"Morreste, morreste, meu amor, minha
mãe, Mummy, Mummy. Que vai ser de mim? Que vai ser de nós? Como vamos estar
todos sós sem ti?
Morreste, morreste, meu amor, minha
mãe,Mummy, Mummy. Como é que tanta vida é capaz de morrer assim?
Onde está o riso que ainda não rimos? Quem vai rir por ti, em teu lugar, como
só tu sabias rir? Ninguém, ninguém, ninguém que seja como tu, querida mãe.
Agora a quem é que eu vou dar a ler
estas palavras de amor que te escrevo? Escrevi-te tantas, só pelo prazer de te
ver a lê-las, de saber que as sabias de cor. Como é que vais lê-las agora?
Lê-as agora, se puderes.Please, Mummy, try.
Olho para as coisas todas que nos
deixaste e nada me consola saber que são coisas que não morrem. Sabias muito
bem que a coisa mais maravilhosa de todas as coisas que nos deste eras tu. E
mesmo assim morreste, morreste, meu amor, minha mãe, Mummy, Mummy.
Mãe, mãe, mãe, onde estás?"
Este foi o texto que Miguel Esteves Cardoso escreveu para o jornal Publico, após a morte recente de sua mãe, senhora que eu tive o grato gosto de conhecer, pese embora as circunstâncias tristes em que tal ocorreu.
MEC continua, felizmente para ele e para nós, a não ter medo nem vergonha de revelar a forma como vive os seus afectos. Só posso dar-lhe aquele apertado abraço e dizer-lhe "não deixes, nunca, de ser assim"!
HSC



