudo muito claro.
Eu, com todo o respeito pelo autor, não gostei. Demasiado elaborado e intencional,rebuscado, enfim, não me tocou.
O que eu quis dizer é que não me agrada TAMBÉM de todo ter lido e ouvido em tantos lugares, não apenas a legítima crítica mas a total HUMILHAÇÃO e RIDICULARIZAÇÃO DE UM POEMA, porque para mim, a não ser que seja deliberadamente ofensivo, merece sempre algum respeito por ser
no meu entender A ESCRITA NA SUA EXPRESSÃO MAIOR.
Um Poema e um autor merecem isso.Como em todas as Artes. Esquisitices minhas talvez...
Espero ter conseguido. Cumprimentos.
HSC, desculpe voltar ao poema de de BVSS, mas se souber onde veio alguma interpretação, peç-lhe o favor de me dizer. Tinha imenso curiosidade em saber como o escalpelizaram.
ResponderEliminarD.
É urgente um verso vermelho, mas não é este... Quem te manda, sapateiro...
ResponderEliminarCaro Francisco
ResponderEliminarEu já ficava contente com um verso rosa. Dos bons, que os há, felizmente. Mas este, por mais que o leia, a irrigação não aceita! f
Que falta nos faz o Alcipe. E o que eu gostaria de ouvir o Mata sobre o tema!