"Cameron deu a vitória ao Partido Conservador
com 36,9% dos votos expressos e 331 deputados. Miliband, entretido a deixar-se
entrevistar pelo humorista Russel Brand, não conseguiu mais que 30,4% e 232
deputados. Nada disto surpreende. Cameron tem carisma, Miliband é boring.
Cameron prometeu injectar 11 mil milhões de libras (mais de 15 mil milhões de
euros) no Serviço Nacional de Saúde, contra os 2,5 mil milhões de libras (cerca
de 3 mil milhões de euros) prometidos por Miliband. Não é um detalhe. Os Lib-Dem
implodiram, passando de 57 para 8 deputados. Com maioria absoluta, os tories
dispensam a bengala de Clegg.
A grande vencedora destas eleições é Nicola Sturgeon, 44 anos, líder do
Scottish National Party e primeira-ministra da Escócia, a mulher que fez subir
a representação parlamentar do SNP de 6 para 56 deputados. E o grande derrotado
é Nigel Farage, líder do UKIP, a extrema-direita xenófoba, anti UE e
anti-imigrantes, que não conseguiu ser eleito (embora o partido tenha obtido um
lugar). Enfim, os Verdes também só lá puseram um.
O resultado destas eleições, como antes o das eleições comunais francesas,
ilustra de forma clara o desfasamento entre a realidade e os números das
sondagens. No Reino Unido, Nigel Farage obteve 4 milhões de votos, igualando o score de
Marine de Len em França, que em Março também não passou de 4 milhões de votos,
sem conseguir eleger um único presidente de Departamento. Contudo, quem lesse
os jornais, mesmo os respeitáveis, dava como certa uma onda xenófoba dos dois
lados do Canal. Felizmente nada disso aconteceu. Ficamos a saber que há 4
milhões de fascistas declarados no reino de Sua Majestade, e outros quatro
milhões na Pátria de Voltaire, mas a larga maioria de votantes mantém-se fiel
aos valores da Europa. Nem tudo está perdido."
Eduardo
Pitta no blog Da Literatura (http://daliteratura.blogspot.pt)
Aqui fica uma boa análise das eleições inglesas que me permiti roubar e publicar aqui. É clara e concisa como sempre acontece com o que Pitta escreve.
HSC
HSC



